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Livro 30 anos APDC

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30 anos APDC

PT Multimédia em bolsa

PT Multimédia em bolsa NASDAQ À PORTUGUESA 1999 nov. Recém-criada, a PT Multimédia assumia-se como a sub-holding do Grupo para os negócios do cabo, Internet e conteúdos. Ainda no rescaldo da compra da Telesp Celular, havia grande necessidade de redução da dívida da PT. Eduardo Martins, à data presidente do Conselho de Administração da PT Multimédia, lembra-se que Murteira Nabo o desafiou a pensarem em conjunto em possíveis soluções. “Dei a sugestão de vendermos um ativo estratégico”. A notícia da estreia da empresa na bolsa agitou o mercado, que estava ávido por esse tipo de ações. “Tivemos seis meses para preparar tudo, mas eu tinha um grande handicap: o meu inglês. Tive que pôr 15 dias de férias e ir para os Estados Unidos. Tinha uma professora de inglês que me acompanhava todo o dia e que me proibia de falar português”. O intenso roadshow em inglês durou três semanas e Eduardo Martins viveu muitas histórias memoráveis. A Telefónica tinha acabado de lançar o portal Terra, por isso as reuniões com os investidores alternavam-se: “Umas vezes éramos nós primeiro e depois eles, e outras o contrário. Em Chicago, fui falar com um potencial investidor. Estava de fato e gravata e ele disse-me: ‘Eu quero falar com o CEO da PTM’. Eu disse: ‘Sou eu’. “Não acredito! Onde é que está o seu rabo de cavalo?”, recorda. O investidor disse a Eduardo Martins que não se reconhecia numa empresa com um “CEO vestido à IBM”, mas deu-lhe uma hipótese: “Acabei de ter uma reunião com a Terra. Convença-me a comprar a PTM”. O responsável pela PTM teve resposta pronta: “Não vou dizer mal da Terra, Eduardo MartinsEduardo Ma 50 | 30 anos, 30 momentos extraordinários APDC Livro 30anos_MIOLO.indd 50 13/11/15 18:53

A entrada da PTM em bolsa foi um facto extraordinário... “… porque deu origem a um momento de grande animação, alimentada pelas denominadas ‘tecnológicas’. Salvaguardadas as devidas comparações, a entrada em bolsa da PT Multimédia representou para Portugal o acompanhar das tendências internacionais das principais praças financeiras iniciadas no NASDAQ, em 1995. Durante cinco eufóricos meses, entre novembro de 1999 e princípios de março de 2000, as ‘tecnológicas’ passaram a ser o foco das atenções, num mercado todavia dominado pela Banca. A PT Multimédia foi o título que, porventura, mais aproveitou esse sentimento favorável, destacando-se, assim, na história do Mercado de Capitais Português”. Luís Patrício Rodrigues, à data diretor de mercados da Bolsa de Lisboa mas há uma grande diferença: nós temos uma rede de fibra ótica espalhada pelo país, já temos mais de um milhão e meio de casas e eles só têm internet. Nós temos os pés na terra e eles não”. O investidor em causa acabou por dar uma ordem de 3 milhões de ações! O preço final das ações da PT Multimédia foi fixado em 27 euros. No primeiro dia, as ações subiram quase 50%, passando a um máximo de 40 euros. A venda foi um sucesso, com a procura a superar 60 vezes a oferta na OPV. “Foi um momento de ouro, acho que nunca tive tantos amigos como na altura. Telefonavam-me como se eu soubesse se as ações iriam subir outra vez”, lembra Eduardo Martins. E conclui: “Tivemos a sorte de tomar a decisão certa no momento certo. Trabalhámos muito mas o contexto ajudou-nos imenso”. NASDAQ à Portuguesa | 51 APDC Livro 30anos_MIOLO.indd 51 13/11/15 18:53

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