A ABRIR Curiosidades O CÉU JÁ NÃO É O LIMITE PARA OS DATA CENTERS A próxima fronteira da computação pode estar fora da Terra. Empresas como a NVIDIA, Google, Amazon e SpaceX estão a explorar a possibilidade de instalar centros de dados no Espaço, recorrendo a constelações de satélites alimentadas por energia solar. A proposta surge num contexto de pressão crescente sobre as infraestruturas terrestres, com limitações ao nível de energia, licenciamento e impacto ambiental. É que os data centers já consomem cerca de 1,5% da eletricidade global e a expansão da inteligência artificial tende a agravar esta tendência. No Espaço, a disponibilidade contínua de energia solar e a proximidade a dados gerados em órbita podem alterar o modelo atual de computação. Ainda numa fase inicial, projetos como o Suncatcher da Google ou novos chips espaciais da Nvidia apontam para um cenário em que o processamento de dados deixa de estar limitado ao planeta. WI-FI GANHA CENTRALIDADE NA ERA DA IA… O investimento em redes wireless está a tornar-se um motor estratégico de crescimento, impulsionado pela inteligência artificial, IoT e trabalho híbrido, segundo o relatório “State of Wireless”, da Cisco. As organizações reportam ganhos de eficiência (78%), produtividade (75%) e receitas (68%), num contexto de crescente adoção de Wi-Fi 6E e Wi-Fi 7 e reforço do investimento. Para 2026, a tendência aponta para redes mais críticas e mais exigentes, mas também mais complexas: 98% das empresas indicam o aumento da dificuldade de gestão e mais de metade já sofreu perdas financeiras ligadas a incidentes de segurança. A escassez de talento especializado agrava o cenário. O estudo sublinha a necessidade de combinar automação com IA, reforço da cibersegurança e desenvolvimento de competências para garantir resiliência e retorno do investimento. …QUE É ESTRUTURAL PARA GARANTIR COMPETITIVIDADE A integração da inteligência artificial no núcleo das operações tornou-se um fator crítico para a competitividade das empresas, conclui o estudo “State of AI 2026”, da Deloitte. Apesar da generalização da adoção, persiste um desfasamento entre projetos-piloto e transformação efetiva, com apenas 33% das organizações a reportarem impacto substancial da IA. A principal tendência é a aceleração da IA agêntica: cerca de 75% das empresas planeiam implementar agentes autónomos nos próximos dois anos. Mas apenas 21% dispõem de modelos de governance maduros, evidenciando lacunas na supervisão, controlo e integração destes sistemas nos processos de negócio. O estudo aponta para uma utilização crescente da IA pelos colaboradores, já presente em 60% das organizações, mas sem correspondência ao nível do redesenho do trabalho: 84% das empresas não ajustaram funções ou modelos operacionais. Em paralelo, ganham relevância estratégica a IA soberana - considerada importante por 83% das organizações - e a IA física, cuja adoção poderá atingir 80% no curto prazo. A escassez de competências surge como o principal entrave à escala, limitando a passagem da experimentação para a produção. Neste contexto, sublinha-se que o verdadeiro valor da IA dependerá da capacidade de integrar tecnologia, governance e transformação organizacional de forma consistente. NÚMEROS 2,59 BILIÕES É a previsão de despesa mundial, em dólares, com a IA no total deste ano, num crescimento de 47% face ao ano passado. A Gartner diz que nos próximos anos a necessidade de uma maior capacidade vai tornar o segmento da infraestrutura de IA o maior do mercado, com mais de 45% da despesa total. Sendo que se espera que a despesa com servidores otimizados para IA triplique nos próximos cinco anos, tornando-se no maior subsegmento deste mercado, à medida que os fornecedores de serviços cloud aumentam a capacidade para responder ao volume de processamento gerado por modelos de IA generativa e pelos fluxos de trabalho com agentes, à medida que as organizações reconhecem o potencial da automação baseada em agentes. 2 BILIÕES É a estimativa de perda, em dólares, das 10 empresas cotadas com maior capitalização bolsista no mundo nos primeiros 30 dias após o ataque dos EUA e Israel ao Irão, a 28 de fevereiro. Entre elas estão a Nvidia, a empresa mais valiosa em bolsa, que perdeu cerca de 240 mil milhões de dólares. E a Alphabet (empresa-mãe da Google), com uma quebra de 459 mil milhões de dólares, a mais elevada deste grupo de topo. As perdas da Alphabet em trinta dias foram 20% superiores ao PIB anual português. O top10 tem mais seis gigantes dos Estados Unidos: Apple, Microsoft, Amazon, Broadcom, Tesla e Meta, além da petrolífera Saudi Aramco e a TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Company), a maior fundição de semicondutores do mundo. 965 MIL MILHÕES É o valor recorde, em dólares, da avaliação da Anthropic, alcançada numa ronda de investimento que decorreu no final de maio. A dona do Claude continua a atrair investidores, tendo angariado 65 mil milhões de dólares. A OpenAI tinha sido recentemente avaliada em 852 mil milhões de dólares. Três meses antes, a Anthropic tinha arrecadado outros 30 mil milhões de dólares numa operação que avaliou a empresa em 350 mil milhões. A empresa, que esteve no centro da polémica nos EUA, ao entrar em confronto com o Pentágono por recusar o uso dos seus modelos de IA em vigilância em massa e armas autónomas, foi fundada em 2021 por um grupo de antigos funcionários da OpenAI. 8 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | JUNHO 2026
