NEGÓCIOS Num cenário de rápida transformação digital e de crescente disrupção, impulsionada pela inteligência artificial (IA), a Amazon Web Services (AWS) posiciona-se em Portugal como um parceiro estratégico para as organizações, sejam elas startups, PME ou grandes empresas e entidades públicas. Com uma aposta focada na proximidade ao cliente, na democratização da IA através da cloud e na capacitação de talento, a gigante tecnológica quer assumir um papel ativo na promoção de uma verdadeira mudança do país e na criação de um ecossistema tecnológico diferenciador. A garantia é dada por André Rodrigues, diretor de Tecnologia ISV da AWS para o Sul da Europa e França. Um estudo divulgado recentemente pela AWS vem confirmar uma aceleração na adoção da cloud e da IA no país. Mas vem também alertar para os desafios da implementação da tecnologia nas PME e grandes empresas, assim como para a lacuna que persiste em termos de competências digitais. Denominado “Desbloquear as Ambições de Portugal sobre IA na Década Digital”, o trabalho avança que só a IA poderá gerar 61 mil milhões de euros para a economia portuguesa até 2030. Mas, para desbloquear este potencial, terão de ser ultrapassados um conjunto de constrangimentos persistentes. O que só será possível juntando “todos os grandes players da IA às entidades do setor público e do Governo e às empresas, para se criar um círculo virtuoso de colaboração. Só se estes três perfis de interlocutores estiverem completamente alinhados e a trabalhar em conjunto é que alcançaremos todo o potencial previsto”, considera André Rodrigues. Que assegura que “estão a ser dados passos nesse sentido, pois só assim conseguiremos, de facto, capitalizar e tirar partido da tecnologia. Estou extremamente positivo em relação ao futuro da IA em Portugal”. COLABORAÇÃO E PARCERIAS PRECISAM-SE O estudo da AWS, realizado pela Public First a uma amostra de mil empresas e mil cidadãos em Portugal, confirma que o país tem tido sucesso na adoção da IA. Só em 2024, a cada cinco minutos uma empresa adotou esta tecnologia. Mas destaca também que existem muitas barreiras a ultrapassar. Apesar do nível de utilização estar a aumentar, resulta maioritariamente das startups, “que já nascem tecnológicas, são muito mais ágeis e beneficiam de um ecossistema vibrante”. São elas que já adotaram as ferramentas de IA de forma profunda - usando-a para a criação de produtos, para a mudança da forma como se relacionam com o mercado e para os seus próprios processos de negócio. Já nos demais segmentos de mercado - PME e empresas de maior dimensão - assiste-se a um nível de adoção ainda muito superficial, unicamente para se obterem benefícios imediatos. Estas empresas, em regra, “não utilizam a oportunidade da IA para mudar os processos, alterar a forma como estão organizadas e tornarem-se mais competitivas num mercado que cada vez é mais global” refere André Rodrigues, alertando para o risco deste perfil de aposta. Por isso, a AWS tem apostado “em trabalhar diariamente com as organizações, para as ajudar a fazer uma verdadeira transformação”. Admitindo que o ritmo acelerado da mudança possa ser, por vezes, assustador, o Um estudo da AWS avança que só a IA poderá gerar 61 mil milhões de euros para a economia portuguesa até 2030. Mas, para desbloquear este potencial, terão de ser ultrapassados um conjunto de constrangimentos persistentes. gestor deixa claro que as empresas precisam de estar atentas e perceberem o que está a acontecer no mercado. Para consciencializar e informar, a tecnológica tem realizado um conjunto de eventos de larga escala, “alavancados no seu know-how e na sua capacidade de chegar a mais empresas através de um alargado ecossistema de parceiros, que também tem aqui um papel muito importante”. Além da adoção superficial da IA, o diagnóstico ao tecido empresarial nacional mostra ainda dois outros desafios críticos que será necessário endereçar, já que limitam o potencial da IA: as insuficientes competências digitais e os custos elevados percecionados de investimento. No âmbito do talento, a AWS tem em marcha um conjunto de programas de ensino para diferentes públicos, como o AWS Academy, o AWS re/Start ou o AWS Educate. Através do AWS Academy, desenvolveu parcerias com a rede de politécnicos nacionais e universidades, fazendo chegar a tecnologia e o know-how às pessoas que estão a entrar no mercado de trabalho. Já o AWS re/Start assume-se como um programa de capacitação e de reskill, presente em Lisboa, Porto, Braga e Matosinhos, que tem registado “bastante sucesso. Garantimos que ajudamos as pessoas que têm competências em áreas distintas a poderem-se requalificar-se em cloud e IA”. Já quanto ao tema dos custos percecionados, o responsável da AWS considera que a cloud assume um papel preponderante para ultrapassar este desafio: “Na realidade, com a adoção da IA através da cloud não é preciso fazer investimentos à cabeça nem esperar meses para começar a poder inovar. Pode-se começar pequeno com a cloud, testar e, se se tiver sucesso, rapidamente escalar globalmente. Em caso de insucesso, o serviço fecha-se rapidamente e só se paga o que se consumiu. A cloud é um enabler, tem um papel fundamental para democratizar o acesso à IA”. Acrescenta ainda que a oferta de cloud tem sempre especial atenção à regulamentação, já que a tecnológica “acredita numa forma responsável de fazer IA. E a regulação é o caminho. Tem é de permitir a inovação e que as organizações nacionais possam ser competitivas, não só no mercado europeu, mas no mercado global”. OUVIR CLIENTES E DIFERENCIAR A aposta recente da AWS em criar uma cloud soberana na Europa vem mitigar também os eventuais receios das empresas em torno do investimento na IA. A decisão resultou da estratégia da tecnológica para definir o seu 42 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | JUNHO 2025 JUNHO 2025 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 43
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