EM A ABRIR DESTAQUE X SCALING EUROPE: FROM INNOVATION TO ECONOMIC POWER João Rui Ferreira identificou a escala como questão central da competitividade europeia e nacional. No debate, Sofia Marta defendeu uma visão pragmática de soberania funcional e Pedro Dominguinhos apontou o défice de execução. Já Magda Cocco alertou para a complexidade excessiva da regulação X THE STATE OF THE NATION OF MEDIA Carla Martins destacou a necessidade de criar um verdadeiro level playing field entre media e plataformas, num contexto em que a IA acelera desinformação, deepfakes e conteúdos forjados, numa conversa com a host Carolina Freitas. por simplificar primeiro e digitalizar depois, aplicando princípios como o once only, interoperabilidade, serviços digitais integrados e uma arquitetura comum para o Estado. Paulo Magro da Luz, secretário de Estado da Simplificação, trouxe essa agenda para o terreno dos processos, interoperabilidade e eliminação de fricções na relação com os serviços públicos. E Manuel Dias, CTO do Estado e líder da ARTE, reforçou a necessidade de execução, coordenação e capacidade técnica para transformar essa visão em serviços concretos. Mas a execução foi identificada como o ponto verdadeiramente crítico. A transformação do Estado depende da implementação de uma nova cultura organizacional, incentivos, coordenação entre entidades, capacidade técnica, compras públicas mais ágeis, literacia digital e orientação para a experiência do cidadão/empresa. O risco de exclusão digital também foi sublinhado, já que se Portugal tem indicadores positivos nos T THE STATE OF THE NATION OF MEDIA No debate, Pedro Morais Leitão salientou a pressão nas áreas cada vez mais disputadas pelas plataformas e players globais e Francisco Balsemão defendeu redes de colaboração e estratégias pan-europeias para enfrentar as assimetrias regulatórias. Já Nicolau Santos diz que um jornalismo rigoroso, independente e credível é âncora de confiança pública. serviços digitais, mantém assimetrias relevantes em termos de território, idade e qualificações. Quanto mais depressa o Estado avança no digital, maior deve ser o investimento em literacia, proximidade e inclusão. A experiência dos unicórnios portugueses trouxe uma leitura complementar. Feedzai e Talkdesk comprovaram que Portugal pode gerar empresas globais quando junta talento, ambição internacional desde o primeiro dia, foco na execução e capacidade de resolver problemas reais. O país beneficia de boas universidades, equipas técnicas reconhecidas, capacidade de trabalhar para mercados 36 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | JUNHO 2026
O QUE CONTINUA POR RESOLVER S TIME FOR EUROPE: DIGITAL SOVEREIGNTY AND VALUE CREATION Para Francesca Bria, a Europa não está atrasada por regular mais, mas por investir menos, com menor escala e menor propósito industrial. Um debate que Pedro Faustino enquadrou na sequência das grandes tensões globais dos últimos anos, da pandemia ao autoritarismo tecnológico. T REINVENTING THE DIGITAL STATE: PROGRESS AND CHALLENGES IN PORTUGAL'S REFORM A reforma digital do Estado só terá impacto se começar pela simplificação, reiterou Paulo Magro da Luz, com a ambição de ter serviços públicos 100% online até 2030. A necessidade de arquitetura comum de dados e uma execução ágil é vital para Bruno Tavares. Sendo certo que digitalizar o Estado não equivale a digitalizar o país, alertou Luísa Ribeiro Lopes. Já Manuel Dias reforçou que a reforma tecnológica deve servir cidadãos e empresas, superando a fragmentação e os sistemas críticos herdados. INVESTIMENTO A Europa precisa de mobilizar capital em escala, para poder acelerar nas infraestruturas digitais, IA, deep tech, cibersegurança, semicondutores, redes e computação. Portugal enfrenta a mesma pressão no financiamento de redes, data centers, startups e modernização pública. REGULAÇÃO A necessidade de proteger direitos e garantir confiança é reconhecida. Mas subsiste a questão de saber se a atual complexidade regulatória europeia está a travar a inovação, o investimento e a escala. Se a simplificação foi apontada como prioridade, ainda falta a execução. ESCALA A fragmentação europeia continua a limitar a economia europeia. Empresas, startups, operadores, investidores e projetos tecnológicos continuam a operar ao nível nacional. O problema é que nenhum país europeu, isoladamente, tem dimensão para competir com regiões concorrentes, como os EUA ou a China. SOBERANIA A soberania digital exige mais do que discurso e declarações de intenções. É preciso adotar medidas concretas que permitam à UE27 o controlo sobre dados críticos, cloud, infraestruturas, cibersegurança, capacidade computacional e criar fornecedores estratégicos. A dependência externa continua a ser elevada. TALENTO Portugal tem talento reconhecido, mas enfrenta desafios na qualificação, retenção, reconversão e literacia digital. A escassez de competências é particularmente crítica em IA, cibersegurança, cloud, dados, engenharia e tecnologias de fronteira. ADOÇÃO TECNOLÓGICA Muitas empresas ainda estão na fase de experimentação em IA e na digitalização. Hoje, o desafio é saber passar dos pilotos para a escala, criando valor de negócio e potenciando uma verdadeira transformação operacional. CIBER-RESILIÊNCIA A regulação avançou, mas a execução é desigual entre setores e entre organizações. A cibersegurança ainda é, em muitos casos, vista como custo ou como um travão, quando já deveria estar integrada na estratégia de inovação e continuidade operacional. JUNHO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 37
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