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COMUNICACOES 257 - RICARDO CONDE - PENSAR PORTUGAL À ESCALA DO ESPAÇO

A ABRIR AMEAÇAS

A ABRIR AMEAÇAS CIBERNÉTICAS VÃO INTENSIFICAR-SE O risco cibernético deverá agravar-se em 2026, com ataques mais sofisticados, automatizados e centrados na identidade digital, avança o relatório “Threat Landscape 2025”, da Inetum. A análise identifica uma evolução do phishing para campanhas altamente direcionadas, suportadas por inteligência artificial, aumentando a eficácia da engenharia social e dificultando a deteção. O ransomware deverá manter-se como uma das ameaças mais rentáveis, enquanto os ataques DDoS tendem a crescer em escala e complexidade. Paralelamente, a ciberespionagem continuará a intensificar-se, impulsionada por tensões geopolíticas e com foco em setores estratégicos como energia, indústria e Administração Pública. A IA assume um papel dual, reforçando capacidades de defesa, mas também acelerando o ciclo de ataque, desde o reconhecimento até à exfiltração de dados. O relatório sublinha a necessidade de uma abordagem preventiva, com reforço da proteção de infraestruturas críticas, adoção de tecnologias de deteção baseadas em IA e maior cooperação entre organizações para antecipar ameaças e reduzir vulnerabilidades. Curiosidades HUMANOS DIGITAIS COM REGRAS? A China está a avançar com um dos enquadramentos mais detalhados até agora para os denominados “humanos digitais”, entidades de IA capazes de simular relações humanas. As novas regras obrigam a que todos os conteúdos gerados por estas tecnologias sejam claramente identificados, evitando que os utilizadores confundam interações artificiais com reais. Mas vão mais longe: proíbem relações íntimas com menores e exigem que os sistemas intervenham quando detetam sinais de sofrimento psicológico, como pensamentos suicidas. O regulador chinês considera que estas tecnologias já não são apenas uma inovação digital, mas um tema de segurança pública e de estabilidade social. Num contexto em que assistentes virtuais e companheiros digitais ganham popularidade, o debate deixa de ser apenas tecnológico e passa a centrar-se no impacto emocional, ético e social destas interações. Uma decisão que mostra a tendência para uma regulação mais apertada sobre sistemas de IA social, com impacto potencial na forma como estas tecnologias são desenvolvidas e comercializadas, tanto no mercado chinês como globalmente. 6 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | JUNHO 2026

CITAÇÕES IA GENERATIVA ACELERA DEEPFAKES E FRAUDES MAIS SOFISTICADAS A IA generativa está a tornar as fraudes digitais mais sofisticadas, ao permitir a criação de vozes sintéticas, imagens e vídeos deepfake em campanhas altamente direcionadas. A conclusão é do relatório “In the Wild”, da HPE Threat Labs, que analisou atividade global de ciberameaças ao longo de 2025. Com base em 1.186 campanhas ativas, o estudo conclui que o cibercrime está a operar em escala industrial, com estruturas semelhantes às de empresas, equipas especializadas, automação e infraestruturas reutilizáveis. Ao longo do ano, os atacantes usaram mais de 147 mil domínios maliciosos, quase 58 mil ficheiros de malware e exploraram 549 vulnerabilidades. As organizações governamentais foram o setor mais visado, com 274 campanhas, seguidas pelos setores financeiro e tecnológico. O relatório alerta ainda para o uso de fluxos automatizados em plataformas como o Telegram para exfiltrar dados em tempo real e para campanhas de vishing e fraude executiva com recurso a deepfakes. Entre as recomendações estão uma maior partilha de inteligência de ameaças, a aplicação rápida de patches, a adoção de modelos zero trust, o reforço da visibilidade sobre redes e integração entre segurança, operação e conformidade. A resposta ao novo cenário exige menos dependência da acumulação de ferramentas e mais coordenação, contexto e capacidade de resposta. “É sempre arriscado fazer previsões destas, mas a encíclica do Papa Leão XIV, ‘Magnifica Humanitas’, permanecerá no tempo pela lucidez sobre o momento de viragem que estamos a viver na história da humanidade. “Desarmar a IA significa subtraí-la à lógica da competição armada, que hoje não é apenas militar, mas também económica e cognitiva’, escreve o Papa, levantando as questões essenciais.” VÍTOR MATOS Expresso, 26/05/2026 “O desencantamento produtivo não é dirigismo tecnológico nem é protecionismo defensivo: é tratar a IA como ferramenta industrial e cívica europeia, não como destino transplantado de Silicon Valley. É construir mercado, indústria e serviço público sobre a tecnologia - com regras que os europeus reconhecem como suas. É a única corrida em que a Europa começa à frente.” NUNO JARDIM NUNES Expresso, 18/05/2026 AGENTES DE IA GANHAM ESCALA NO ATENDIMENTO AO CLIENTE A utilização de agentes de IA no atendimento ao cliente aumentou de 39% para 66% entre 2025 e 2026, mostra a mais recente edição do “State of Service: AI Agents Edition”, da Salesforce. O estudo, baseado em respostas de mais de 3.000 profissionais de atendimento ao cliente a nível global, indica que esta tecnologia está a passar da fase piloto para a implementação em larga escala. 70% das organizações que já adotaram agentes de IA observam resultados mensuráveis até 60 dias após a implementação. A principal melhoria identificada não é a eficiência operacional, mas a satisfação do cliente, à frente de indicadores como produtividade das equipas, tempo médio de atendimento, retenção e tempo de primeira resposta. Os agentes de IA estão a ser usados tanto em interações diretas com clientes como em operações internas. Entre os principais casos de uso estão o contacto proativo, recomendações personalizadas, resolução multicanal de casos e encaminhamento automático para o agente mais adequado. E a confiança aumenta com a experiência: 89% dos profissionais que utilizam agentes de IA dizem que as suas organizações beneficiariam com a expansão desta tecnologia. Mas há uma diferença entre a perceção das equipas e a confiança dos consumidores, já que apenas 44% dos clientes confiam na IA para responder às suas necessidades de atendimento. JUNHO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 7

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