Curiosidades ROI DA IA É DIFÍCIL DE MEDIR PARA LÍDERES EMPRESARIAIS Mais de metade dos CEO (54%) admite que a dificuldade em medir o retorno do investimento (ROI) está a travar a adoção da IA nas organizações, segundo o “SAP Concur CFO Insights Survey”. O estudo revela uma divergência entre áreas: enquanto os responsáveis de TI tendem a reportar ganhos operacionais e maior otimismo, os CEO e CFO mostram reservas, com cerca de 39% a considerar ainda “cedo” para avaliar o impacto da IA. Entre os principais entraves destacam-se a lentidão na materialização dos benefícios, expetativas iniciais elevadas e problemas de qualidade e integração de dados, apontados por mais de metade dos inquiridos. O relatório indica ainda que a maioria das iniciativas continua focada em ganhos internos, como produtividade e redução de custos - com menor visibilidade do impacto no negócio -, dificultando a tradução em valor financeiro mensurável. A ausência de métricas comuns e de uma abordagem transversal à medição do ROI contribui para a dificuldade em escalar projetos de IA, limitando a sua evolução de fases piloto para aplicações em larga escala. IA A ANALISAR FRALDAS DOS BÉBES A inteligência artificial chegou a um novo território: as fraldas. A Danone Nutricia lançou a Fraldapp, uma aplicação que analisa a cor e consistência das fezes dos bebés a partir de uma simples fotografia. A ideia pode parecer inusitada, mas responde a um comportamento já generalizado: cerca de 70% dos pais enviam imagens deste tipo aos pediatras através de mensagens. O sistema foi treinado com dados de quase três mil bebés e validado por especialistas, procurando dar orientações rápidas e reduzir dúvidas nos primeiros meses de vida. Num contexto em que a parentalidade se tornou cada vez mais digital - com a maioria dos pais a recorrerem a pesquisas online e redes sociais - a aplicação ilustra bem a forma como a IA está a entrar em áreas do quotidiano que antes dependiam exclusivamente da observação direta e da consulta médica. A app já está disponível para download gratuito nas plataformas App Store e Google Play. 448 MIL MILHÕES É quanto a Amazon, a Microsoft, a Alphabet, a Meta e a Oracle gastaram no ano passado, em dólares, nas infraestruturas ligadas à inteligência artificial, segundo uma análise da Epoch AI divulgada pela Visual Capitalist. O valor representa quase o triplo do investimento registado em 2022 e traduz a passagem da IA de uma aposta experimental para uma prioridade estratégica. Centros de dados, chips especializados e capacidade cloud concentram a maior parte desta despesa. Só no último trimestre do ano, as cinco tecnológicas investiram 140,6 mil milhões de dólares, sinalizando que a corrida global à IA entrou numa fase de capital intensivo sem precedentes. 290 MIL MILHÕES É quanto deverá atingir o investimento em inteligência artificial, em euros, na Europa até 2029, estima a IDC. O valor reflete um crescimento acelerado do mercado, com uma taxa anual de 33,7%, à medida que as empresas passam de projetos experimentais para implementações em escala. A IA generativa deverá representar cerca de 54% deste total, consolidando-se como o principal motor de investimento. A banca lidera a adoção, mas setores como a saúde, o retalho e o software estão a acelerar rapidamente. Mais do que uma tecnologia, a IA começa a afirmar-se como infraestrutura estratégica, com impacto direto na competitividade das empresas europeias e na redefinição dos modelos de negócio. 33 MIL MILHÕES É o montante global em dólares, que deverá atingir o investimento da Amazon na Anthropic, caso sejam executadas todas as tranches previstas no novo acordo estratégico. Aos cerca de 8 mil milhões de dólares já aplicados somam-se mais 5 mil milhões anunciados agora e a possibilidade de até 20 mil milhões adicionais no futuro. A operação reforça a estratégia da Amazon para disputar a liderança na IA, através de uma combinação de capital, cloud e chips próprios. Em paralelo, a Anthropic comprometeu-se a gastar mais de 100 mil milhões de dólares em infraestrutura AWS na próxima década, aprofundando uma das alianças mais relevantes da corrida global à IA. JUNHO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 9
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