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COMUNICAÇÕES 243 - Digitalizar é a sua password

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À CONVERSA - Mário Campolargo acredita que o futuro se faz com passos SIMples; EM DESTAQUE - 31º Digital Business Congress: o balanço; NEGÓCIOS - Como se vai reposicionar o mercado depois do crash das criptomoedas?; MANAGEMENT – Não há revoluções sem dor; 5 PERGUNTAS a Andrés Ortolá, diretor-geral da Microsoft; I TECH - Ricardo Martinho, presidente da IBM; CIDADANIA - Um modelo de recrutamento muito à frente

negocios 26 Estava tudo

negocios 26 Estava tudo a correr bem. O entusiasmo era crescente com a valorização das moedas digitais, que garantiam aos pequenos investidores rendimentos muito além dos proporcionados pelos bancos e até pela bolsa. Para os profissionais do setor, o aumento da procura de criptoativos foi um estímulo para apostar cada vez mais no negócio do futuro, um negócio que se abria em várias frentes, da mineração de moeda, à transação de ativos digitais, como os NFT’s. Mas em maio, confirmando a tendência inflacionista da economia global, os EUA anunciaram uma taxa de inflação de 8,6%, valor que atingia máximos de 40 anos. E, a seguir, o Wall Street Journal publica uma notícia que alarma o mercado bolsista: a de que, perante o aumento galopante dos preços, o Fed (autoridade para a política monetária dos EUA) ponderava votar uma subida de 75 pontos-base da taxa diretora, subida que não se registava desde 1994. Imediatamente a bolsa afundou e o S&P 500 entrou em “mercado urso” (ou seja, com uma perda acumulada de mais de 20% face ao pico de janeiro). Como seria de esperar, a liquidação de ativos de risco estendeu-se ao universo das criptomoedas. E se as duas mais populares, a bitcoin e a ether, perderam num só dia 10%, outras simplesmente afundaram-se. O caso mais dramático foi o da terra luna, que perdeu em 48 horas 99% do seu valor. Embora a terra luna estivesse na categoria das moedas mais voláteis, encontrava-se conectada por um algoritmo a uma stable coin (moeda digital que se encontra em paridade com ativos estáveis, como o dólar, para evitar grandes flutuações de valor), a terraUSD. Mas com a terraUSD eclipsaram-se nada mais, nada menos, do que 40 mil milhões de dólares. Só o fundo cripto Three Arrows, com uma dotação equivalente a 3 mil milhões de dólares, perdeu centenas de milhões com o colapso da terraUSD, o que levou a equipa de gestão a tentar, de imediato, vender participações ou resgatá-lo na totalidade. Alguns comentadores chamaram a este espetacular colapso o “momento Lehman Brothers” das criptomoedas, traçando o paralelo com a inesperada falência do famoso banco de investimento norte-americano em 2008, na sequência da crise do sub-prime. Um dos fatores que contribuiu para que o pânico se instalasse de vez no universo das criptomoedas foi o anúncio feito um par de semanas depois, a 13 de junho, pela plataforma de créditos cripto Celsius, de que iria impedir o levantamento e a transferência de ativos de clientes por um período indeterminado, desculpan- A beleza de tudo isto, para quem aderiu a este novo mundo, é que não existem entidades centralizadoras que comandem as operações, ou retenham informação do-se com falta de liquidez e condições de mercado extremas. Na mesma altura, a plataforma de trading Binance também ajudou a que este nervosismo se generalizasse ao suspender, embora apenas por umas horas, o levantamento de bitcoins, desculpando-se com uma transação bloqueada. Ter colapsado uma criptomoeda supostamente estável foi um golpe que abalou as fundações de um sistema que, para todos os efeitos, depende essencialmente da confiança dos investidores. Depois da derrocada da terraUSD, sucederam-se quedas massivas nas valorizações de tokens (representações digitais de ativos registados em blockchains), falências de fundos, congelamentos de ativos de investidores em plataformas cripto e, inevitavelmente, despedimentos nesta área de negócio. De acordo com a plataforma Coinmarketcap, o mercado global das cripto passou de um máximo de sempre (2,96 biliões de dólares) registado em novembro de 2021, para 900 mil milhões de dólares no final

de junho. A bitcoin, a mais antiga e popular moeda digital, desvalorizou, durante este período, mais de 70%. Caixa de Pandora Quando a bitcoin foi criada em 2008 por Satoshi Nakamoto, pseudónimo que até hoje não se sabe se corresponde a uma pessoa ou a um grupo de pessoas, a ideia era lançar uma alternativa ao sistema bancário tradicional. Esse objetivo ficou bem patente no estudo, também assinado por Nakamoto, “Bitcoin: A Peer-to -Peer Electronic Cash System” que então foi publicado. Transparência, descentralização, agilidade e autonomia era o que prometia o novo sistema que começou por ser apenas acessível aos happy few que dominavam a emergente tecnologia blockchain que lhe dava suporte. Ao início, e até 2012, a primeira moeda digital do mundo foi usada sobretudo em mercados da dark web como o Silk Road, mas a sua popularidade no meio restrito dos techies aumentou significativamente a partir de 2013, levando a sua cotação a subir de 13 dólares para 770 dólares no espaço de um ano. Foi um salto demasiado grande para passar despercebido a um universo mais alargado de investidores. Inicialmente confiscada e banida pelas autoridades um pouco por todo o mundo, a criptomoeda, mercê da crescente procura e sobretudo do reconhecimento do potencial da tecnologia blockchain que lhe estava subjacente, começou a ser aceite pelas mais diversas instituições como meio de pagamento. Isso aconteceu em universidades, empresas, entidades públicas e, naturalmente, em toda a gama de instituições financeiras. A bitcoin abriu caminho a milhares de moedas digitais (hoje a plataforma Coinmarket segue perto de 20 mil). A possibilidade de qualquer um poder criar a sua própria moeda, desde que tenha conhecimentos e equipamento tecnológico com capacidade para minerar, ou seja, realizar milhares de cálculos em pouquíssimo tempo, por forma a funcionar como um servidor de blockchain e a ser remunerado como tal, deu origem à emissão de uma infinidade de moedas, embora a maioria venha a ter uma vida breve. Em teoria, qualquer pessoa pode comprar, receber ou criar criptomoedas. Para comprar, basta instalar no computador, ou telemóvel, um software que confira ao usuário um endereço que funcione como conta- -corrente, registando toda a movimentação de entrada e saída de valores. Através desse endereço é possível adquirir criptomoedas em casas de câmbio através da internet ou pagando com cartão bancário, em moeda fiduciária. Já os mineradores (os que recebem ou criam criptomoedas) têm de ser reconhecidos como tal pelos algoritmos que regulam o sistema. Se forem bem-sucedidos, são remunerados em moedas virtuais geradas instantaneamente. A beleza de tudo isto, para quem aderiu a este novo mundo, é que não existem entidades centralizadoras que comandem as operações, ou retenham informação. Este sistema é, asseguram, democrático e transparente. Dispensa intermediários, todas as transações são peer-to-peer, regidas por protocolos descentralizados e registadas numa plataforma pública comum – o blockchain –, que garante a segurança e rastreabilidade de todas as transações. Mais: por não serem pertença de entidades específicas, não podem ser manipuladas nem por governos, nem por quaisquer autoridades económicas. As criptomoedas são apenas uma das categorias dos criptoativos, que foram inventados para alimentar este novo modelo de “finanças descentralizadas”. Além dos payment tokens (moedas digitais), existem os utility tokens, que dão acesso a descontos e a serviços exclusivos, os security tokens, que representam algum va- 27

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