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COMUNICAÇÕES 240 - Fernando Alfaiate: o homem do PRR

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portugal digital dade

portugal digital dade dos artigos têxteis, de acordo com os seus cadernos de encargos. Estas avaliações têm em vista variadas certificações, disponibilizadas também pelo centro. 44 CONSULTORIA À MEDIDA Além das atividades referidas, não se pode deixar de realçar o apoio dado no registo e na vigilância à propriedade intelectual, a disponibilização de infraestruturas de demonstração e de instalações piloto, o suporte ao empreendedorismo ou os serviços especializados de consultoria nas mais variadas áreas. O responsável do CTCP exemplifica: “Damos grande apoio às empresas, por exemplo, na utilização dos sistemas de incentivo. Mais de 90 por cento dos projetos que entram nos programas de apoio nacionais e até internacionais, para o setor do calçado, têm o nosso dedo”. Braz da Costa destaca o serviço de consultoria para a transformação digital. “O nosso setor precisa de automatizar ao máximo processos, sejam de manufatura, sejam de negócio. Se não conseguirmos um nível elevado de digitalização de algumas operações, vamos ter problemas de competitividade no curto prazo. Hoje, temos tecnologias, capacidades de processamento, larguras de banda que não tínhamos antes e isso são novas oportunidades. Este é um grande desafio que o CITEVE está a agarrar”. E continua, defendendo a ideia de que o têxtil de elevada qualidade nunca será possível sem intervenção humana: “No dia em que a intervenção humana for indiferente, toda a indústria passará para o país onde os impostos forem mais baixos e a energia elétrica mais barata! A digitalização pode ser a solução para grandes problemas do nosso setor. As empresas estão cientes disso e o setor sabe reagir aos sinais”. DESAFIOS FUTUROS Fazendo a tal antecipação do futuro dos seus setores, o CITEVE e o CTCP já identificaram ameaças e oportunidades, que serão terreno do seu trabalho. A falta de mão de obra, por exemplo, é uma preocupação comum. “É mesmo um desafio de vida ou morte”, alerta Braz Costa. E desenvolve: “Se não tivermos gente para trabalhar e se os processos dependerem muito da mão de obra humana, não se produz. Temos hoje falta de capacidade para agarrar oportunidades que estão a surgir no nosso país. O nosso setor está debaixo dos olhos do mundo e tem sido muito procurado, mas se não tivermos capacidade de produzir, não conseguimos dar resposta”. Joaquim Leandro de Melo destaca duas circunstâncias que agravam a questão: “No nosso caso, a indústria do calçado está situada em zonas com pouco Joaquim Leandro de Melo, diretor-geral do CTCP: “Num setor de PME’s, como o do calçado, a inovação tem de ser fortemente induzida do exterior” desemprego e, a acrescer, há uma imagem negativa da indústria relativamente aos serviços. Há um preconceito social nas gerações mais novas”. Esta é, aliás, mais uma tarefa que os centros tecnológicos estão a abarcar: sensibilizar a população para o caráter de inovação das indústrias e para o conjunto de funções atrativas que podem oferecer. Tanto o setor do calçado como o setor têxtil e do vestuário estão sujeitos a uma forte concorrência internacional. A funcionarem em mercados abertos, onde todos competem com todos, o preço não é um fator no qual Portugal se possa distinguir. Braz Costa é perentório: “Quero que Portugal seja melhor que os outros a desenvolver produtos específicos e altamente complexos. Para sermos competitivos, temos de procurar fazer coisas difíceis”. A pandemia parece estar a ajudar o país nesse sentido. “Há marcas de luxo que estão a dar preferência aos produtos fabricados na Europa e essa é uma oportunidade que temos de agarrar. Essas marcas são atraídas pela nossa capacidade de fazer bem. Não brincam em serviço. São peças com acabamentos muito cuidados e países que não tenham uma verdadeira cultura têxtil, não têm gente para fazer esses trabalhos”. As alterações nos padrões das cadeias de abastecimento globais fazem sentir-se também no setor do calçado. “Um contentor que custava dois ou três mil euros a trazer da China, hoje custa cinco ou seis vezes mais. As marcas estão a querer distribuir a sua produção por

mais atores e é uma oportunidade para Portugal”, destaca o responsável do CTCP. Mas avisa: “Querem preço e nós não conseguimos fabricar ao preço dos chineses. Muitas vezes, querem quantidades que nós não podemos aceitar. Temos de alargar a intervenção na cadeia de valor. Há uma oportunidade para o nascimento de empresas de maior dimensão, que criem novas unidades piloto de grandes dimensões para fabricarem novas tipologias de produtos. Estou certo que vamos assistir a algum investimento nesta área”. Por fim, os dois protagonistas destacaram uma tendência comum e desafiante: a aposta na sustentabilidade. O recente apelo governamental para a constituição de consórcios para encontrar novos materiais e processos de fabrico, no âmbito da estratégia da bioeconomia, é um dos sinais do caminho que se quer seguir. Este é um dos objetivos do Plano de Recuperação e Resiliência europeu, em que se prevêem 71 milhões de euros para o setor têxtil e de vestuário e 41 milhões para o setor do calçado. “No início do próximo ano, vamos ter grandes notícias”, anuncia Braz Costa. E reforça: “Não é sustentável andar a transportar algodão do Paquistão para aqui. Estamos a desafiar outros setores para encontrarmos soluções inovadoras. Se calhar, a partir do eucalipto também se conseguem fazer fibras...”. Joaquim Leandro de Melo também revela: “Acabámos de apresentar uma grande candidatura na área da bioeconomia. Queremos uma indústria totalmente biobased”.• OPORTUNIDADE EXEMPLAR A pandemia veio dar visibilidade, com um exemplo muito prático, ao trabalho de antecipação dos centros tecnológicos. Apesar de não ser um negócio em Portugal e de praticamente se importar tudo o que eram dispositivos médicos, o CITEVE, durante os últimos vinte anos, mantinha uma linha de investigação deste tipo de materiais. “Foi isso que nos permitiu rapidamente dar resposta. Se tivéssemos de começar do início, não chegaríamos a tempo”, reconhece Braz Costa. Quando souberam o que estava a acontecer em Itália, começaram logo a trabalhar, “testámos mil combinações de materiais diferentes, para encontrar os que poderiam resolver o problema das máscaras. Em março, as empresas ainda estiveram a trabalhar em moda, mas no final do mês, fechou tudo. Foi nessa altura que pusemos as empresas a mexer. Em Portugal, inventámos o conceito de máscara social”. Com a publicação das especificações técnicas para o fabrico de máscaras comunitárias, a 14 de abril, as empresas dedicaram-se em pleno ao seu desenvolvimento e todos os dias acorriam às centenas ao CITEVE, com os pedidos de análise laboratorial. A 18 de abril, certificou-se a primeira máscara comunitária de uso único e, quatro dias depois, os primeiros cinco modelos reutilizáveis.• 45

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