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COMUNICAÇÕES 244 - Missão: refundar a rede SIRESP

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a conversa 20 SIRESP tem um sistema de filas de espera. Quando há fluidez de tráfego, os vários utilizadores carregam na patilha de emissão do seu terminal rádio (Push-to- Talk - PTT) e obtêm ligação. Mas se houver um número muito elevado de utilizadores, alguns podem ficar em fila de espera. Se as pessoas esperarem, o sistema atende. No entanto, o que acontece, na maioria dos casos, é que alguns utilizadores ficam impacientes, querem ser logo atendidos e clicam várias vezes na patilha PTT para reestabelecer a ligação rádio. O que acontece? Voltam para o fim da fila. O que origina a perceção de que a rede não funciona. Adicionalmente, a rede SIRESP tem um botão de emergência para as situações mais urgentes e toda a rede fica a ouvir a chamada de emergência. O utilizador não precisa de fazer mais nada. O canal fica permanentemente ligado e passa a ser monitorizado e controlado a partir de uma central de despacho. Claro que, quando este tipo de chamadas não é ativado pelas razões certas, principalmente numa emergência, torna-se disruptivo para a disponibilidade da rede. Não deixa de ser uma fragilidade… É uma fragilidade que decorre da natureza humana. Neste caso concreto, tem de se exercer alguma sensibilização e pedagogia junto das pessoas para evitar a criação de uma fragilidade tecnológica. Se algo aprendemos ao longo do último ano de exploração da rede SIRESP é que a resposta para esta situação concreta, com especial impacto na exploração e utilização da rede, não é tecnológica, tem de ser encarada segundo uma perspetiva mais alargada, envolvendo: pessoas, processos e tecnologia. Hoje a rede SIRESP está mais resiliente do ponto de vista tecnológico? Sim, depois de 2017 robusteceu-se, porque criou redundância energética, de transmissão (terrestre e satélite) e passou a dispor de estações móveis, que se deslocam e asseguram um reforço da ligação. Este tipo de meios tem dupla finalidade: dá cobertura onde ela não existe e reforça a cobertura já existente. Temos ainda outras formas expeditas de garantir a resiliência do sistema. No SIRESP há uma parte que não vai poder controlar, que é a das pessoas no terreno. Mesmo fazendo formação, são a variável que lhe escapa. Isso provoca-lhe inquietação? É curioso estar a colocar-me a questão dessa forma, porque eu nunca a coloco assim. O meu objetivo não é mecanicista. Tenho a noção de que não há sistemas 100% seguros. O que temos de garantir é que conseguimos gerir o risco que daí advém. Sei que alguma coisa pode sempre correr mal, mas não podemos trabalhar para a otimização de uma rede “missão-crítica” apenas para minimizar o impacto de eventuais situações que venham a ocorrer. Temos que trabalhar para a gestão do risco e para encontrar mecanismos dentro do próprio sistema, tornando-o mais resiliente ao ponto – mesmo que existam ocasionalmente situações não previstas – de resistir e ser suficientemente fiável, para que, como sistema, se mantenha a funcionar e para que o impacto de um utilizador não influencie o grupo. Quando isto acontece, atingimos o limiar da estabilidade do sistema. É para isto que temos de trabalhar, porque não há forma de o fazer de outra maneira. Se quiséssemos otimizar aquilo que não é otimizável, estaríamos a trabalhar contra nós próprios. Temos de trabalhar dinamicamente no sentido da solução e esta tem de ser adaptável às circunstâncias e natureza das operações. Tem a noção de que, se algo correr mal, fica imediatamente no radar da opinião pública? Não tenho problema nenhum em que o SIRESP esteja no radar da opinião pública. Pelo contrário, gostaria que, de forma justa, estivesse mais nesse radar, pelo valor que adiciona à sociedade. O SIRESP existe para satisfazer o objetivo para que foi traçado, que é servir toda a comunidade. Durante o verão, chegamos a ter uma taxa de 11 mil chamadas por hora e servimos 182 organizações. Mas a perceção pública, a que estas nuances escapam, não o preocupa? Não trabalhamos para a opinião pública. Procuramos, como organização, trabalhar com transparência, isenção e dedicação máxima. O comprometimento que temos é esse mesmo, dar o nosso melhor! Já disse numa entrevista que o SIRESP está em profunda transformação, com a internalização das funções. Que decisões críticas tomou? As pessoas que estão na casa são as mesmas. Têm uma orientação e um propósito diferentes, talvez. Porque a lógica depende muito da visão que se estabelece, a nossa visão procura ser motivadora e agregadora. Com isso, conseguimos aumentar o empenho e o contributo de cada um. Porque é o contributo de cada um que contribui para o resultado. Isto é um desporto de equipa. Ninguém faz nada sozinho. Com a preparação dos eventos que organizámos em 2022, as pessoas mobilizaram-se. O SIRESP Tech Days foi instrumental para gerar espírito de equipa. Aliás, foi organizado por todos os colaboradores da empresa e, no final, toda a equipa foi chamada ao palco. Mas o que é que concretizou nesta reestruturação e internalização de funções? A internalização de funções, em boa verdade, está ago-

