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Directório Global das TIC | Empresas e Profissionais | 2018/2019

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32 | OPINIÃO DIRETÓRIO

32 | OPINIÃO DIRETÓRIO DAS TIC | 33 A IMPORTÂNCIA DA MONETIZAÇÃO DE DADOS FERNANDO BAÇÃO | PROFESSOR ASSOCIADO E SUBDIRECTOR, NOVA IMS A introdução, em 1974, do código de barras transformou profundamente o negócio da distribuição, permitindo a criação e gestão eficiente de grandes cadeias de distribuição. Algumas transformações eram previsíveis, como os ganhos significativos nos custos operacionais, o impacto na gestão de inventário e até mesmo na rapidez de checkout dos clientes, permitindo uma operação do negócio muito mais suave e eficiente. Mas o código de barras deu também origem a uma revolução mais importante e estrutural, no equilíbrio de poder entre retalhistas e fornecedores, algo dificilmente previsível aquando da sua adopção. Esta alteração resultou da mudança no controlo da informação. A utilização generalizada do código de barras permitiu que os retalhistas passassem a dominar a informação, o que rapidamente se transformou no domínio do negócio. O código de barras pode servir de parábola para as alterações que muitas indústrias certamente atravessarão num futuro próximo. A forma como os dados se “infiltraram” em todas as componentes da cadeia de valor e as transfiguram diariamente, confirma a importância que já têm na transformação de muitas indústrias. O seu potencial disruptivo condicionará, de forma significativa, a criação de valor em múltiplos sectores. Os dados têm a capacidade de criar novos modelos e conceitos de negócio, novos fluxos de receitas e novas formas de servir o cliente. O futuro da monetização dos dados dependerá de múltiplos factores, e como todas as revoluções a sua evolução é em larga medida imprevisível, no entanto, começam a ficar claras algumas tendências. Por exemplo, hoje já é óbvia a importância que os motores de recomendação têm no sucesso de empresas como a Netflix, a Amazon ou o Spotify. A melhoria das recomendações ao cliente permite a exploração dos enormes catálogos que possuem, aumentando o tempo de utilização, a satisfação e criando barreiras ao abandono. O Discovery Weekly, do Spotify, é um bom exemplo da maturidade e qualidade que este tipo de tecnologia já atingiu. Na área da saúde torna-se cada dia mais óbvio o papel central que as tecnologias de monitorização (e.g. Fitbit ou Oura Ring) já têm e continuarão a ter no desenvolvimento de programas de promoção de bem-estar, na criação de programas de seguros de saúde e seguros de vida corporativos. Nos seguros automóvel os impactos imediatos são também óbvios, com tarifas cada vez mais personalizadas com base na intensidade de utilização, nos percursos mais frequentes e na “agressividade” da condução. A mobilidade urbana é outro domínio onde o impacto dos dados se sente de forma cada vez mais clara. É cada vez mais óbvia a importância das plataformas de ride-sharing, car-sharing, bike-sharing e aplicações de navegação (e.g. Waze), que ao mesmo tempo que servem milhões de utilizadores recolhem colossais quantidades de dados sobre os hábitos de mobilidade nas metrópoles mundiais. Serão estes dados que permitirão a criação de serviços de mobilidade cada vez mais relevantes para os utilizadores e permitirão maior eficiência e sustentabilidade urbana. Estes são apenas alguns exemplos óbvios que já podemos observar, mas são também apenas a ponta do iceberg, muitos outros se seguirão. Apesar da natureza eminentemente imprevisível destas A FORMA COMO OS DADOS SE “INFILTRARAM” EM TODAS AS COMPONENTES DA CADEIA DE VALOR E AS TRANSFIGURAM DIARIAMENTE, CONFIRMA A IMPORTÂNCIA QUE JÁ TÊM NA TRANSFORMAÇÃO DE MUITAS INDÚSTRIAS

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