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COMUNICACOES 257 - RICARDO CONDE - PENSAR PORTUGAL À ESCALA DO ESPAÇO

EM DESTAQUE JUAN OLIVERA

EM DESTAQUE JUAN OLIVERA URQUIJO Country Manager, Ericsson Portugal “Na Europa, somos líderes na conectividade. É a única parte do full stack onde tem liderança. Temos de conservar essa posição, continuar a inovar nas tecnologias onde somos líderes e proteger aquilo em que realmente lideramos. A Europa não é líder na cloud nem na inteligência artificial e não o será durante muitos anos. Por isso, temos de reconhecer a realidade e investir onde temos vantagem.” “Até agora, os paradigmas de conectividade móvel focavam-se na cobertura e no downlink. Com os casos de uso da IA, a quantidade de dados que temos de enviar para a rede aumenta exponencialmente, o que significa que precisamos de maior capacidade de uplink, redes eficientes, redes inteligentes, redes autónomas e investimento. No negócio das infraestruturas, a escala é crítica.” Ficou provado, com o apagão e com a tempestade, que precisamos de maior resiliência nas redes. Recebemos com otimismo e realismo o novo plano de evolução do SIRESP, mas precisamos de um plano de longo prazo, não apenas para o SIRESP, mas também para as redes públicas. Estas devem ser infraestruturas críticas, porque são a espinha dorsal da nossa sociedade.” BERNARDO SILVA Diretor, Gabinete do CEO, Banco Português de Fomento “A soberania enquadra-se na lógica de uma falha de mercado. Um projeto que assegura soberania tem uma externalidade positiva para a economia que muitas vezes não é incorporada na decisão do investidor privado. O Banco Português de Fomento entra precisamente aí: partilha risco, mitiga o risco do banco comercial e permite que projetos de inovação, muitas vezes sem colateral tangível, sejam viáveis.” “Os projetos de inovação, sobretudo os mais disruptivos, muitas vezes não têm colateral que possa ser prestado aos bancos. São projetos com um desenvolvimento longo, devido ao seu carácter tecnológico, e com colateral intangível e difícil de avaliar. O BPF disponibiliza garantias bancárias para projetos de inovação, partilhando o risco com a banca comercial e assegurando que esses projetos acontecem.” Reveja a sessão “A capacidade de computação para IA vai funcionar quase como uma fonte energética no futuro. Não podemos estar dependentes de empresas de outras geografias. Os data centers são muitas vezes associados apenas à infraestrutura física, mas têm um impacto mais alargado na economia e na soberania. Precisamos de garantir o controlo sobre os dados, o seu processamento e a sua computação, para que dados sensíveis, críticos, do setor público, da saúde ou da defesa tenham um espaço desenhado de raiz em Portugal e na Europa.” 48 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | JUNHO 2026

FRONTIER TECHNOLOGIES: THE RACE EUROPE CANNOT LOSE ANTÓNIO COIMBRA Presidente, APRITEL “A realidade em 2026 é bastante diferente face há 30 anos. A Europa estagnou no investimento precisamente quando a infraestrutura de comunicações é fundamental e é o enabler de toda a revolução digital que estamos a viver. Se olharmos para o investimento em I&D, a Europa representa apenas 18,7% do investimento total mundial, enquanto os Estados Unidos representam 42,3%.” “Na UE, a obsessão excessiva com preços baixos e com hiperconcorrência descurou a componente do investimento, que é fundamental para o desenvolvimento do setor e do país. Não estamos atrasados em termos de infraestruturas de comunicações, como a fibra e o 5G. Mas no que é mais evoluído, como o 5G stand alone, já estamos a ficar com um gap face a outras regiões em algo que é um enabler crítico para as tecnologias de ponta. E se olharmos para a IA, o ponto mais disruptivo que estamos a viver, há uma diferença abissal. O comboio já partiu. Só que uns vão de TGV e a Europa vai num comboio a vapor.” “Temos claramente de liderar de novo. Não é uma questão de saber se podemos: temos de o fazer. Temos talento, empresas e ambiente científico e tecnológico para isso. Falta coragem para mudar políticas e falta celeridade. Não estamos a falar de demorar dois ou três anos a implementar mudanças. Temos de o fazer já, este ano, para criar um enquadramento regulatório que permita e fomente o investimento necessário para recuperar o atraso.” PAINEL DE DISCUSSÃO: NUNO LOPES Country Manager, FuriosaAI ARLINDO OLIVEIRA Professor do IST, Presidente do INESC “Há vários fatores que explicam a razão pela qual a Europa não está ao nível dos Estados Unidos e da China em termos de competitividade: a fragmentação do mercado, o peso legislativo e regulatório e a ausência de investimento ou de capital. Há também tecnologias em que a Europa tem apostado muito, como a computação quântica, que não me parece que vá desempenhar um papel relevante na competitividade europeia.” “A Europa tem tecnologias altamente relevantes para o fabrico de chips, nomeadamente nos equipamentos necessários para os produzir. Mas há outras áreas, como os carros autónomos, a robótica e as baterias, em que temos um enorme atraso face à China e aos Estados Unidos. Na inteligência artificial, a diferença pode fazer-se sobretudo na utilização da tecnologia e na forma como ela traz vantagem para a economia.” “Temos uma capacidade muito limitada, em Portugal em particular, de planear e executar a médio e longo prazo. Temos uma visão muito curta. As intenções estão nas agendas da inteligência artificial, mas quando muda o Governo muda a agenda. Não somos muito bons a manter coerência nas decisões.” “A FuriosaAI é uma empresa coreana que decidiu abrir um escritório de desenvolvimento em Portugal precisamente porque temos pessoas especializadas e interessantes para a empresa. Abrimos um escritório de compiladores porque Portugal tem bastantes pessoas nessa área, que é fundamental em inteligência artificial.” “A cultura de abrir empresas e de ter sucesso é muito diferente fora da Europa. Às vezes há, no espaço comunitário, uma cultura de que uma empresa tem de estar em prejuízo ou de que não pode ter sucesso, quase. Isso prejudica as empresas.” “Existe, efetivamente, muita carga regulatória e legislativa na Europa e em Portugal. Demorámos quase seis meses a abrir a empresa. Não faz muito sentido. Temos muitas regras e muitas coisas que dificultam o dia a dia. Portugal tem poucas empresas na área de informática e ter uma boa relação com a universidade é fundamental para reter talento qualificado.” JUNHO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 49

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