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COMUNICACOES 257 - RICARDO CONDE - PENSAR PORTUGAL À ESCALA DO ESPAÇO

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CITAÇÕES “A burocracia europeia está a atuar como um travão de mão num carro de Fórmula 1. Precisamos de uma ‘Via Verde’ continental para data centers de interesse estratégico. Sem este choque de agilização administrativa, o capital continuará a fugir para jurisdições onde a pá entra na terra no dia seguinte à decisão do conselho de administração.” RICARDO VALENTE ECO, 05/05/2026 “Precisamos de uma rotura absoluta com o status quo. Só quando combinarmos um modelo de formação descentralizado e focado nas pessoas com um choque de escala, uma fiscalidade amiga do talento e uma gestão profissionalizada, conseguiremos estancar a sangria. Portugal não pode continuar a ser um viveiro de talento low cost para a Europa. Tem de assumir-se, de uma vez por todas, como uma plataforma de inovação e de alto valor acrescentado.” RICARDO VALENTE ECO, 13/04/2026 “A discussão sobre IA deve evoluir. A questão central já não é apenas o que a IA é capaz de fazer, mas como pode ser integrada, governada e sustentada ao longo do tempo. Tal como aconteceu com outras tecnologias transformadoras, a inovação surge primeiro. O verdadeiro impacto materializa-se quando aprendemos a utilizá-la de forma segura, fiável e em escala.” HUGO BALSEIRO TEKSAPO, 06/04/2026 “Construímos, sem debate público, uma estrutura emocional artificial que já influencia as relações íntimas de centenas de milhões de pessoas - e que, pelos vistos, até pode contribuir para que algumas se matem. Tudo isto em menos de dois anos. Discute-se muito se as armas guiadas por IA vão acabar com a Humanidade em cenários apocalípticos. Apocalipse, meninos, é se os humanos só se apaixonarem por bots. Não há happy ending para esta história.” LUÍS PEDRO NUNES Expresso, 01/04/2026 “Os trabalhadores não devem cair na ilusão de competir com a IA: a verdadeira concorrência ocorrerá entre aqueles que sabem utilizá-la e os que não sabem. O conhecimento em matéria de IA pode vir a ser, a breve prazo, uma questão de ‘sobrevivência laboral’.” CRISTINA ROMARIZ ECO, 01/04/2026 5G ENTRA NA FASE DA MONETIZAÇÃO O mercado global de 5G está a entrar numa etapa mais madura, marcada por menor foco no número de lançamentos e maior atenção à qualidade das redes, diferenciação de serviços e retorno do investimento. Segundo o relatório “State of the Market April 2026”, da GSA, 392 operadores já lançaram redes 5G comerciais, mais 14% do que em março de 2025, enquanto 643 operadores investem na tecnologia. A evolução mais relevante está nas redes 5G Standalone, críticas para os serviços empresariais avançados. Já há 95 operadores com serviços SA ativos, mais 42% num ano, permitindo funcionalidades como network slicing, automação e redes cloud-native. O 5G-Advanced também ganha tração, com 35 operadores a investir nesta evolução e 11 serviços comerciais lançados. No segmento empresarial, as redes privadas continuam a crescer, sobretudo na indústria, com 374 implementações identificadas. Já o acesso fixo sem fios ADOÇÃO DA IA QUÂNTICA CONDICIONADA PELA FALTA DE CASOS PRÁTICOS A IA quântica está a ganhar atenção entre líderes empresariais, mas a sua adoção continua condicionada pela incerteza sobre as aplicações concretas no mundo real. Segundo um inquérito global, realizado pelo SAS a mais de 500 líderes de vários setores, esta é agora a principal barreira à adoção, à frente dos custos de implementação, da falta de talento especializado, do conhecimento limitado, da escassez de soluções disponíveis e da ausência de orientações regulamentares claras. A tecnologia combina algoritmos de machine learning com hardware quântico existente, permitindo explorar abordagens híbridas entre computação clássica e quântica. Entre os casos de uso mais apontados estão a deteção de fraude nos serviços financeiros, a otimização de tráfego em redes 5G, a simulação molecular, a descoberta de fármacos, a logística, a cadeia de abastecimento, afirma-se como um dos casos de uso mais consolidados, com 394 operadores a oferecer serviços FWA. Para a GSA, o desafio deixou de ser lançar 5G, passando agora por transformar capacidade técnica em valor económico e receitas sustentáveis. a modelação preditiva de clientes e o treino de grandes modelos de linguagem. O estudo indica que as organizações querem preparar-se para a economia quântica, mas procuram provas de retorno antes de avançarem com investimentos mais robustos. A prioridade passa por testar casos concretos, comparar resultados clássicos, quânticos e híbridos, e desenvolver competências internas antes de a tecnologia atingir maior maturidade operacional. 12 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | JUNHO 2026

Curiosidades ROBÔS JÁ CORREM MAIS DEPRESSA Pela primeira vez, os robôs humanoides superaram os humanos numa meia-maratona. O feito aconteceu em Pequim, onde o modelo “Lightning”, desenvolvido pela chinesa Honor, completou os 21 quilómetros em 50 minutos e 26 segundos, abaixo do atual recorde humano da distância (57m20s). A prova reuniu mais de 300 robôs e 12 mil corredores humanos, em percursos paralelos por razões de segurança. Quase metade das máquinas competiu em modo autónomo, sem controlo remoto direto, um salto expressivo face à edição de 2025, quando poucos robôs conseguiram terminar e o melhor tempo ultrapassou as duas horas e quarenta minutos. O avanço explica-se pelas melhorias no equilíbrio dinâmico, eficiência energética, refrigeração e controlo de movimento. Muitos robôs já replicam a biomecânica da corrida humana, ajustando passada, inclinação e ritmo em tempo real. Mas este ‘feito’ não é para substituir atletas e sim para testar sistemas que poderão vir a ser usados em logística, indústria, resposta a emergências ou ambientes perigosos. Houve quedas e colisões, mostrando que a autonomia total ainda está distante. Mas se antes os robôs mal conseguiam andar, agora já começam a correr. Estudo da NTT DATA revela que só 14% das organizações atingiram o nível mais elevado de maturidade na cloud. EMPRESAS NÃO TIRAM PLENO PARTIDO DA CLOUD NA ERA DA IA A IA está a aumentar a dependência das empresas em relação à cloud, mas a maturidade continua limitada. Segundo o relatório “Cloud-led innovation in the era of AI”, da NTT DATA, só 14% das organizações atingiram o nível mais avançado de maturidade na cloud, apesar de quase duas décadas de adoção desta tecnologia. O estudo, baseado em mais de 2.300 decisores seniores de 33 países, mostra que 99% das organizações dizem que a IA está a aumentar a necessidade de investimento em cloud. No entanto, 88% admitem que os atuais níveis de investimento colocam em risco iniciativas de IA, projetos cloud native e modernização. Entre os principais bloqueios estão aplicações e plataformas de dados legadas, arquiteturas complexas, dificuldades na gestão de custos e desafios de segurança. A adoção de cloud soberana deverá crescer 50% em dois anos, enquanto as plataformas cloud totalmente geridas deverão triplicar. O relatório conclui que a cloud deixou de ser apenas infraestrutura e passou a ser a camada de execução da IA. Para gerar valor, as empresas terão de alinhar estratégias de cloud e IA, de modernizar aplicações, reforçar segurança e medir a transformação com indicadores de negócio, e não apenas técnicos. JUNHO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 13

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