EM DESTAQUE O QUE MUDA PARA PORTUGAL INFRAESTRUTURAS DIGITAIS Portugal pode reforçar o seu papel como gateway atlântico da Europa, se souber ligar eficazmente cabos submarinos, data centers, rede de fibra, 5G, cloud e energia. Mas esta infraestrutura só poderá criar valor se estiver ligada a serviços, talento, segurança e inovação. S THE STATE OF THE NATION OF COMMUNICATIONS Numa conversa com Rogério Carapuça, Sandra Maximiano considerou o setor das telcos sólido, competitivo e capaz de investir. Mas reconheceu a necessidade de garantir segurança, resiliência, qualidade e previsibilidade, em particular na renovação do espectro 5G. QUALIFICAÇÃO A oportunidade digital exige competências. Literacia digital, reconversão profissional, formação em IA, cibersegurança, cloud, dados e engenharia serão determinantes para empresas, Estado e cidadãos. INTERNACIONALIZAÇÃO Os unicórnios já mostraram que projetos nascidos em Portugal podem competir globalmente desde o primeiro dia. O país deve usar essa experiência para atrair founders, investidores, centros de engenharia e projetos tecnológicos internacionais. INOVAÇÃO APLICADA O desafio é transformar ciência, patentes, pilotos e projetos em produtos, empresas e exportações. A ligação entre universidades, centros de investigação, startups, grandes empresas e Estado surge como absolutamente decisiva. S THE STATE OF THE NATION OF DIGITAL INFRASTRUCTURES As infraestruturas são a base material da economia digital. Para Pedro Rocha, a fibra ainda tem espaço para crescer e o país pode ser o gateway atlântico da Europa, garante Carlos Paulino. Mas há bloqueios à densificação das redes móveis, salienta Paolo Favaro. Sendo que a próxima fase será sobre capacidade, qualidade e resiliência, diz João Osório Mora. W FROM CONNECTIVITY TO COMPETITIVENESS Miguel Pinto Luz enquadrou a agenda do Governo para as infraestruturas digitais, defendendo uma relação mais colaborativa num setor que encontrou dividido. O espectro deve dar previsibilidade a quem investe. POSICIONAMENTO EUROPEU Portugal tem margem para se afirmar na estratégia digital europeia. Mas só se souber combinar localização atlântica, infraestruturas críticas, talento, ecossistema empreendedor, políticas públicas de execução e capacidade de atrair investimento com compromisso de longo prazo. ESTADO DIGITAL A modernização do Estado pode ser uma alavanca de produtividade nacional. Só que exige simplificação, interoperabilidade, compras públicas mais ágeis, serviços centrados no cidadão e inclusão digital, para evitar que a transformação aumente as desigualdades. RESILIÊNCIA Os recentes eventos extremos mostraram que energia, telecomunicações, data centers, redes e serviços públicos são interdependentes. Portugal terá de planear a sua resiliência como uma política estrutural e não apenas como uma resposta a crises. 40 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | JUNHO 2026
W THE STATE OF THE NATION OF COMMUNICATIONS No debate entre os líderes dos operadores, Miguel Almeida salientou que a soberania digital só é oportunidade se os operadores forem financeiramente sustentáveis. Luís Lopes alertou para a queda das receitas de retalho e o risco de um setor transformado em commodity low cost. Já para Ana Figueiredo as regras do jogo têm de mudar e só a consolidação garante escala, inovação e novos ciclos de investimento. falta de previsibilidade regulatória e necessidade de consolidação. Apesar das divergências, houve consenso num ponto: a economia digital precisa de redes de qualidade, capacidade, baixa latência e resiliência. Sem isso, a ambição de Portugal como país digital, hub atlântico ou destino de investimento tecnológico ficará limitada. As tempestades e o apagão foram considerados testes concretos de resiliência. Mostraram a dependência da sociedade face às comunicações, a interligação entre energia e telcos e a dificuldade de repor infraestruturas destruídas em eventos extremos. Com uma conclusão relevante para o futuro: a resiliência não pode ser pensada apenas depois da crise, tem de ser incorporada no desenho das redes, no planeamento territorial, nos modelos de investimento e na articulação entre setores. E a mensagem que ficou do Congresso é claramente exigente para Portugal. O país tem condições para participar na estratégia digital europeia, já que dispõe de ativos para tal. Mas isso só não chega. É preciso transformá-los em capacidade económica, serviços, inovação, segurança, exportação e influência europeia. A oportunidade está aberta, agora tudo depende da execução. A ESCALA DO DEBATE NO CONGRESSO APDC A partir da Lispolis, o Congresso APDC voltou a ser um realizado com um formato de programa de televisão. Graças à parceria estratégica da RTP, combinou palco, emissão, presença física e distribuição digital, reforçando a sua dimensão como plataforma de conteúdos e ponto de encontro do ecossistema tecnológico, empresarial e institucional. A edição de 2026 confirmou uma evolução expressiva na participação. Registaram-se 1.248 participantes presenciais e cerca de 100 oradores, distribuídos entre o Centre Stage e o novo Future Voices Stage, criado nesta edição para abrir espaço a novas gerações, novas perspetivas e debates mais exploratórios sobre o futuro da tecnologia, inovação e sociedade digital. Pensado como um palco complementar ao programa principal, o Future Voices Stage deu visibilidade ao talento emergente, projetos em desenvolvimento, temas em aceleração e vozes que ajudam a antecipar tendências, reforçando a dimensão intergeracional e prospetiva do Congresso. Face a 2025, ano em que o evento reuniu cerca de 700 participantes presenciais, a edição de 2026 representou um crescimento de 78% na presença física. O perfil da audiência confirma a natureza cada vez mais estratégica do Congresso. A maioria dos participantes integra quadros dirigentes, funções de gestão, perfis técnicos especializados e cargos de decisão. Directors, specialists, managers, senior managers e C-level/board foram os grupos profissionais mais representados, evidenciando a capacidade do evento para atrair decisores e quadros superiores. A composição das organizações presentes reforça esta leitura. As empresas privadas representaram 77% das inscrições e a Administração Pública 10%, com forte presença de grandes organizações: 62% dos inscritos pertenciam a entidades com mais de 250 colaboradores. O setor TIC manteve um peso dominante, com destaque para o IT/software e telecomunicações, mas a edição mostrou também uma maior penetração em áreas como o setor público, media, energia, serviços financeiros, indústria e saúde. A dimensão digital acompanhou a escala física do evento. Ao longo de oito semanas de campanha, o Congresso gerou cerca de 360 mil impressões nas redes sociais, com forte desempenho no LinkedIn, Instagram e Facebook. O website somou 42,1 mil visualizações e 19,7 mil visitas, enquanto a cobertura mediática envolveu televisão, imprensa e meios digitais, com presença em órgãos nacionais de referência. DADOS PRINCIPAIS: • Cerca de 100 oradores no Centre Stage e Future Voices Stage • 1.248 participantes presenciais • +78% de participantes presenciais face a 2025 • 360 mil impressões digitais em oito semanas • 42,1 mil visualizações no website • 77% de inscrições provenientes de empresas privadas • 62% dos inscritos integram organizações com mais de 250 colaboradores • Cerca de 40% de participantes fora do setor core TIC JUNHO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 41
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