a a começar. Ainda não crescemos organicamente. Isso é algo que surgirá com a mudança do paradigma de funcionamento da rede, decorrendo da concretização do concurso internacional. A internalização das competências e a responsabilidade de supervisão e gestão da rede fazem parte dessa transformação. Portanto, agora que fechou o concurso público internacional é que avançará com a internalização? Sim. Muda o paradigma. A transformação é tão grande... Uma entidade que, basicamente, gere contratos e que vai alinhando os serviços em prol de um objetivo comum, transforma-se agora numa entidade capaz de operar uma rede de comunicações de emergência e segurança. Este novo posicionamento faz toda a diferença. Depois deste concurso passa a ter seis fornecedores distintos que, no fundo, acabam por ser parceiros neste processo... É interessante usar essa expressão, porque também a utilizo quando falo com as várias entidades e empresas que, atualmente ou num futuro próximo, se encontram ligadas à prestação dos serviços da rede SIRESP. Mais do que fornecedores de serviços, as empresas têm de se sentir parceiros. A rede vai ser dinâmica. Não é algo que possa manter-se como ficou todos estes anos, porque a geração de comunicações que temos hoje em funcionamento ainda é a geração inicial. Efetivamente, o que estamos a fazer é refundar a rede SIRESP. Aproveitamos parte da rede anterior, por razões tecnológicas e económicas, mas toda a lógica dos meios, dos processos e das pessoas é completamente diferente. Como vai ser gerir todo este conjunto? O que existia era um agregado que não servia os interesses do Estado. A única hipótese que temos é fazer um trabalho sério, analisando as várias componentes da rede, ver como elas se interligam dentro daquilo que é a engenharia dos sistemas e perceber o que encaixa em quê. O poder de integração e a chave para a sua consolidação deixou de estar em terceiras partes, passou a estar na posse do Estado. É o Estado que define os requisitos, o objeto do concurso, a altura em que vai tecnologicamente fazer evoluir uma parte ou a totalidade da rede, ajustada à dinâmica social e tecnológica do sistema, nomeadamente, porque os próprios utilizadores têm requisitos de utilização que estão a Temos uma taxa de 11 mil chamadas por hora durante o verão e servimos 182 organizações. evoluir de forma dinâmica. Neste momento fala-se de bodycams, de drones, de vídeo. Tudo isto não deve ser gerido isoladamente, mas como um todo. Eventualmente, há um número de utilizadores que tem uma necessidade operacional específica requerendo, por essa razão, este tipo de serviços adicionais. A rede terá de ser customizada para esse efeito, mas esta tipologia de serviços não tem de influenciar ou ser exportada para toda a rede. Há que gerir a rede e ajustá-la, quase como um organismo vivo, às necessidades de cada utilizador. É disto que vive um ecossistema: adapta-se, é flexível, é dinâmico e, tanto quanto possível, é suficientemente inovador para antecipar e preparar mudanças. No caso concreto do SIRESP, o sistema deve garantir ainda elevada disponibilidade, segurança e resiliência. A única forma de ter uma rede de emergência nacional que assegure as funções para a qual foi criada é ser detida e gerida pelo Estado? Não tenho a mínima dúvida sobre isso. Esta é uma rede de soberania. A noção, infelizmente ainda prevalecente ao nível do senso comum, omite por vezes este aspeto: a rede SIRESP é a infraestrutura de comunicações mínima entre todas as estruturas de soberania do Estado. Se ficar inoperacional ou for atingida, a resposta articulada das várias áreas da governação pode ficar seriamente comprometida, nomeadamente porque é a única rede que liga Forças Armadas, Forças de Segurança, ministérios, áreas essenciais e críticas como a Saúde, Justiça, Economia, câmaras municipais… quase tudo. O Estado já falava no lançamento do concurso internacional há muito tempo e queixava-se que o SIRESP nunca mais o lançava. Quando entrou, foi o senhor e a sua equipa que desenharam todo o processo do concurso? Sim. Existia já um trabalho preliminar, mas tivemos que alterar significativamente os paradigmas. Trouxe consigo a sua equipa? Sim. Foi condição para vir? Foi. Antecipou os timings de conclusão do concurso. Foi uma vitória? O sentimento não é de vitória, mas apenas de alguma 21

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