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COMUNICAÇÕES 244 - Missão: refundar a rede SIRESP

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a conversa À frente das

a conversa À frente das “suas tropas”, procura conseguir o máximo de empenhamento por parte de cada colaborador. Diz que o trabalho no SIRESP é “um desporto de equipa” em que o que cada um faz é importante e impacta o desempenho dos outros. Gosta de salientar que “as pessoas que estão na casa são as mesmas. Têm uma orientação e um propósito diferentes”, talvez 16

Numa entrevista que deu, pouco depois de ter sido nomeado para a liderança do SIRESP, contou que aos dez anos, apesar de viver longe, no Algarve, pediu aos seus pais para ir para os Pupilos do Exército, em Lisboa. Uma atitude nada normal para uma criança tão pequena. Tinha militares na família? Fui exposto ao ambiente militar desde muito cedo. O meu pai esteve na Guiné, depois em Luanda. Acompanhei-o nas suas comissões de serviço, mas, entretanto, deu-se o 25 de abril e regressei com a minha família a Portugal. Não me recordo porquê, mas na zona de Tavira, onde vivia, havia muitos filhos de militares que andavam no Colégio Militar ou no Instituto dos Pupilos do Exército (IPE). A possibilidade de ingressar no IPE surgiu assim, naturalmente. Era extremamente difícil entrar. As candidaturas eram muito exigentes. Havia três vagas para o 2º ano, para onde entrei, e quase 200 candidatos. E depois de entrar, como correu esse banho de realidade? Era muito pequeno. Não teve saudades da família? Foi muito positivo. Nos primeiros anos tive algumas saudades da minha família, como qualquer criança. Existia uma disciplina rigorosa, mas esta experiência forjou amizades para a vida. A disciplina não é um conceito que se impõe, é algo que se vive e se interioriza. A passagem pelo IPE deu-me também o sentido do coletivo, o espírito de corpo e a possibilidade de cultivar a liderança entre pares. Mais tarde, tive a oportunidade de aprofundar esta experiência como cadete-aluno da Academia Militar. Também foi uma experiência muito gratificante… Mas explique-nos melhor: como foi estudar nos Pupilos? Foi duro, ao princípio, como para qualquer jovem que estava habituado ao ambiente familiar, mas mobilizou o crescimento. Tornei-me muito mais responsável. Comecei a focar-me. Desde muito cedo fiz meu, o lema desta escola que me formou para a vida: “Querer é Poder!”. Portanto, adaptou-se facilmente. Adaptei-me facilmente. Aos fins de semana ia normalmente a casa de familiares que viviam em Lisboa e, pelo menos uma vez por mês, regressava ao Algarve, a minha casa. Fazia a viagem de comboio sozinho até Faro (na altura morava em Faro). É mais militar ou engenheiro? Acho que sendo militar não me consigo perceber sem ser engenheiro. Quando fui para a Academia Militar (AM) decidi ser militar, oficial do Exército, mas da Arma de Transmissões. Naturalmente tinha um plano B. A seguir vinha a Engenharia Militar e depois, a Infantaria… Por outro lado, quando ingressei na AM em 1985, entrei também no Instituto Superior Técnico (IST). A minha ligação ao IST manteve-se, até depois da AM: terminei a licenciatura, fiz o mestrado e até iniciei um doutoramento no Técnico (risos). Mas quando comecei o doutoramento – às vezes o destino tem destas coisas – o meu tema de investigação eram as redes MANET (Mobile Ad-hoc Networks) que, basicamente, implementam o que o SIRESP faz. Aliás, o rádio SIRESP acaba por materializar o conceito de rede ad-hoc móvel, uma rede em que cada terminal é, simultaneamente, um comutador e um terminal, razão pela qual é mais resiliente. Tinha acabado de assumir um cargo novo, à frente da Direção de Comunicações e Sistemas de Informação do Exército, quando o desafiaram para o SIRESP. O que o motivou para aceitar? Gosto de desafios. Julgo que a minha maior motivação para aceitar o honroso convite que me foi dirigido foi o facto de saber que o SIRESP era um sistema que poderia funcionar melhor – por aquilo de que me ia apercebendo – mas, sobretudo, por se tratar de uma missão de serviço público e à comunidade. Também sou engenheiro, mas considero que a minha formação militar pesou mais. As duas vertentes fundiram-se no momento da decisão, contribuindo para que sentisse que esta era uma missão que não podia recusar. Quando assumiu funções no SIRESP e pôde inteirarse da real situação da rede, surpreendeu-se com o que encontrou? Quando aqui cheguei o objetivo era muito claro e até um pouco reformista: garantir o lançamento de um concurso público internacional até final de 2022, que permitisse assegurar os serviços da rede SIRESP de uma forma mais eficiente e eficaz, nos próximos cinco anos. Este objetivo materializa tanto um desafio, como uma janela de oportunidade, permitindo, sob o ponto de vista técnico, corrigir e melhorar a situação atual, e promovendo ao longo deste processo uma visão de futuro. Havia muitas discussões sobre a necessidade de precipitar um salto tecnológico para o LTE/5G. Apesar de algumas pessoas defenderem a antecipação desta transição, o caminho para o 5G ainda se está a construir (consultámos as melhores práticas e os estudos de referência e tudo o que encontrámos para a transição da rede TETRA para o LTE/5G corresponde a uma década de transformação). Fizemos um benchmarketing com a UE e com os principais países. Este exercício mostrou que estávamos alinhados e em sintonia com a grande maioria dos países. Ainda não se definiram as referências normativas e, enquanto uma tecnologia não tem uma norma orientadora, tudo o que se fizer pode pecar 17

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