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COMUNICAÇÕES 244 - Missão: refundar a rede SIRESP

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negocios “Ao dispersarmos o nosso modelo de negócio para a área de gestão e infraestruturas, estávamos a ficar mais focados na gestão do contrato e do serviço do que na tecnologia”, diz Ricardo Martinho, explicando as razões desta cisão 42 Este reposicionamento reforçou um carisma que, de alguma forma, se estava a perder. Com mais de 100 anos de vida e completados já 84 em Portugal, ao nível da inovação a IBM tem uma história que a coloca na liderança de patentes há três décadas mas, nos últimos anos, tendo alavancado o negócio em digital outsourcing da sua própria tecnologia, estava, nas palavras do seu presidente para Portugal, a “delapidar o seu ADN”. “Temos cinco prémios Nobel a trabalhar na nossa área. Este ano o prémio Nobel da Física foi atribuído a físicos que estão especializados na área quântica, em que somos líderes”, frisa. Ao puxar pelos galões, com evidente prazer, o líder da IBM Portugal revela bem qual o mood da empresa no momento. No final do primeiro ano à frente da tecnológica, já tem muito que contar: “Além do spin off e desta mudança de estratégia, lançámos para o mercado coisas como o System 2 do Quantum, o processador quântico mais potente do mundo, com 433 qubits. Para o ano já anunciámos o lançamento de um novo sistema com um processador que queremos que atinja os mil qubits”. Esta nova dinâmica colou a empresa numa posição confortável para desafiar o mercado, anunciando que cresceria um dígito a partir de agora, todos os anos: “Apresentámos, já no segundo trimestre deste ano, o crescimento de duplo dígito na ordem dos 21%, de tal forma alto que os analistas pensaram que este crescimento seria esporádico e tinha acontecido porque antecipámos alguns projetos que estávamos a fazer. Mas depois, no terceiro trimestre, voltámos a dar re- sultados que ultrapassaram todas as expectativas, de 15% de crescimento. E, aí sim, o mercado acreditou”, partilha, com um entusiasmo quase adolescente. Razões não lhe faltam. Este ano a IBM viu as suas ações atingirem um valor recorde. A situação é tão risonha que foi possível fazer uma revisão em alta dos resultados de 2022 e avisar o mercado de que crescerão acima do que era expectável. Com um sorriso de orelha a orelha, o gestor celebra: “Neste momento, a IBM é uma empresa hot. Toda a gente está a pensar que tipo de investimentos vai fazer à volta da IBM”. Uma startup com 30 anos Difícil não pensar neste caso como sendo o de um divórcio bem-sucedido. De um lado temos uma empresa que, depois da separação, se redescobriu e que, apesar de já não ser nova, se acha de novo sexy. Do outro lado, temos uma entidade que só ganhou vida própria depois da separação. A Kyndryl, o spin off da IBM, autonomizou-se e ganhou asas com uma facilidade que não é assim tão comum neste tipo de processos. Liderada por José Manuel Paraíso, ex-presidente da IBM em Portugal, hoje conta com um conjunto de parceiros de negócios que antes, quando se encontrava sob a alçada da tecnológica, dificilmente conseguiria, como a Microsoft, a Amazon e a Google. Mas tal não a impediu de conservar os clientes antigos, graças a uma operação de relações públicas, que José Manuel Paraíso fez questão de acompanhar passo a passo: “Foi um processo complexo. Ha-

“Fazia sentido esta separação, porque já se tratava de dois negócios muito grandes, que se estavam a afastar”, comenta o agora presidente para Portugal da Kyndryl via contratos de longa duração com alguns clientes da IBM que tivemos de alterar, explicando que passariam a ser estabelecidos com uma nova empresa que estava a ser criada”. Vencida a desconfiança inicial, o saldo foi, segundo o gestor, muito positivo: “Mantivemos todos os clientes que tínhamos com a IBM”, frisa. Foi um voto de confiança que a Kyndryl soube compensar com um espetro de soluções mais alargado, que rapidamente passou a fazer parte da sua oferta. De início, os antigos clientes ainda se descaíam a chamar à Kyndryl “IBM”, mas com o tempo e a construção de uma identidade própria, a distinção entre as duas organizações passou a fazer-se de forma natural. Para José Manuel Paraíso a construção desta identidade nova foi um dos aspetos mais estimulantes de todo o processo: “Acho uma experiência muito desafiante estar a lançar algo novo no mercado. Gosto imenso de comunicar com as pessoas, de comunicar com os clientes e mostrar-lhes o que há de aliciante neste projeto. Criar em cima disso uma nova cultura está a ser ainda mais interessante”. E quais são os traços de personalidade da emergente Kyndryl? O seu presidente para Portugal diz que é, acima de tudo, a agilidade: “Queremos ter uma resposta ágil em tudo, tanto para os clientes, como para o mercado. Por isso, tentamos eliminar o mais possível tudo o que são reuniões e processos internos. Ao mesmo tempo, trabalhamos 24 por 7, pois não há um fim de semana em que não tenhamos uma intervenção sobre infraestruturas e sistemas dos nossos clientes. Além disso, somos muito focados no cliente”. Soa ao discurso típico das startups, mas José Manuel Paraíso diz que não é coincidência: “Gosto muito de dizer que somos uma startup com 30 anos de experiência”. A Kyndryl assume-se como uma empresa de serviços, fazendo questão de não se confundir com uma tecnológica: “Não temos hardware, não temos software. O que temos é soluções”, frisa o seu líder. Neste caminho, passou a colaborar, cada vez mais, com empresas de TI e hoje revê-se no ecossistema que construiu, já muito alargado, composto por parceiros que dificilmente teria se permanecesse sob a alçada da IBM. Cotada em bolsa desde novembro de 2021, a empresa tem já 90 mil empregados em todo o mundo. No nosso país soma mil colaboradores e 200 subcontratados, sendo que parte deste contingente trabalha numa unidade, a Kintec, que a Kyndryl Portugal agregou. Apesar de separadas, IBM e Kyndryl moram no mesmo sítio. No dia em que a separação foi consumada de comum acordo arrumaram os seus pertences em andares diferentes do mesmo edifício. Tudo muito cordial. Continuam a dar-se, agora como parceiros. Olhando o caminho já percorrido, José Manuel Paraíso não tem dúvidas: “Fazia sentido esta separação, porque já se tratava de dois negócios muito grandes que se estavam a afastar”. Ricardo Martinho não podia estar mais de acordo. O importante é que continuam amigos como antes.• 43

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