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COMUNICACOES 257 - RICARDO CONDE - PENSAR PORTUGAL À ESCALA DO ESPAÇO

EM DESTAQUE PATRICIA

EM DESTAQUE PATRICIA SANTOS Cofundadora, Token Trust “Temos uma Europa que poupa, mas que não investe. Estamos a falar de 10 biliões de euros em poupanças que existem hoje e que estão em depósitos de baixo rendimento. Temos 18% das transações que não estão prontas a liquidar na data acordada e 99% das PME, em especial micro e pequenas empresas, que hoje não têm acesso ao mercado de capitais. O capital existe, mas não está a chegar onde é realmente necessário.” “É absolutamente inviável para uma PME ir ao mercado de capitais com necessidades de financiamento de 750 mil euros ou de um milhão de euros. Por causa dos intermediários e dos custos invisíveis, a operação torna-se economicamente inviável. A tokenização permite que a empresa emita obrigações, tokenize e negoceie neste mercado de tecnologia distribuída, regulado e supervisionado pela CMVM, mas muito mais destinado a pequenas empresas.” “Para o investidor, o impacto direto é passar a ter acesso a produtos que antes não tinha. A tokenização permite digitalizar ações, obrigações e unidades de participação, mas também fracionar esses instrumentos financeiros. Assim, os investidores podem canalizar as suas poupanças para a economia real, enquanto as PME passam a ter acesso a uma nova forma de financiamento.” Reveja a sessão ENABLING SECURE, SOVEREIGN INNOVATION WITH CLOUD, DATA AND AI JOSÉ GONÇALVES Presidente, Kyndryl Portugal “Vivemos num mundo completamente diferente do que vivíamos há 10 anos. Há dois temas claros: a soberania, sobretudo do ponto de vista tecnológico e digital, e a segurança. A tecnologia é o motor de desenvolvimento da sociedade e, quando falamos nisso, a inteligência artificial é fundamental. A IA é hoje uma realidade, sem prejuízo de continuar a ter vários desafios para ser potenciada e de ainda ter componentes para amadurecer e desenvolver.” “A inovação não vem de usar uma única tecnologia. Vem de reinventar os negócios, potenciando e combinando as tecnologias a favor de mais eficiência, mais eficácia e melhor experiência do cliente. A magia está em combiná-las de uma forma que permita transformar o negócio. O ponto de partida não deve ser olhar para a tecnologia pela tecnologia, mas perceber como se reinventa o negócio com o potencial da tecnologia.” “Ainda não estamos a conseguir retirar o benefício dos investimentos que estamos a fazer, na sua maioria. Muitas empresas já investem, mas só uma parte consegue retornos positivos. Há um potencial tremendo por capturar, mas para isso é preciso passar dos ʻproof of concepts’ para a escala, modernizar arquiteturas, garantir qualidade e disponibilidade dos dados, reforçar segurança e usar a cloud como enabler." Reveja a sessão 46 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | JUNHO 2026

CAPITAL MARKETS DEVELOPMENT IN EUROPE INÊS DRUMOND Vice-Presidente, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) Reveja a sessão “O relatório Draghi veio levantar temas relativos à competitividade, ou à falta dela, da economia europeia e àquilo que é necessário fazer para recuperar o tempo perdido. Identifica uma necessidade de investimento muito elevada para garantir a transição energética e digital para uma economia mais competitiva. Neste contexto, o mercado de capitais pode ter um papel muito relevante. O problema da Europa não é um problema de poupança: é uma questão de canalização dessa poupança.” “Temos uma grande percentagem da riqueza financeira canalizada para depósitos e empresas demasiado dependentes do setor bancário. Isso torna-as mais vulneráveis a choques. Empresas mais capitalizadas, com estruturas de financiamento mais diversificadas, acabam por ser mais resilientes. O risco passa precisamente pela incapacidade de financiar a transição para uma economia mais competitiva, mais digital e mais verde.” “O que agora é diferente é que não estamos perante uma mera reforma do setor financeiro. É uma reforma do setor financeiro com o objetivo concreto de aumentar a competitividade da economia europeia. É um plano mais completo, que abrange investidores, literacia financeira, contas de poupança e investimento, investidores institucionais, sistemas de pensões e maior integração dos mercados de capitais. A Europa não pode ficar para trás face ao resto do mundo. Para o bem e para o mal, acabamos por reagir mais rápido quando enfrentamos desafios difíceis.” THE BACKBONE OF SOVEREIGNTY: INFRASTRUCTURE AS POWER SÉRGIO CATALÃO Diretor-Geral, Nokia Portugal “Soberania não é isolamento. É ter a capacidade de poder decidir, desenvolver tecnologias críticas e fazer parcerias equilibradas com ecossistemas que partilham a mesma visão e os mesmos valores europeus. Tal como na energia e na defesa, a Europa tem de assumir que as infraestruturas digitais críticas, como a conectividade, são absolutamente fundamentais à sua soberania. Sem redes resilientes, seguras e de elevada performance, não há economia digital, não há serviços públicos digitais e, numa palavra, não há soberania.” “No superciclo da inteligência artificial, o workload dominante vai ser a própria IA, que tem um padrão totalmente diferente. As gigafactories terão de ser interligadas numa AI grid através de redes de elevada capacidade e quantum-safe. Com a inferência e com a physical AI, esta AI grid será distribuída para as redes de acesso, de fibra, 5G e, no futuro, 6G. Não estamos a falar apenas de uma evolução incremental, mas de uma transformação da arquitetura.” “Precisamos de investimento, escala e inovação feita por fornecedores europeus fortes, capazes de reduzir dependências e construir ecossistemas abertos. Sem fornecedores europeus fortes, não há soberania tecnológica, há dependências. A Europa quer liderar na inteligência artificial. Nós queremos ser líderes nas infraestruturas críticas digitais.” JUNHO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 47

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