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Directório Global das TIC | Empresas e Profissionais | 2018/2019

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20 | OPINIÃO DIRETÓRIO

20 | OPINIÃO DIRETÓRIO DAS TIC | 21 NO TEMPO DA “TECNOLOGIA” (I)MORAL PEDRO AFONSO | CEO, AXIANS PORTUGAL | BOARD MEMBER, VINCI ENERGIES PORTUGAL A PROPÓSITO DE ROBOTS Por acaso aqui alguém falou de robots? “Isso é imoral!”, pensarão uns. Seria o pânico deixarmos de falar de robots em conferências da especialidade? – deixo no ar. E que tal se, desta vez, falássemos em inteligência moral? Que valor acrescentado queremos para Portugal? E a educação? Pode ser a peça para o futuro de que precisamos? Temas essenciais para quem gosta de Inteligência Artificial. Mas, já agora, desde quando é que Inteligência Artificial é novidade? Eu e milhares de engenheiros aprendemos inteligência artificial na universidade. Funções heurísticas. Algoritmos que aprendem com base em padrões, implementados em Software. Desde a Revolução Industrial que se trabalha para podermos substituir algumas funções humanas por máquinas. Estou propositadamente a usar a palavra – máquinas – porque automatizámos algumas funções através de máquinas. Estávamos a substituir funções – essencialmente de força – que eram antes desempenhadas por músculo humano. Trezentos anos depois, continuamos a substituir funções, só que, desta vez, desempenhadas pelo cérebro humano, pela nossa inteligência – funções da mente. “ELES” VÃO SUBSTITUIR AS PESSOAS Na automatização da economia, usando robots – bots –, é um facto que estamos a substituir algumas funções, as tais que eram feitas por pessoas – mesmo a nível intelectual - por algoritmos. Ora, isto é muito diferente de se dizer que “eles vão substituir as pessoas por robots” ou “Vamos ficar sem empregos porque vamos ser trocados por robots”. Eles – empresas tecnológicas - existem para tornar obsoleto aquilo que para nós, pessoas comuns, consideramos hoje relevante. Importa esclarecer e repor os factos: algumas funções feitas por pessoas vão passar a ser executadas por um algoritmo, robot ou peça de software. Para ter um exemplo, imagine o vigilante da escola dos seus filhos, na portaria, a olhar para vários ecrãs em simultâneo. Sabia que ele só consegue ser eficaz na sua ação de supervisão durante 10% do tempo? Várias câmaras, mais os procedimentos e relatórios de segurança, e ainda o atendimento à entrada da escola... já percebeu onde quero chegar? Agora imagine que o sistema de vigilância tem embebido um software que permite, através da deteção de padrões do movimento do corpo humano, antecipar se um determinado movimento de alguém é um comportamento potencialmente perigoso. E que esse algoritmo envia alertas para o próprio vigilante, e também para a gestão da escola, ou até mesmo para si. E, no que toca à segurança dos nossos filhos, nada mais posso acrescentar. É por isto que é bom darmos as boas vindas a esta transferência de tecnologia. Da ciência para as empresas. Das empresas para as Pessoas! Importa ainda distinguir mitos de factos. E isto é um facto: substituir uma Pessoa inteira por um robot é, à data, economicamente inviável, embora possa ser cientificamente possível, pelo menos a prazo. No entanto, é já muito viável passar para o software algumas funções desempenhadas pelo ser humano, mas isto é diferente de substituir o ser humano inteiro. É por isso que há um outro lado da Inteligência Artificial que importa aprofundar, para além do que a técnica e a ciência permitem. Para além das oportunidades. Muito para lá das soluções e do que as empresas fazem e sabem fazer. ONDE ESTÁ O LIMITE? Ora vamos lá… À ciência pede-se desenvolvimento sem limites. No caso das TIC, faz- -se muita ciência no contexto empresarial. À ciência permite-se que se encontre uma forma rápida, eficaz e sem dor, para que se possa praticar a eutanásia. Mas a decisão para a concretização da eutanásia não é um ato médico. Sai fora do scope da ciência. Passa a ser um tema de todos, enquanto sociedade. Em tecnologias, estamos a trabalhar numa grande parte das vezes, em temas que podem ser considerados moralmente certos ou errados. E devemos assumi-lo. Em vez de nos refugiarmos no nosso papel de ser “tecnicamente corretos”.

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