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COMUNICACOES 257 - RICARDO CONDE - PENSAR PORTUGAL À ESCALA DO ESPAÇO

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EDITORIAL SANDRA FAZENDA ALMEIDA sandra.almeida@apdc.pt A SOBERANIA CONSTRÓI-SE, NÃO SE PROCLAMA Durante décadas, o Espaço foi visto como um domínio distante, reservado às grandes potências e aos programas científicos de exceção. Hoje, é uma infraestrutura crítica da vida quotidiana: das comunicações à navegação, da observação da Terra à segurança e defesa, da gestão do território à resposta às alterações climáticas. Num momento em que a Europa procura reduzir dependências estratégicas e afirmar-se perante os grandes blocos, o Espaço deixou de ser apenas um setor tecnológico para se tornar um ativo de soberania. Esta é a visão que Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa, partilha no ‘À Conversa’ desta edição. Com mais de três décadas ligadas à indústria espacial, defende que Portugal não pode resignar-se a um papel periférico: deve fazer escolhas claras, concentrar recursos onde pode criar vantagem competitiva e participar em toda a cadeia de valor da economia do Espaço, do desenvolvimento tecnológico à prestação de serviços. A mensagem é, no fundo, um apelo à ambição: mais do que lançar satélites, trata-se de transformar posição atlântica, talento científico e capacidade industrial em conhecimento, indústria e valor para o país e para a Europa. Esta exigência de ambição e execução atravessou o 35. o Digital Business Congress, que recordamos nas páginas do ‘Em Destaque’. Dedicado ao tema “Europe in the Digital Age: Balancing Sovereignty, Security and Innovation”, o Congresso reuniu líderes nacionais e internacionais que cruzaram soberania, segurança e inovação como dimensões inseparáveis da competitividade e da própria democracia, confirmando que o digital é hoje um novo território de poder. Ficou claro que a soberania digital não se proclama, constrói-se. Com investimento, regulação eficaz, infraestruturas resilientes, empresas capazes de escalar e um Estado mais simples. Construir soberania é também antecipar as ruturas que aí vêm. A computação quântica promete transformar a economia digital, mas ameaça os atuais modelos de encriptação que sustentam a confiança nas transações e nas infraestruturas críticas. Na reportagem ‘Negócios’, analisamos como empresas e Estado se devem preparar, desde já, para a era quantum-safe e as oportunidades que esta transição abre a Portugal. Mas nenhuma destas ambições se concretiza sem pessoas. No ‘Portugal Digital’, levantamos uma questão ainda pouco discutida, mas verdadeiramente estratégica: estará a inteligência artificial, ao automatizar funções de entrada, a comprometer a formação dos especialistas, gestores e líderes digitais de amanhã? Num país que enfrenta uma escassez de talento tecnológico, garantir a renovação do pipeline é tão estratégico como qualquer infraestrutura. E porque a inclusão também é soberania, destacamos ainda o programa ‘Descodifica-te’ que, com o apoio da Fundação MEO, tem capacitado centenas de mulheres para criar soluções digitais e empreender. Do Espaço à era quântica, do Congresso ao talento, esta edição reflete uma mesma convicção: o futuro digital da Europa e de Portugal já começou, mas a sua direção depende das escolhas que fizermos agora. E essas escolhas, como nos lembra Ricardo Conde, exigem pensar à escala certa. Consulte aqui todas as edições da Revista Comunicações MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | JUNHO | 3

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