EM DESTAQUE Business & Science Working Together in Defense DISCUSSION PANEL 1 JULHO PEDRO PETIZ Director of Strategic Development, Tekever KEYNOTE SPEAKER JOSÉ NEVES Director of Homeland Security and Defense, GMV & President, AED Cluster Portugal “A indústria da defesa tem sofrido uma revolução enorme, com a transformação pelas novas tecnologias que chegam ao setor, como a IA, tecnologias quânticas ou novos materiais. Estamos a falar da terra, do ar ou mesmo do ciberespaço. Estas tecnologias abriram ainda novos mercados, novos produtos e cadeias de fornecimento que podem ser endereçadas pela indústria nacional, que era muito pequena até há pouco tempo. É uma janela de oportunidade que o cluster quer endereçar” “Para isso temos de criar capacidade e um cluster que, hoje, é composto por mais de 160 entidades, o que traz agregado cerca de 20 mil postos de trabalho e um volume de faturação agregado de 2,1 mil milhões de euros. E temos empresas internacionais como uma Airbus ou uma Embraer, mas também portuguesas como uma Tekever ou uma OGMA que vão valer nos próximos três anos mais de mil milhões de euros. Só com uma dinâmica normal de mercado aberto e global” “Nos últimos anos temos vindo a desenvolver conhecimento tecnológico em várias vertentes. E os desafios tecnológicos e de desenvolver algo que pode vir a fazer a diferença tem permitido às empresas do mercado nacional captar talento estrangeiro. No passado, tínhamos pastéis de nata e vinho do Porto para atrairmos visitantes aos nossos stands e neste momento não precisamos disso, porque o que desenvolvemos em Portugal já é, por si só, atrativo para termos um stand cheio de pessoas que querem conhecer melhor o que se faz no país, para investir e trabalhar” “A Tekever percebeu há muitos anos que a robótica era um tema em que deveria apostar, desenvolvendo inovação e criatividade. Ainda sem imaginar o cenário atual, a robótica já estava lá e houve uma panóplia de coisas que desenvolvemos. A defesa sempre esteve no nosso radar, não tinha era a expressão que tem hoje. Quando surgiu a situação da Ucrânia já tínhamos provas dadas. Há drones para todos os problemas, mas especializámo-nos num conjunto de especificidades que nos dão autonomia, endurance e intelligence” “Até hoje, não desenvolvemos capacidade de ataque bélico, mas, se for necessário, temos capacidade para o fazer. A IA está a ser utilizada em várias escalas na defesa e é uma buzzword que serve para muita coisa. Em abstrato, quem quiser usar a tecnologia, sem estar limitado pelas regras da guerra, pode fazer o que quiser. Mas as regras não o permitem. Tem sempre de haver um humano no loop, a supervisionar e a tomar a decisão. Quando a IA nos apresenta uma solução, tem de se tomar uma decisão. Estamos atentos a isso nos desenvolvimentos que fazemos, porque queremos sempre garantir que temos uma IA responsável e temos códigos de conduta” “Há muitas empresas que se têm vindo a aproximar, para ver quais são as necessidades deste mercado da defesa. Falamos de trazer para a Europa uma capacidade industrial que não existe, de criar uma cadeia de valor até ao produto final. Temos de criar ecossistemas de fornecimento. E se Portugal não tem massa critica para estar em todas as frentes, pode estar em alguns, como fazer software ou criar drones. O que implica ter uma cadeia de fornecedores, que inclui startups. Contudo, o país não tem tido uma estratégia séria e acelerada de pensar no foco final, pois isso significa tomar decisões que ninguém gosta de tomar" 46 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | SETEMBRO 2025
Reveja as intervenções MIGUEL CORREIA PINTO Head Knowledge Valorization, idD Portugal Defense “A situação das forças armadas nacionais resulta de um conjunto de opções políticas que foram tomadas ao longo dos anos. Não deixou de haver defesa em Portugal, mas deixou de ser uma prioridade. Atualmente, com a invasão da Ucrânia e com a alteração nos EUA, há uma maior atenção, face à ameaça, que é real, a Leste, e à incerteza no Ocidente. Há estratégias comuns de defesa que vão surgindo em catadupa e a evolução está a ser feita. Quando se fala de uma maior lentidão da UE ela resulta dos interesses dos vários países em causa” “Na defesa, existem desafios ao nível do investimento. Portugal não é um mercado por si só e não temos grandes players. A participação das empresas nacionais tem de se fazer através de programas mais amplos, ao nível da identificação e de qual vai ser a evolução tecnológica. E as empresas e centros estão integradas, para perceber o que se passa, influenciar e criar redes. O processo que está agora a ser acelerado” “Ao nível do financiamento, havia já alguns programas europeus, definidos pelos vários estados-membros em articulação. Há uma aceleração e a guerra tornou--se hoje mais barata, nomeadamente com os drones. Mas o acesso à informação é também muito mais significativo. O conhecimento é explosivo e é preciso acompanhar um conjunto de evoluções tecnológicas significativas. Os militares têm de estar em contacto com as empresas e os centros de investigação,já que há várias coisas a acontecer para os vários tipos de maturidade tecnológica” 7 MINUTES TO WOW Human + Machine: The Next Chapter in Collaborative Innovation 1 JULHO RICARDO LOUSADA Director of AI Consulting, DXC Technology Portugal “O nosso futuro é de colaboração com as máquinas e não contra elas. O próximo capítulo da inovação não é de substituição de pessoas, mas de coevolução, de trabalho colaborativo entre humanos e máquinas. A IA vai substituir menos empregos do que o que se pensa. Um estudo da OCDE prevê que até final deste ano sejam criados 97 milhões de empregos novos trazidos pelas áreas emergentes da IA e que desapareçam cerca de 85 milhões de empregos. Estamos a falar de um delta de 12 milhões de empregos, algo positivo nesta nova revolução” “A IA não vai substituir pessoas, mas tarefas repetitivas e chatas. Se nos adaptarmos, criaremos mais e melhores empregos. A inovação do futuro não é competição, é IA com humanos, em cocriação, tirando partido das capacidades da tecnologia e do ser humano. É nesta colaboração que se deve basear o processo de decisão” “Há muitas indústrias onde isto já é feito. Como na energia, no recrutamento ou na saúde. Ganha-se tempo para se dedicarem a tarefas de maior valor acrescentado. Os modelos de IA custam imenso dinheiro a construir, pelo que se antecipa que até 2030 existam mais entre 20 a 30 modelos, a adicionar aos dos gigantes que já existem. Assim como até 500 submodelos que derivam dos principais, mas treinados para uma atividade específica. O futuro pertence a equipas aumentadas” Reveja a intervenção SETEMBRO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 47
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