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Directório Global das TIC | Empresas e Profissionais | 2019/2020

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28 OPINIÃO Num modelo

28 OPINIÃO Num modelo de “intervencionismo social” por parte das empresas, quem tem a accountabilit pelo que é socialmente correto e desejável? Quem define o que a sociedade quer e quais são as prioridades? O CEO, o acionista, os colaboradores? Por outro lado, o sucesso empresarial depende da dinâmica de cada organização, isto é, da assertividade e da rapidez das decisões, cuja racionalidade económica pode por vezes ser incompatível com o seu papel social. O capitalismo social dos anos 60 tem inúmeros casos em grandes empresas presas nesta armadilha. Também em relação ao papel do Estado se colocam imensas questões. Por exemplo: Se temos empresas super globais, com um poder imenso, não deveriam os Estados ser mais fortes para as poder regular? Quando a robotização e a inteligência artificial estão a automatizar cada vez mais tarefas, não irá o Estado encontrar um modelo fiscal que taxe esses robôs e que distribua essa riqueza pelos cidadãos, para continuar a estimular o consumo e manter um ciclo económico saudável? Qual o papel do Estado na imensa requalificação das populações que vai ser necessária e qual o impacto profundo que isso vai ter nos modelos de educação e ensino? Tudo isto é mais Estado ou menos Estado? O CRENTE ... as empresas com um propósito bem sustentado e comunicado têm um índice de rentabilidade médio 10 vezes superior ao das empresas do índice S&P. O caminho da responsabilidade social, que muitas das grandes empresas estão a seguir, não é apenas um pequeno passo numa tendência de longo prazo. De facto, o comportamento dos consumidores está a mudar e tem um enorme poder de influência no sucesso das empresas. Há inúmeros exemplos de que empresas criadas sob este princípio conseguem índices de rentabilidade recorde. O estudo patente na publicação Firms of Endearment revelou que as empresas com um propósito bem sustentado e comunicado têm um índice de rentabilidade médio 10 vezes superior ao das empresas do índice S&P. Uma governance socialmente responsável abre a porta a novos modelos de cooperação baseados na inclusão social e económica. Desta forma, alargaram-se as fronteiras do crescimento económico e, consequentemente, do mercado e da rentabilidade, fazendo crescer (e muito) o mercado de potenciais consumidores (por exemplo, a economia

DIRETÓRIO DAS TIC 29 digital tem um papel muito relevante, ao potenciar a inclusão económica de muitas franjas da população. Para além disso a sociedade está a punir severamente os comportamentos considerados moral e eticamente condenáveis. Basta lembrarmo-nos dos exemplos recentes de empresas do nosso setor que foram duramente multadas em centenas de milhões de euros pela prática de atos de corrupção ou até de conluio. Imaginem por um momento que tinham que reconhecer nos resultados das vossas empresas, este ano, uma coima de 200 M€ e pensem no impacto que isso teria nas vossas vidas, nas das vossas famílias e nas dos vossos colaboradores. Resumindo, foi esta ideia-chave que me converteu: “O MUNDO AVALIA AS ORGANIZA- ÇÕES PELA QUALIDADE DO SEU PROPÓSITO”. Os líderes das empresas possuem os meios para desempenhar este papel. Logo, têm a responsabilidade de entender o alcance que podem ter na sociedade e a forma como isso se concilia com o interesse último dos acionistas. O nosso dia-a-dia atarefado ainda aguenta com mais esta missão? Utilizando uma frase que ficou famosa, “Ai aguenta, aguenta…”, pois, se não aguentarmos e se não tivermos um propósito para além dos números, as nossas organizações vão ficar obsoletas. Ob-so-le-tas. Talvez ainda estejamos a uma boa distância da construção de organizações com um verdadeiro propósito, de podermos responder “para que serve a minha organização?” e (ainda maior) de executar esse propósito. Como é que isso se faz? Como é que se ganha um propósito? Como é que se ganha um significado? Como é que se faz em conjunto? Como é que se pensam empresas? Tenho poucas certezas, mas sei que não basta nomear um Chief Sustainability Officer. A RESPONSABILIDADE É SEMPRE DA LIDERANÇA. O papel da liderança é, em primeiro lugar, entender o alcance que uma empresa com propósito pode ter, isto é, construir e fazer acontecer esse propósito e conciliá-lo com o interesse último dos acionistas. Em segundo lugar, é preciso construir uma narrativa, para explicar o porquê às pessoas (os seres humanos ligam-se sempre a histórias e não a estratégias de produtos ou de serviços). Em terceiro lugar, é essencial comunicar muito, repetir até à exaustão, ser claro, não deixar margem para dúvidas e comunicar para dentro e para fora. É preciso transformar o propósito em cultura. E, por fim, é preciso ser-se genuíno. Porque o caminho é longo e implica uma grande generosidade, é preciso acreditar que isto faz sentido e que isto não se consegue fingindo. É claro. Há também outra alternativa: ignorar este caminho e preferir o ceticismo… Acreditar que O MUNDO AVALIA AS ORGANIZAÇÕES PELA QUALIDADE DO SEU PROPÓSITO é, afinal, sempre uma escolha. Eu fiz a minha! Pedro Faustino Executive Director, Axians Portugal O Pedro faz parte da equipa de gestão da Axians Portugal, com responsabilidades de gestão de várias Business Units e de vários mercados verticais. É também membro do Southern Europe Steering Comittee e está à frente de alguns grupos- -chave intraorganizacionais com foco na Educação, Smart Industry e Smart Cities. Faz orgulhosamente parte da construção deste projeto em Portugal. Acredita em empresas com propósito e com impacto, em projetos com significado e em parcerias com relevância. Num mundo em crescente mudança, a VINCI Energies dedica-se a duas grandes transformações em curso: a revolução digital e a transição energética. Agrega empresas especializadas em consultoria e engenharia, desenvolvimento e execução, manutenção e gestão de soluções e sistemas nas áreas de Smart Building Solutions, Industry Solutions, Energy Infrastructures, e Information and Communication Technologies. E a Axians – a marca de VINCI Energies especialista em TIC – consciente do papel transformador que as TIC desempenham na vida das pessoas e das empresas, desenvolve soluções à medida dos seus clientes.

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