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COMUNICACOES 257 - RICARDO CONDE - PENSAR PORTUGAL À ESCALA DO ESPAÇO

EM DESTAQUE PAULO GOMES

EM DESTAQUE PAULO GOMES PEREIRA Head of Carrier Business, Huawei Portugal “A China tem 1,4 mil milhões de habitantes, uma língua e uma moeda. Os Estados Unidos têm 350 milhões de habitantes, uma língua e uma moeda. A União Europeia tem 450 milhões de habitantes, 27 estados-membros e 24 línguas oficiais. Isto ajuda a perceber a desvantagem que tem face aos polos norte-americano e chinês. Precisamos de consolidar. O nosso mercado é altamente fragmentado.” “A Europa está demasiado preocupada com os outros dois corredores nesta corrida. Em vez de perceber como pode correr à mesma velocidade, tenta pôr-lhes peso em cima, nomeadamente através de mais legislação. Quando o desafio é perceber onde se consegue diferenciar dos Estados Unidos e da China.” “As infraestruturas críticas são essenciais para a nossa soberania. Devem ser seguras, resilientes e garantir a privacidade dos utilizadores e das empresas. Mas as avaliações de segurança devem ser feitas com base em critérios técnicos, transparentes e fiáveis e não em critérios geopolíticos. Segurança e soberania não são opostos da inovação.” Reveja a sessão SCALING EUROPE: FROM INNOVATION TO ECONOMIC POWER JOÃO RUI FERREIRA Secretário de Estado da Economia “Temos um tema de escala e de dimensão para podermos atuar do ponto de vista global e competir com grandes blocos. Isto é verdade à escala nacional e é verdade à escala europeia. A Europa só será verdadeiramente competitiva se conseguir escalar a sua inovação para poder económico, num contexto de grande incerteza, imprevisibilidade e disrupção das cadeias globais de valor.” “Não estamos a perder a corrida das ideias disruptivas. As nossas universidades produzem investigação que o mundo cita, os nossos engenheiros são recrutados pelas maiores tecnológicas e o conhecimento continua a ser um grande valor da Europa. O problema não é de tecnologia na sua conceção, nem de talento. É um problema de escala, fragmentação regulatória, mercado de capitais tímido e inércia na capacidade de decisão.” “O que precisa de mudar é a consolidação do mercado único: não a versão atual, feita de 27 conversas regulatórias, mas uma verdadeira plataforma continental. Precisamos de capital de crescimento nos momentos certos, contratação pública como alavanca estratégica, energia competitiva e uma ligação profunda entre ciência e empresas. A nossa ciência, que é muita e boa, tem de gerar impacto socioeconómico e valor económico.” 50 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | JUNHO 2026

PAINEL DE DISCUSSÃO: SOFIA MARTA Country Manager, Google Cloud “Devemos encarar a infraestrutura tecnológica como o sistema nervoso da economia moderna. Não podemos ter a veleidade de querer criar agora algo que já existe no mercado. Temos de tirar partido da tecnologia disponível, garantindo soberania, controlo dos dados, encriptação, portabilidade e capacidade de não ficarmos dependentes de um único fornecedor.” “A soberania absoluta é, provavelmente, uma utopia. O que devemos procurar é uma soberania funcional: alguém já construiu a casa, agora precisamos de garantir que temos a chave dessa casa, que controlamos os nossos dados e que as nossas arquiteturas técnicas asseguram portabilidade, para podermos mover-nos rapidamente se for necessário.” “Tem de haver regulação, mas não podemos ficar continuamente à espera que esteja completamente à prova de bala para podermos inovar. Enquanto isso, o resto do mundo avança e a Europa perde competitividade. Precisamos de simplificar e criar vias verdes que permitam combinar inovação, segurança e capacidade de execução.” PEDRO DOMINGUINHOS Presidente, Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR “Temos assunções que a realidade não confirma. Existem 874 unicórnios norte- -americanos, 281 chineses e o primeiro país da União Europeia que aparece é a Alemanha, com 41. Se olharmos para os rankings de produção científica, vemos também a China a ganhar peso. Nos últimos anos, a Europa perdeu capacidade enquanto sistema científico e sistema de produção de patentes face aos blocos norte-americano e chinês.” “Temos um gap claro de execução. Passaram quase dois anos sobre o relatório Draghi e continuamos com dificuldade em tomar decisões. Se todos concordamos que há fragmentação, excesso de regulação e falta de escala, então temos de aceitar algumas cedências inteligentes de soberania nacional para o nível europeu. Mantendo princípios fundamentais, mas ganhando capacidade de decisão.” “Temos de simplificar a contratação pública e usar mais os contratos públicos para a inovação. No âmbito das agendas mobilizadoras, estão a ser desenvolvidos produtos e processos que podem ser utilizados pela Administração Pública. Contratar para a inovação, com orientação para o mercado e em articulação com consórcios de empresas e centros de conhecimento, pode tornar o Estado mais eficiente e produtivo.” MAGDA COCCO Partner & Head of ICT and Space Law Sector, Vieira de Almeida & Associados “A Europa decidiu seguir um caminho diferente dos Estados Unidos. Não escolheu o ‘move fast’, escolheu o ‘trust fast’. A maior parte da legislação digital europeia procura proteger direitos fundamentais e criar soluções tecnológicas confiáveis para os cidadãos. Esse foi o preço a pagar.” “A legislação é um travão? Sim, pela dimensão e pela complexidade que assumiu. Mas não é um travão no sentido em que permitiu desenvolver produtos confiáveis para os cidadãos. O desafio agora é encontrar o equilíbrio: simplificar e acelerar, sem esquecer que a confiança foi uma escolha estratégica europeia.” “O nosso problema é que tornamos tudo muito complexo. A Europa sabe que tem legislação a mais, mas continua a produzir nova legislação. Parece existir um ‘telefone estragado’ entre o diagnóstico dos relatórios europeus e aquilo que acontece na prática. A Comissão está a tentar simplificar, pois a regulação, se for mais clara e menos complexa, também pode ser um enabler da competitividade.” Reveja a sessão JUNHO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 51

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