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COMUNICAÇÕES 241 - Joana Mendonça: a arte de cultivar ideias

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a conversa Tive uma

a conversa Tive uma infância como tantas outras crianças. Lembro-me que lia imenso. A aprendizagem da leitura foi uma revolução na minha vida, porque simplesmente deixei de me aborrecer. Antes da leitura era uma miúda que se aborrecia imenso. Isso deixou de acontecer. Os meus pais são cientistas e eu tinha à minha disposição imensos livros de investigação científica 18

O seu percurso é muito ligado aos temas da inovação e da engenharia. Como era a Joana em criança? Como se divertia? Como foi a sua infância? Tive uma infância como tantas outras crianças. Lembro-me que lia imenso. A aprendizagem da leitura foi uma revolução na minha vida porque, simplesmente, deixei de me aborrecer. Antes da leitura, era uma miúda que se aborrecia imenso. Isso deixou de acontecer. Os meus pais são cientistas e eu tinha à disposição imensos livros de investigação científica. Ah, os seus pais são cientistas… Isso explica muita coisa. Sim. São físicos. Portanto, isso também a influenciou... Sim. Acredito que sim. Nunca pensei muito nisso. Que livros se lembra de a terem marcado? Um deles foi a história da Marie Curie. Embora o livro que li fosse um pouco romanceado, escrito pela filha, tocou-me imenso. Foi a única mulher que ganhou o Prémio Nobel em duas categorias diferentes – da Física e da Química. Porque é que a história dela a marcou? Porque é incrível! Ela vem da Polónia para a França, tinha uma inteligência surpreendente e teve uma vida profissional muito intensa. Não querendo o ramo do ensino ou da ciência pura, achei que a área tecnológica era aquela que me permitiria fazer coisas, pôr a mão na massa Isso justifica ter ido para Química Tecnológica!? Explique como escolheu este curso… Naquela idade nós não sabemos ao que vamos. Mas tendo seguido Química, e não querendo o ramo do ensino nem da ciência pura, achei que a área tecnológica era aquela que me permitiria fazer coisas, pôr a mão na massa. Trabalhei muito durante o curso – era um ramo muito difícil. Acho que foi no curso que desenvolvi a minha capacidade de trabalho. Fartei-me de trabalhar, mas nem notava, porque gostava genuinamente daquilo. Já percebi que gostou muito da universidade... Sim. Muito. Mas já abandonei a Química Tecnológica há muitos anos. Retomando o fio à meada... o que fez de marcante a seguir? Fui para a Suíça trabalhar. É curioso que para algumas pessoas o mais difícil de ir trabalhar para o estrangeiro é o regresso. O que foi fazer para a Suíça? Um estágio no âmbito de um protocolo com a universidade. Na verdade, fui para a Suíça porque nasci em França e a minha primeira língua foi o francês – queria recuperar o meu francês. Só que em Berna, onde eu estive, fala-se alemão. Paciência, aprendi alemão! Também não foi mau (risos)! Reviu-se nela? Não propriamente. Mas achei o seu percurso apaixonante. Portanto, em sua casa, a curiosidade pela ciência era uma constante? O espanto perante o mundo é um reduto para onde apetece sempre regressar? A curiosidade sim, agora o espanto… Eu compreendo o que diz sobre o espanto, mas na ciência, de facto, não é bem o espanto que nos move. O espanto está geralmente associado a uma coisa mágica e na ciência isso não existe. A ciência é o resultado de muito trabalho. Eu cresci habituada à conversa sobre ciência, onde o espanto não costumava ter lugar. Esteve quanto tempo na Suíça? Um ano letivo, a estudar a síntese de derivados de vitamina B12. Depois voltei a Portugal. E o que se passou a seguir na sua vida? Entrei no ITN - instituto Tecnológico Nuclear, que agora pertence ao Técnico. Fui fazer síntese de derivados de inorgânicos. Adquiri imensa experiência na Suíça, aprendi imenso. Este foi o meu primeiro emprego. E como correu? Foi um choque cultural. As formas de trabalho, a organização do laboratório, todas as ineficiências... Tudo aquilo me começou a fazer comichão. E, no alto da minha ingenuidade, pensei: “Tenho de mudar a maneira de fazer ciência em Portugal”. 19

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