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COMUNICAÇÕES 242 - Paulo Portas: pelo digital é que vamos

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a conversa Voltando à

a conversa Voltando à nossa área: até nos temas ligados ao digital a Europa está sempre a correr atrás do prejuízo, porque os processos de decisão… … são muito lentos. E a tendência para regulamentar tudo é muito grande. um exemplo: dois países em concreto e duas empresas em concreto foram triunfantes, depois passaram um momento muito difícil e agora, no 5G, têm uma oportunidade – a Ericsson e a Nokia. Uma sueca e outra finlandesa. No digital tudo acontece muito depressa. 22 Exato… Aquilo que acho mais surpreendente na ascensão da China não é que tenha beneficiado da globalização, porque nisso também muitos africanos, europeus de leste e latino-americanos beneficiaram. O que acho mais extraordinário – e porventura inesperado para muitos – é a ascensão da China no domínio do digital. As dez maiores companhias digitais do mundo são americanas ou chinesas. O que me impressiona é que não está lá nenhuma europeia. A primeira europeia nas grandes plataformas é a Spotify e está longe dos dez primeiros. Distraímo-nos… Em 2016 houve dois factos muito discretos: o primeiro é que uma das moedas chinesas foi aceite pelo FMI no cesto das moedas transacionáveis; o segundo é que a China ultrapassou a UE em percentagem do PIB (em termos per capita) e em percentagem do investimento em pesquisa e desenvolvimento. Já tínhamos um défice de competitividade em inovação com os EUA, com o Japão, com a Coreia e agora também temos uma competição severa com os chineses. Em 2019, a China ultrapassou os EUA em número de patentes registadas. Nunca tinha acontecido desde 1978. Se olharem para os orçamentos de pesquisa e desenvolvimento do mundo, os três primeiros são asiáticos: a Huawei, a Samsung e a Mitsubishi. A Europa tem de pensar a sério em ser competitiva na área digital. E isso implica muito investimento. Não falta capital, a questão é saber porque é que o capital europeu é investido noutros lados. E porque é que o environment na Europa não é tão favorável, por exemplo, entre universidades e empresas, que nos EUA é semente da inovação desde sempre. Temos de olhar para nós próprios e perceber onde é que precisamos de libertar a criatividade. Dou A Europa tem de pensar a sério em ser competitiva na área digital. E isso implica muito investimento. Não falta capital, a questão é saber porque é que o capital europeu é investido noutros lados Acha que a revolução digital vai ser feita a partir do modelo europeu? Estou convencido de que a economia digital nunca teria crescido o que cresceu se houvesse excesso de regulação. Nunca teríamos visto o que vimos, nomeadamente nas plataformas norte-americanas, se houvesse uma montanha de burocracia e requisitos. O crescimento foi tão assombroso que isso colocou problemas às sociedades, à política e à concorrência. Lembro-me das críticas que houve sobre o RGPD, mas se olharmos para certas coisas que estão a ser aprovadas nos EUA, percebe-se que há ali uma certa influência. Mas alguma regulação tem de haver. Em contrapartida, se forem os Estados a tentar fazer a revolução digital, ela cessa. As pessoas normalmente usam como sinónimo a globalização e a digitalização, mas não são a mesma coisa. É possível os governos dizerem: eu, durante dez anos, não faço mais acordos de comércio, mas em matéria de inovação não há parlamento nenhum do mundo que diga que é proibido inovar. Ou seja, a inovação tem uma força própria e os Estados vão muito atrás. Quando se dão conta das coisas, elas já lá estão. Esta guerra também vem dar relevância ao tema da cibersegurança... Sim. Vamos viver com dois ‘C’ que colocam problemas de segurança sérios: ciber e cripto. Os ciberataques têm crescido exponencialmente e são uma forma de guerra completamente diferente da guerra convencional. Lembro-me de uma conversa extraordinária que tive com um antigo diretor do MI6, que me explicou as diferenças entre a guerra clássica e a ciber. Na guerra clássica estamos a falar da Crimeia, do Donbass… Na guerra ciber o terreno é o planeta.

E não tem fim… Exato. Na guerra clássica sabemos alguma coisa sobre o inimigo; na guerra ciber ele sabe quase tudo sobre nós e nós nada sobre ele. Os países não estão apetrechados para isto. E Portugal está muito exposto? Como se tem visto, não estamos imunes. Há muitos ataques que são internacionais e que testam, aqui e ali, os ataques seguintes. São ataques para os quais as empresas não estão necessariamente muito bem preparadas. Mas estamos particularmente vulneráveis? Estamos melhor do que estávamos. Mas pode dizer- -se o mesmo sobre outros países europeus. As unidades que o Estado português tem a funcionar nesta matéria, tanto nos serviços de inteligência como nos militares, Ministério Público e Polícia Judiciária, melhoraram nos seus recursos e qualificação. Os próprios Estados Unidos têm um grande défice de recrutamento nesta área. A Microsoft está a fazer um programa com eles para acelerar a formação. Em cada dez pessoas que precisavam, conseguem recrutar uma a duas. O digital depende das infraestruturas… Não estamos mal nessa matéria. Mas em termos de território ainda há muitas zonas cinzentas e pretas no nosso mapa. Do ponto de vista da população temos uma cobertura boa. Do ponto de vista do território, não. Por que não temos? Porque não é rentável. Como não é rentável, tem de haver investimento público e isso o Estado terá de fazer. Embora tenha decidido não o fazer no PRR… R&S®RTO6 OSCILLOSCOPE SERIES Instant insight meets in-depth information Mais informação em: www.rohde-schwarz.com/product/RTO6

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