EM A ABRIR DESTAQUE X CAPITAL MARKETS DEVELOPMENT IN EUROPE? Na visão de Inês Drumond, a competitividade europeia depende da capacidade de mobilizar poupança para investimento produtivo, inovação e transição digital. PORTUGAL: OPORTUNIDADE ATLÂNTICA No Congresso, ficou também claro que o país tem ativos relevantes para poder assumir um papel ativo na estratégia digital europeia. E o primeiro é geográfico e infraestrutural. Portugal foi apresentado como um gateway atlântico da Europa, com capacidade de ligação ao hemisfério sul, à costa oeste africana e ao Brasil. A presença de uma vasta rede de cabos submarinos, o potencial dos data centers, a conectividade internacional e a proximidade, assim como uma energia renovável competitiva, criam uma oportunidade efetiva para posicionar o país como nó digital europeu. Só que essa ambição depende de fatores como o licenciamento, energia, interligações, resiliência, capacidade de fibra, redes móveis, atração de investimento qualificado e articulação entre Estado, reguladores e empresas. Na discussão sobre os data centers ficou clara uma ideia de que o país não deve competir apenas pelo X EUROPEAN DIGITAL SOVEREIGNTY: SETTING THE SCENE Para Pedro Siza Vieira, depois de três décadas de hiperglobalização, aumentaram a rivalidade entre potências e as dependências. A Europa não precisa de produzir tudo, mas tem de ganhar robustez, redundância, resiliência, visão e vontade política comum. terreno, a energia ou os custos. O investimento estrangeiro relevante deve gerar externalidades positivas no ecossistema nacional, que envolve universidades, laboratórios, PME, talento, empresas tecnológicas e inovação aplicada. É que a infraestrutura, por si só, não basta. Para criar valor, tem de estar ligada a competências, serviços, computação, dados, cibersegurança e desenvolvimento empresarial. A reforma tecnológica do Estado foi tema em destaque. Gonçalo Matias, ministro da Reforma do Estado, enquadrou a transformação digital da Administração Pública como uma condição para reduzir a burocracia, melhorar a relação com cidadãos e empresas, e aumentar a capacidade de execução do próprio Estado. Com uma mensagem recorrente: digitalizar não deve significar apenas colocar os processos complexos em formato online. O caminho passa CINCO GRANDES IDEIAS QUE MARCARAM O CONGRESSO 1 - A soberania digital deixou de ser uma ambição política e passou a ser uma questão de capacidade concreta. Absolutamente decisiva para o futuro europeu. A Europa só terá soberania digital se conseguir decidir sobre os dados, infraestruturas, cloud, IA, redes, cibersegurança e capacidade computacional. Soberania não significa isolamento, mas sim capacidade de escolha, controlo e proteção de ativos críticos. 2 - A Europa só regula. Agora, precisa de construir. Se o quadro regulatório europeu protege os direitos, os consumidores e dá confiança, não substitui o investimento, política industrial, escala e capacidade tecnológica. O desafio é passar de uma Europa que regula o digital para uma Europa que também o produz, opera e monetiza. 3 - A IA é a nova camada transversal da competitividade. Está no centro da discussão económica, industrial e pública. O risco para a Europa não está apenas na automação de empregos, mas na possibilidade de as empresas europeias perderem competitividade face a concorrentes que adotem IA mais depressa, com mais escala e com menos fricção. 34 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | JUNHO 2026
W THE BACKBONE OF SOVEREIGNTY: INFRASTRUCTURE AS POWER O debate centrou-se na infraestrutura como expressão concreta de poder. Para Sérgio Catalão, soberania é capacidade de decidir e desenvolver tecnologias críticas. E se a UE ainda lidera na conectividade, Juan Olivera Urquijo diz que deve proteger esse ativo. Já Bernardo Silva trouxe a perspetiva do financiamento público. S FRONTIER TECHNOLOGIES: THE RACE EUROPE CANNOT LOSE Há um desinvestimento europeu nas comunicações e em I&D, quando as infraestruturas são cruciais, alertou António Coimbra. No painel, Arlindo Oliveira destacou os travões à competitividade, enquanto Nuno Lopes trouxe a experiência da FuriosaAI e Paulo Gomes Pereira sublinhou a desvantagem estrutural europeia. 4 - Sem infraestruturas críticas não há economia digital. Os data centers, fibra, 5G, cabos submarinos, cloud, energia e cibersegurança são a base física para a transformação digital. E a competitividade depende de se garantirem redes resilientes, capacidade, baixa latência, energia disponível e coordenação entre setores. 5 - Portugal tem oportunidades, mas tem de saber executar. O país pode afirmar-se como um hub atlântico digital, plataforma de talento, país de unicórnios, laboratório de inovação pública e destino de infraestruturas críticas. Mas esse posicionamento exige decisões em áreas críticas, como licenciamento, espectro, energia, qualificação, regulação, financiamento e modernização do Estado. S ENABLING SECURE, SOVEREIGN INNOVATION WITH CLOUD, DATA AND AI Para José Gonçalves, a inovação não está na tecnologia em si - com a IA, cloud ou dados - mas sim na capacidade de a combinar para reinventar negócios. Só assim criam valor. JUNHO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 35
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