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COMUNICAÇÕES 240 - Fernando Alfaiate: o homem do PRR

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a conversa 18 para eu

a conversa 18 para eu ficar. Perguntava-me: “Quanto é que queres ganhar para não ires estudar para Lisboa?”. Ela achava que eu tinha perfil para continuar com o negócio da família. Mas eu sabia que já havia muita gente para ajudá- -los e decidi traçar um caminho diferente. O que o levou a trocar o certo pelo incerto? Precisei de criar uma certa distância, porque se tivesse ficado a estudar mais perto, talvez não tivesse cumprido o meu objetivo de tirar um curso superior de Economia. Tinha de ter um foco, não me quis dispersar e sucumbir aos apelos da minha mãe. Veio sozinho? Foi a primeira experiência que teve longe dos seus pais? Os primeiros tempos foram terríveis. Sentia muita saudade. Quando, ao fim de quatro meses, voltei a ver o meu pai e a minha mãe, foi uma emoção indescritível. Não pensei que sentiria tanta falta deles. Mas a minha ideia foi criar um certo distanciamento. Quando acabei o curso, o professor de avaliação de projetos de investimentos, dr. Manuel Machado, responsável por um programa operacional no primeiro quadro comunitário de apoio, proporcionou a oportunidade paratrabalhar com ele. Entrei aí no mundo dos fundos comunitários. Eram apoios a projetos de investimento com o objetivo de levar a eletricidade a locais remotos, projetos na área do gás natural, os primeiros programas de eficiência energética... Depois, estive vários anos ligado a programas de energia no segundo Quadro Comunitário de Apoio. Assumi várias responsabilidades técnicas e mais tarde de direção. Nunca pensou regressar às suas raízes? Sim, penso bastante nisso. Quem sabe, futuramente, possa acontecer. Mas não se proporcionou. As responsabilidades e os desafios foram surgindo, a voracidade da vida não permitiu. Mas continua a ter ligação à sua aldeia? Sim, vou sempre que posso: no Natal, Páscoa e em ocasiões especiais. Os meus pais já faleceram, mas continuo a juntar-me lá com o meus irmãos, filhos e sobrinhos. O poder que sinto é o de encarar com justiça as decisões que tenho de tomar. Esse é o meu verdadeiro poder É uma pessoa diferente devido à sua ligação ao campo? A sua génese é diferente por causa disso? Sim, isso influenciou no bom sentido, julgo eu. A simplicidade, a amizade e a forma como ajo com as pessoas, muito aberta, é prova disso. Não tenho dúvidas de que estas características vêm de eu ter nascido no seio desta família e da minha aldeia. O meu pai ensinou-me que o mais importante da vida é o nosso nome, a nossa credibilidade. Essa é uma construção que aprendi com ele. Isso nasceu lá. O campo é algo único. A paz da natureza, a simplicidade, a transparência, a ligação das pessoas, é muito diferente. Consegue que os seus filhos sintam essa ligação especial? Eles, a Lara e Rodrigo, neste momento, até gostam mais de ir lá do que eu. Nas férias passam tempos incríveis no meio do campo. O Rodrigo, o mais novo, de 18 anos, que adora cavalos, pondera um dia ir viver para lá. Quer fazer coisas relacionados com natureza, com agricultura, com os animais. Fico muito satisfeito com isso. Só tenho pena de não lhe ter dado uma lição de vida tão forte como o meu pai me deu. As pessoas da sua terra sentem-se orgulhosas do seu percurso e do cargo que abraçou agora? Sim, muito! Querem saber, fazem perguntas, lêem as notícias no jornal. Há muto carinho. O Fernando Alfaiate é visto como alguém que tem muito poder. Sente-se um homem poderoso? Não me considero uma pessoa poderosa. O poder de conceber o PRR não foi meu. O meu poder é apenas técnico, que utilizarei de forma justa, para cumprir este plano. Mas parece-me exagerado pensar que eu tenho mais poder além desse. O poder que sinto é o de encarar com justiça as decisões que tenho de tomar. Esse é o meu verdadeiro poder. O PRR tem de ter a capacidade de demonstrar esse rigor. O poder pode tornar-se perigoso? Quando, por exemplo, deixa de ser escrutinado e sujeito a contrapoderes? Sim, esse poder é perigoso. Todavia o modelo de governação e controlo do PRR garante que não sejamos permeáveis a qualquer influência externa. Poder ameaçador é aquele que é silencioso, não-transparente, que escapa ao nosso controlo? Sim. O meu desafio não tem absolutamente nada a ver com isso. Tenho uma missão e muito trabalho pela frente. Só isto. E uma vontade de tratar todos por igual

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