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Livro 30 anos APDC

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30 anos APDC

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WWW.INICIO-INTERNET.PT NEGÓCIO DE DADOS TELEPAC 1994 set. Iriarte Esteves Iriarte Es No seminário “Portugal na Internet”, decorrido no LNEC, em março de 1994, a Telepac anuncia em primeira mão estar prestes a lançar o serviço de acesso à Internet. Algo totalmente inovador a nível dos operadores de telecomunicações europeus. “Por mérito do Eng. Iriarte Esteves [presidente da Telepac], funcionávamos com grande autonomia, o que nos permitiu dar asas a um espírito aventureiro e arriscar”, destaca Henrique Carreiro, à data responsável pelo desenvolvimento dos serviços Internet. Cumprindo o prometido, a Telepac lança em setembro, em fase experimental, um serviço de acesso em modo terminal. “As pessoas acediam com um interface tipo Unix, num ecrã preto, com letras verdes, tinham que digitar comandos…”, recorda. Na altura os computadores não vinham preparados para aceder à Internet e só aí é que começaram a surgir os primeiros browsers. Henrique Carreiro lembra-se do caráter artesanal e incipiente das primeiras soluções: “Negociei com uma empresa israelita o protocolo de rede e pu-lo numa disquete e noutra estava gravado o browser. Escrevi também o manual. Fazíamos cópias das disquetes, colávamos um autocolante, duplicávamos os manuais… e enviávamos para o cliente”. Subitamente começaram a receber milhares de pedidos. “Tivemos que construir tudo de raiz e ao mesmo tempo: infraestruturas, serviços, equipas de suporte. Contratei uma série de “hackers”, rapazes novos todos vestidos de preto… Era uma secção à parte, no meio daquela gente toda, formal e séria!”. O serviço tornou-se muito popular e, um dia, parou. “O telejornal abriu com a notícia ‘Portugal está sem acesso à internet’. Ninguém imagina o que é o serviço pelo qual somos responsáveis ser motivo de notícia porque bloqueou!”. 38 | 30 anos, 30 momentos extraordinários APDC Livro 30anos_MIOLO.indd 38 13/11/15 18:53

O lançamento do acesso à Internet foi um facto extraordinário... “… porque se passou de forma inédita no mundo das telecomunicações. O habitual era criar-se, durante anos, a infraestrutura, com grandes investimentos e só depois é que surgiam os clientes. Aqui aconteceu tudo ao mesmo tempo e era algo que estava para além do que conseguíamos gerir. Eu desenvolvia os produtos de manhã, vendia-os à tarde e dava suporte à noite!... Fomos absolutamente pioneiros. Depois levámos a Internet para Cabo Verde, São Tomé, Guiné, Macau. Tornámo-nos quase missionários, muitas vezes em condições terríveis. O investimento nesta área, mesmo internamente, foi difícil. Não era óbvio que a Internet fosse o futuro. Havia imensas barreiras e resistências. Pensavam que era uma moda passageira e que ia dar cabo do negócio. Tivemos que tomar decisões estratégicas duras. Foram dias sofridos, mas inesquecíveis”. Henrique Carreiro, à data responsável pelo desenvolvimento de serviços Internet A empresa não estava preparada para tanta procura. Em finais de 1995, a TMN preparava em segredo o lançamento do pré-pago. “Como o Eng. Iriarte sabia o que se estava a passar na TMN, achámos que podia ser a solução para o nosso problema”. Adaptaram a plataforma tecnológica ao serviço de internet e, em 1996, a Telepac tornou-se a primeira empresa do mundo a comercializar acesso à internet pré-pago. Criaram uma rede de distribuição e colocaram à venda em todo o país o NetPac. “Tinha o formato de um maço de tabaco, uma ideia subversiva. A campanha centrava-se no vício, no proibido. Um homem de chapéu abria a gabardina e tinha lá os pacotes para vender…”. Henrique Carreiro tinha noção clara de que quando os portugueses experimentassem não iriam parar. “Nós próprios éramos todos viciados!”. Um vício que se massificou de forma inimaginável. versão em 1996/1998 Negócios de Dados Telepac | 39 APDC Livro 30anos_MIOLO.indd 39 13/11/15 18:53

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