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COMUNICAÇÕES 244 - Missão: refundar a rede SIRESP

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portugal digital 54

portugal digital 54 Entre entidades governamentais e não governamentais, o Portugal Tech Hub já agrega 35 e a tendência é para crescer. Criado para atrair empresas tecnológicas e profissionais da área para Portugal, esta “coligação”, de que também faz parte a APDC, está a coordenar esforços, como até hoje nunca se fez, para conquistar investimento e novos talentos na área digital. O objetivo é aproveitar a visibilidade que o país ganhou com o boom do turismo e a Web Summit para capitalizar essa boa onda da forma mais eficiente possível, não deixando créditos por mãos alheias. O seu principal mentor, Pedro Moura, chief marketing officer da Landing Jobs, explica que este projeto nasceu de um outro: “Entre 2015 e 2016, a Landing Jobs apercebeu-se de que havia empresas que estavam interessadas em abrir tech hubs em Portugal. Por isso, em 2018, criámos o Hiring in Portugal, iniciativa destinada a facultar informação útil sobre impostos, processos administrativos, salários, enfim, toda a informação de que uma empresa precisa para se instalar noutro país”. Na altura, a lógica era sobretudo promover Portugal e com esse espírito juntaram-se à Landing Jobs entidades como a AICEP, a Invest Lisboa, a Invest Porto e a Startup Portugal. O projeto, frisa, foi bem- -sucedido: “Muitas das empresas que vieram para Portugal passaram pelas nossas mãos”. Foi este sucesso que o levou a querer ir mais além. A pandemia atrasou as coisas, mas logo a seguir surgiram sinais de retoma e com a guerra na Ucrânia, que afastou os investidores do leste da Europa, o interesse por Portugal intensificou-se. Era chegado o momento de lançar um movimento ainda mais ambicioso, que juntasse sob a mesma bandeira entidades governamentais, mas também privados, com o objetivo de atrair investimento e novos talentos para o país. Se algo Pedro Moura tinha percebido, enquanto líder do Hiring in Portugal era que havia no país muitas entidades a trabalhar, de forma dispersa, para esta mesma finalidade. Juntar todos esses stakeholders, empresas e organismos seria certamente mais proveitoso. Foi este o desafio que o chief marketing officer da Landing Jobs colocou a todos os interessados em transformar Portugal num tech hub de excelência. A ambição é O Portugal Tech Hub já agrega 35 instituições, entre as quais a APDC, e a tendência é para crescer grande: “Temos de competir com Singapura. Não o podemos fazer com os Estados Unidos, mas se calhar é possível com Nova Iorque”, afirma com convicção. Além do sol, das praias, da simpatia e de boas infraestruturas tecnológicas, Portugal beneficia de “uma situação geográfica ímpar”, gosta de sublinhar. Perto de três continentes, oferece um nível de compatibilidade de time zones invejável e muito aliciante para empresas que têm equipas colocadas em diferentes geografias. Isto associado à fama que o país já ganhou de lidar bem com mundos diferentes – uma característica muito diferenciadora – transforma-nos num lugar cheio de potencial. Até as nossas fragilidades, tantas vezes apontadas por potenciais investidores, como a instabilidade fiscal e a burocracia, aos olhos de Pedro Moura surgem como males menores, já que, no caso específico das empresas tecnológicas, o elevado nível de imaterialidade que as caracteriza torna tudo mais fácil: “Uma empresa que queira investir em tecnologia em Portugal não precisa de licenciamento industrial”, sublinha. “Para investir nem sequer precisa de ter cá uma empresa”, acrescenta. Na verdade, neste segmento existe “um baixo custo burocrático para os investidores”, conclui. Abre-te Sésamo! Se a tecnologia é um sector estratégico ao nível do investimento, capaz de colocar o país no pelotão da frente, e se é certo que a fileira tecnológica não vai desaparecer, muito pelo contrário, a ordem no Portugal Tech Hub é para avançar usando, numa ação concertada, todas as armas para promover o país: “Temos de levar Portugal para fora, através de marketing digital, placement de artigos em revistas, road shows. Temos de nos mostrar, um pouco como fizemos para nos promovermos como destino turístico”, defende Pedro Moura. Para que a comunicação seja eficiente, importa antes começar por comunicar bem entre parceiros, explica: “É fundamental passarmos a ter as portas abertas uns para os outros, definir iniciativas conjuntas de promoção de Portugal e, claro, trazer mais entidades para o projeto. Escritórios de advogados, por exemplo”. A bola está a rodar e a expectativa é que seja imparável. A par da atração de investimento, o foco no talento

“Temos de competir com Singapura. Não o podemos fazer com os Estados Unidos, mas se calhar é possível concorrer com Nova Iorque”, desafia Pedro Moura é o outro polo em que Portugal Tech Hub se vai concentrar (nisto distinguindo-se do Hiring in Portugal, que só se destinava a empresas). Jogar no mercado globalizado do talento é crítico para o país pois, contas feitas, Portugal precisa, até 2030, de nada menos do que 160 mil novos profissionais na área da tecnologia: “Neste momento, o país tem cerca de 240 mil profissionais de IT, o que representa cerca de 4,6% da força de trabalho total. O objetivo, expresso ao nível da UE, é atingirmos os 8% no início da próxima década”, revela Pedro Moura. Esta cifra corresponde aos tais 160 mil novos profissionais, marca que teremos muita dificuldade em atingir se não conseguirmos atrair gente de fora. Disso nos dá conta o mentor de Portugal Tech Hub, ao revelar o número de pessoas que conseguimos formar anualmente, tanto através das universidades, como das iniciativas de reskilling: “Para chegarmos aos 160 mil profissionais de IT teríamos de formar 20 mil por ano, mas nós sabemos que das universidades não saem mais de 8 mil e os cursos de reskilling e upskilling não nos fornecem mais de mil por ano. Além de que, por estas vias, só temos juniores a chegar ao mercado, quando para haver equilíbrio precisamos também de ter seniores a trabalhar no sector”. É por este motivo que seduzir é preciso. O sonho seria atrair talento não só para as grandes cidades, mas para todo o território. Isso sim, seria mesmo fazer das tecnológicas e profissionais de IT a locomotiva que puxasse pelo país. Irrealista? Pedro Moura diz, com veemência, que não: “É tão fazível!”, atira, provocador. E aponta um exemplo bem conhecido, o do Fundão, região do interior que se reinventou graças às tecnológicas que lá se instalaram. Ali, foi possível graças à vontade e persistência de um homem, o presidente da Câmara Municipal do Fundão, Paulo Fernandes, mas “já é tempo de estes milagres não estarem só dependentes da iniciativa de pessoas isoladas”, desabafa o líder do Portugal Tech Hub. Neste caso, a dimensão de Portugal até joga a nosso favor: “Vamos do Minho ao Algarve de carro em seis horas. Isto, à escala de outros países, não é nada. Hoje estarmos a 100 km do escritório é normal”. Esperando que surjam, entretanto, políticas ativas que promovam a distribuição de pessoas pelo território, Pedro Moura sente que, neste momento, bem podemos afirmar que estamos à porta da caverna onde se esconde o tesouro que nos pode resgatar da depressão crónica. O tesouro é a soma de todos os fatores que colocam Portugal na situação ideal para se transformar num tech hub internacional. Basta um pouco de empenho e concertação. Depois é só dizer: “Abre-te Sésamo!”.• 55

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