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Livro 30 anos APDC

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30 anos APDC

PT compra Telesp Celular

PT compra Telesp Celular RUMO AO BRASIL 1998 jul. MCI, Telefónica e Portugal Telecom. Três lados de uma estratégia conjunta para domínio do tão apetecível mercado brasileiro de telecomunicações. Uma operação planeada com mais de um ano de antecedência, por uma equipa de especialistas multidisciplinares. “Combinámos entre nós que a MCI ia concorrer à Embratel, a Telefónica tentaria comprar a Telesp Fixa e nós as operadoras da zona sul”, revela Murteira Nabo, à data presidente da Portugal Telecom. No entanto, uma semana antes do tão esperado leilão é publicada a notícia que o real ia desvalorizar. “Fizemos uma reunião de emergência e corrigimos a estratégia. Apostámos antes na Telesp Celular. Pedimos logo aos bancos que nos fizessem um estudo de análise de risco de decisões a tomar no caso de desvalorização da moeda”. Uma semana de tensão, em que Murteira Nabo teve a tarefa acrescida de se concertar com os acionistas de referência e com o Governo português. “Estavam em jogo valores muito altos. Tinha autorização para investir até 3 mil milhões de dólares”. Às oito da manhã do dia 29 de julho, na Bolsa do Rio de Janeiro, a MCI avança para o leilão da Embratel. “Estávamos em hotéis diferentes e tínhamos um sistema de comunicação por cifra, pois suspeitávamos de espionagem empresarial”. A MCI ganha. Segue-se o leilão da Telesp Fixa. A Telefónica ganha. “Entre cada venda, havia meia hora de intervalo. Na meia hora antes do leilão da Telesp Celular, reunimo-nos e disseram-me: ‘Tens mesmo que ganhar, pois isto só faz sentido se for em conjunto!’”. Os italianos da TIM tinham perdido os outros leilões e pensava-se que “iam atacar forte”. “Deram-me então autorização para eu somar à minha margem mais 15% para ficar 46 | 30 anos, 30 momentos extraordinários APDC Livro 30anos_MIOLO.indd 46 13/11/15 18:53

A compra da Telesp pela PT foi um facto extraordinário... “… porque foi o momento que marcou o salto da PT no caminho da presença multinacional. Foi uma fase crítica em termos de decisões estratégicas: ou permanecíamos uma empresa pequena ou expandíamo-nos para os países de língua portuguesa. Como tivemos conhecimento da intenção de privatização de todas as telecomunicações brasileiras com muita antecedência, pudemo-nos preparar muito bem. E foi um sucesso. Os seis meses seguintes foram extraordinariamente difíceis, mas o Romão Mateus fez um trabalho fabuloso! É uma homenagem que lhe devemos. A Telesp Celular arrancou com enorme força e credibilidade”. Murteira Nabo, presidente da Portugal Telecom à data do leilão seguro de que ganhava”. Daí a famosa história dos dois envelopes, nos dois lados do casaco de Murteira Nabo: um deles com o valor inicialmente pensado e o outro com a tal margem de segurança. “Quando entrei na sala, foram momentos angustiantes. Optei pela solução correta para quem tem um grau de incerteza elevado. Escolhi a proposta mais cara”. Afinal a proposta mais baixa teria sido suficiente para ganhar. “Era mesmo à justa!”, recorda. “Ficámos todos muito satisfeitos. Ninguém estava à espera que conseguíssemos. Para o Brasil, o português era o padeiro! A imagem de Portugal mudou completamente. Recebemos felicitações de todo o lado, de toda a gente. Foi uma enorme alegria!”. Murteira Nabo Rumo ao Brasil | 47 APDC Livro 30anos_MIOLO.indd 47 13/11/15 18:53

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