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COMUNICACOES 257 - RICARDO CONDE - PENSAR PORTUGAL À ESCALA DO ESPAÇO

EM A ABRIR DESTAQUE

EM A ABRIR DESTAQUE CENTRE STAGE EUROPA (E PORTUGAL) DIGITAL O MOMENTO DA VERDADE Soberania, segurança e inovação deixaram de ser conceitos paralelos. No Congresso APDC, cruzaram-se numa mesma pergunta: conseguirá a Europa transformar capacidade tecnológica em poder económico, resiliência e autonomia estratégica? E que papel Portugal pode assumir nessa resposta? A Europa entrou definitivamente na era digital. A tecnologia tornou-se numa infraestrutura crítica, sendo fator de competitividade, instrumento de segurança, base de soberania e uma condição de funcionamento das democracias. Cloud, dados, inteligência artificial (IA), redes, semicondutores, cibersegurança, computação, data centers e cabos submarinos já não pertencem apenas ao domínio técnico: hoje, são peças essenciais numa disputa económica, geopolítica e institucional que se trava à escala global e que determinará a capacidade europeia - e portuguesa - de decidir o seu futuro com autonomia. Foi esse o mote do 35. o Digital Business Congress, dedicado ao tema “Europe in the Digital Age: Balancing Sovereignty, Security and Innovation”. Na abertura, Rogério Carapuça, presidente da APDC, enquadrou o Congresso como um espaço de debate sobre as escolhas críticas que a Europa e Portugal têm pela frente, num ciclo em que a tecnologia deixou de ser apenas uma dimensão económica para passar a estar no centro da segurança, competitividade e soberania. António Gameiro Marques, presidente do Congresso, reforçou esta leitura, sublinhando a necessidade de olhar para o digital não como um setor isolado, mas como uma infraestrutura transversal à economia, ao Estado e à sociedade. Ao longo dos dois dias de debate, o Centre Stage organizou esta reflexão em duas escalas: a europeia, marcada pela necessidade de recuperar competitividade, dimensão e autonomia estratégica; 30 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | JUNHO 2026

W SESSÃO DE ABERTURA Rogério Carapuça sublinhou o papel da APDC como associação de ecossistema, capaz de consensualizar posições entre atores com interesses distintos. W SESSÃO DE ABERTURA António Gameiro Marques ligou a soberania digital ao controlo das infraestruturas, dos dados e das tecnologias críticas. W SESSÃO DE ABERTURA Gonçalo Matias trouxe a reforma do Estado para o terreno da ação, defendendo um Estado capaz de antecipar, aprender e agir com dados, tecnologia, responsabilidade e inclusão. e a portuguesa, centrada na oportunidade de transformar os pontos fortes nacionais - conectividade, talento, infraestruturas e inovação aplicada - num posicionamento relevante no mapa digital europeu. E a conclusão transversal foi clara: a Europa tem talento, ciência, empresas, mercado, instituições e valores. Mas esses ativos não bastam, se não forem acompanhados por investimento à escala, política industrial, regulação mais simples, mercado único efetivo, capacidade de execução e adoção tecnológica. Paulo Portas, ex-vice-primeiro- -ministro e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, colocou esta tensão no plano geopolítico, ao enquadrar a soberania digital como uma dimensão da autonomia estratégica europeia. E Pedro Siza Vieira, partner da PLMJ e ex-ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, trouxe-a para o terreno económico e empresarial, ao centrar o debate na dificuldade europeia em transformar conhecimento, regulação e poupança em escala, investimento e competitividade. Ficou claro que soberania digital não significa isolamento nem rejeição de parcerias externas. Significa capacidade de escolher, construir, comprar, proteger e controlar ativos críticos. E o alerta ficou: sem essa dimensão, a UE27 arrisca-se a continuar a regular tecnologias, modelos de negócio e infraestruturas que não domina, perdendo a oportunidade de se afirmar como um verdadeiro player global no digital. Portugal surgiu no Congresso como parte da equação europeia. Não apenas como um mercado periférico, mas como um país com uma localização atlântica relevante. Dispõe de uma importante rede de cabos submarinos, tem ambição nos data centers, talento tecnológico, unicórnios nacionais, uma reforma digital do Estado em curso e redes de comunicações de alta qualidade. Para o país, JUNHO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 31

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