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COMUNICAÇÕES 241 - Joana Mendonça: a arte de cultivar ideias

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OS QUATRO MAGNÍFICOS da

OS QUATRO MAGNÍFICOS da iLoF Em 2019 lançaram uma start-up que é um spinoff de institutos das universidades do Porto e de Oxford. Chamaram-lhe iLoF e o seu objetivo é revolucionar o tratamento de doenças complexas, como o Alzheimer. TEXTO DE TERESA RIBEIRO FOTO CEDIDA Joana Paiva, Luís Valente, Paula Sampaio e Mehak Mumtaz juntaram o seu talento para descobrir soluções para o tratamento de doenças a que a Medicina ainda não dá resposta 64

cidadania Começaram bem. O Financial Times selecionou a iLoF como um dos sete negócios mais transformadores em saúde em 2020; a CB Insights colocou-a na lista das 150 empresas mais promissoras na área da saúde digital; e a Forbes elogiou o talento dos seus fundadores. Luís Valente, formado em Engenharia Eletrotécnica (CEO), Paula Sampaio, doutorada em Bioquímica (diretora científica), Joana Paiva, doutorada em Física (diretora técnica) e Mehak Mumtaz, investigadora em Oxford (diretora de produto e operações) são os quatro magníficos que se juntaram para responder ao desafio lançado pelo programa da CE Wild Card, destinado a apoiar equipas com soluções transformadoras na área da saúde. Partilhando a convicção de que é urgente mudar a forma como os medicamentos são desenvolvidos, numa época em que doenças complexas e heterogéneas como a Parkinsson e a Alzheimer estão a proliferar como nunca, juntaram o seu conhecimento. Através da Inteligência Artificial e da Fotónica, usando grandes quantidades de informação sobre os dados biológicos dos pacientes, começaram a criar perfis biológicos que ajudam os investigadores nos hospitais e na indústria farmacêutica a desenvolver medicamentos personalizados. Luís Valente diz que esta personalização é o futuro: “No que respeita às doenças que se manifestam de forma diferente em pacientes diferentes, o mesmo medicamento não serve para toda a gente. Daí que doenças tão complexas como Alzheimer ou certos tipos de cancro ainda não tenham cura. A indústria e a ciência precisam, desesperadamente, de formas mais eficientes de desenvolver medicamentos mais personalizados, pois são esses que funcionam neste tipo de doenças”. Os dados, sublinha Luís Valente, falam por si: “No caso da Alzheimer, nos últimos 14 anos houve cerca de 400 estudos clínicos falhados e zero tratamentos com aceitação clínica, porque durante este tempo as farmacêuticas têm testado estes medicamentos na população em geral e os resultados não são estatisticamente relevantes. Por isso são postos de lado. Agora a expetativa da comunidade científica é que, provavelmente, parte dos medicamentos que já foram testados funcionam, mas não em toda a gente. Se conseguirmos descobrir qual é a parte da população que podia beneficiar desses tratamentos, então seria possível aprová-los. E não resolveríamos o problema a todas as pessoas com Alzheimer, mas a parte dessas pessoas”. Com base neste conhecimento, o CEO da iLof considera “estar mais do que provado” que em doenças como Parkinsson, Alzheimer, certos tipos de cancro e até viroses como a Covid-19 “não vai haver um medicamento que trate todos os pacientes. Por isso, a indústria farmacêutica não terá alternativa se não desenvolver medicamentos que resolvam o problema parcialmente. Não é, obviamente, o que dá mais lucro, mas é a única opção”. Para proceder à personalização dos medicamentos, a iLoF retira informação dos fluidos biológicos colhidos dos pacientes através de amostras de sangue. A partir daí elabora um perfil completo, com dados genómicos, proteómicos e metabolómicos, o que lhe permite capturar muita informação relevante que indique como vai o paciente reagir a um determinado medicamento ou, no âmbito da prevenção, a determinada doença. Vários setores de investigação ligados à saúde manifestaram interesse em alinhar com a iLoF para desbravar este caminho: “Estamos a trabalhar com dois grupos farmacêuticos mundiais e algumas biotechs no Reino Unido, nos EUA e também com alguns hospitais. Em Portugal, temos uma parceria umbilical com o hospital de S. João do Porto e a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Temos também colaborado com grupos de investigação em Lisboa, como é o caso do hospital de Amadora-Sintra e num centro de investigação da Universidade de Coimbra”. Investidores também não têm faltado. A iLoF já recebeu um financiamento de 2 milhões de euros via CE e 1 milhão via Microsoft Ventures, o braço de investimento da Microsoft. A norte-americana Mayfield também apoia esta start-up cujo talento é maioritariamente português. Neste momento está a fechar-se uma ronda semente de 4 milhões de dólares. O futuro é deles.• 65

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