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COMUNICACOES 257 - RICARDO CONDE - PENSAR PORTUGAL À ESCALA DO ESPAÇO

A ABRIR A saúde mental,

A ABRIR A saúde mental, o cyberbullying e assédio online estão no topo das preocupações identificadas no estudo da Comissão Europeia. Curiosidades ENGENHEIROS À BEIRA DO LIMITE? O trabalho com agentes de IA está a expor um efeito inesperado: níveis elevados de exaustão entre engenheiros de software. O que prometia aumentar a produtividade começa a revelar sinais de sobrecarga cognitiva, num contexto em que humanos supervisionam sistemas que operam a um ritmo contínuo. Casos recentes, como o de Andrej Karpathy, uma das mentes por trás da fundação da OpenAI e criador do conceito de “vibe coding”, apontam para rotinas prolongadas de coordenação de agentes autónomos, com relatos de ansiedade associada ao uso intensivo de recursos computacionais. Um fenómeno que alguns no setor começam a caracterizar como “ciberpsicose”. É que em vez de interações pontuais, os agentes de IA executam tarefas de forma autónoma durante horas, exigindo supervisão constante. Um modelo que cria uma tensão particular: sistemas que não param, combinados com limitações humanas de atenção e descanso. A pressão para manter a ‘máquina’ ativa e não desperdiçar capacidade aproxima-se de padrões comportamentais associados a ambientes de elevada estimulação, como os videojogos. Ainda sem enquadramento clínico formal, estes sinais sugerem um desajuste entre a velocidade da tecnologia e a capacidade humana de a acompanhar. CIBERATAQUES ENTRAM NUMA FASE MAIS SILENCIOSA Os ciberataques estão a tornar-se menos visíveis, mais persistentes e mais orientados para impacto estratégico. A conclusão é do “Cyber Threat Intelligence Report”, da NTT DATA, relativo ao segundo semestre de 2025, que identifica uma mudança nos modelos de ataque: em vez de disrupção imediata, os agentes maliciosos procuram permanecer mais tempo dentro das redes, recolher informação sensível e explorar processos críticos. A IA surge como multiplicador de risco, ao acelerar operações de ciberespionagem, desinformação e automação de ataques. Também o ransomware evoluiu para modelos de extorsão mais maduros, baseados no roubo seletivo de dados, pressão pública faseada e exploração reputacional das vítimas. Os setores mais visados foram a Administração Pública e organismos governamentais, com 3.343 PROTEÇÃO DE MENORES NO DIGITAL PREOCUPA EUROPEUS A proteção de crianças e jovens online é considerada uma prioridade política por 92% dos europeus, revela a primeira leitura do Eurobarómetro Especial sobre a Década Digital, divulgada pela Comissão Europeia. As principais preocupações centram-se no impacto das redes sociais na saúde mental, referido por 93% dos inquiridos, no cyberbullying e assédio online, apontado por 92%, e no acesso de menores a conteúdos inadequados. O estudo mostra ainda que 87% dos europeus consideram fenómenos como desinformação, interferência estrangeira, conteúdos gerados por IA e deepfakes uma ameaça aos processos democráticos. Já no domínio da IA, 80% defendem uma regulação cuidadosa para garantir segurança, mesmo que isso imponha restrições às empresas. Apesar do quadro regulatório europeu já aprovado, as plataformas digitais continuam sob pressão: fake news, mau uso de dados pessoais e proteção insuficiente de menores são os impactos mais referidos pelos cidadãos. ataques, seguidos pelo ensino, serviços financeiros, tecnologias de informação e telecomunicações. A NTT DATA alerta que a conformidade regulatória já não chega: as organizações terão de apostar em deteção contextual, inteligência de ameaça, resiliência operacional e gestão contínua do risco. 10 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | JUNHO 2026

IA OBRIGA EMPRESAS A REDESENHAR TRABALHO… A IA já está a aumentar a capacidade individual dos trabalhadores, mas o maior desafio passou a estar na forma como as organizações integram a tecnologia no seu modelo de trabalho. A conclusão é do mais recente Work Trend Index, da Microsoft, que analisou sinais de produtividade anonimizados do Microsoft 365 e ouviu 20 mil utilizadores de IA em 10 países. 58% dos utilizadores afirmam produzir hoje trabalho que não conseguiriam realizar há um ano. Entre os profissionais mais avançados em IA, a percentagem sobe para 80%. Além disso, 66% dizem que a tecnologia lhes permite dedicar mais tempo a tarefas de maior valor. Mas a Microsoft alerta que disponibilizar ferramentas não chega. As empresas mais avançadas, designadas Frontier Firms, distinguem-se por redesenhar processos, integrar copilotos e agentes nos fluxos de trabalho e transformar conhecimento individual em aprendizagem organizacional. A próxima fase da IA no trabalho será, por isso, menos tecnológica e mais organizacional: a vantagem estará nas empresas capazes de alinhar liderança, talento, métricas e cultura para converter ganhos individuais em impacto coletivo. Curiosidades SE O CEO NÃO ESTIVER, ESTÁ O CLONE DIGITAL Um clone de Mark Zuckerberg poderá vir a participar em reuniões dentro da própria Meta Platforms. É que a tecnológica estará a desenvolver um agente de inteligência artificial treinado com o estilo de comunicação, decisões públicas e padrões de resposta do seu CEO e fundador, para apoiar interações internas quando não está disponível. O Financial Times avança que o sistema combina modelos de linguagem com simulação comportamental, incluindo tom de voz e maneirismos. O projeto poderá evoluir para um avatar tridimensional capaz de interagir com colaboradores, responder a questões e fornecer feedback alinhado com o pensamento do líder. Mais do que uma curiosidade tecnológica, este desenvolvimento ilustra uma tendência emergente: a personalização da IA ao nível da liderança. Mas até que ponto um clone digital pode substituir a interpretação humana em contextos estratégicos? E que implicações terá para a cultura organizacional e para a responsabilidade nas decisões? Para já, o projeto está numa fase inicial. … E NO ESTADO ADOÇÃO EXIGE MAIS CONFIANÇA A adoção da IA no setor público está a acelerar, mas nem sempre é acompanhada por governação, qualidade de dados e mecanismos de confiança. A conclusão é do “Data and AI Impact Report: The Trust Imperative”, do SAS, que alerta para o risco de decisões enviesadas, falhas operacionais e menor fiabilidade em serviços públicos críticos. O estudo identifica um “dilema da confiança”: algumas entidades subutilizam a IA fiável por falta de confiança, enquanto outras confiam em excesso em sistemas ainda pouco testados. O tema é especialmente sensível em áreas como a saúde, a fiscalidade, a segurança, os apoios sociais ou a resposta a emergências. A utilização de IA agêntica já atinge 52% no setor público, acima de setores como a banca ou a saúde. Mas apenas 6% das entidades governamentais analisadas estão num estado considerado ideal, com elevada confiança interna e sistemas comprovadamente fiáveis. A falta de dados centralizados e de governação surge como o principal obstáculo. O relatório conclui que a próxima fase da IA no Estado terá de ser menos experimental e mais centrada em confiança, transparência, explicabilidade e responsabilidade perante os cidadãos. JUNHO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 11

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