COMUNICAÇÕES 239 - Alexandra Leitão: Fazer Política para as Pessoas (2021)

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TECHNOLOGY MATERIALS

TECHNOLOGY MATERIALS SCIENCE & TECHNOLOGY THERE IS NO SUCH THING AS ARTIFICIAL INTELLIGENCE “Pode haver bons usos e maus usos de tudo quanto é ciência e tecnologia. Cabe-nos decidir para que a usamos. Depende do humano o que vamos fazer” “Temos de ensinar ética em tecnologia, sobretudo com os avanços da IA. É tudo extremamente importante e temos cada vez mais que alertar para os riscos envolvidos, os bons e os maus usos” ELVIRA FORTUNATO, vice-reitora e diretora de Materiais da Universidade NOVA “A visibilidade ganha pelos cientistas é muito importante. Pôs a ciência mais em cima e a necessidade de investir nela. Nunca na História tinha acontecido desenvolver uma vacina num espaço tão curto e a pandemia mostrou que a ciência é a solução. Isso só foi possível porque se trabalhou em conjunto. Só assim se conseguem obter resultados face a problemas cada vez mais complexos. Os cientistas aprenderam muito com a pandemia e a trabalhar em rede” “A pandemia é um aviso. Aprendemos muitas coisas com ele e espero que a partir de agora passemos a ter um planeta mais sustentável. Abandonando opções mais poluentes e aproveitando a evolução da tecnologia. Há uma maior consciencialização para este problema” “As pessoas boas têm lugar onde são boas. Há quem queira ter experiência no exterior, mas também temos muitos estrangeiros cá. Porque os laboratórios não podem estagnar. Na ciência é muito importante ter redes e rotatividade de pessoas para evoluirmos” LUC JULIA, especialista em interação Humano-Máquina “Se fizermos da inteligência artificial algo muito grande e dissermos as coisas que pode e não pode fazer, vamos dececionar as pessoas, o financiamento acaba e tudo desaparecerá. Foi o que já aconteceu nos anos 60, com os primeiros desenvolvimentos, porque as premissas criadas não se concretizaram” “As técnicas de IA que estamos a usar não se comparam com as técnicas que a nossa mente usa. Não existe inteligência nem empatia e tudo o demais que temos, enquanto humanos. A IA não tem a nossa visão holística. Somos mesmo bons, com uma inteligência contínua e infinita” “A inteligência artificial não existe como um todo. Existem pequenas inteligências, ferramentas que aumentam a nossa inteligência e que são apenas úteis em determinados processos específicos, onde podem ser até melhores do que nós. Mas são construídas por nós, com objetivos definidos. É isso que é a IA. Nós temos o controlo e decidimos o que fazer” JOÃO GRAÇA, Cofundador e CTO da Unbabel “De facto, há o paradigma de que a IA está a avançar muito, mas não é realmente inteligência e é muito limitada. E isto é um grande problema das falsas expetativas que se criam. Mas, dito isto, em muitas áreas os desenvolvimentos tornam muitas aplicações possíveis” “Na Unbabel trabalhamos muito a tradução e, neste momento, em conjunto com a IA, conseguimos de uma forma quase automática, traduzir de uma língua para a outra. Abriu a porta a muitos produtos que antes não eram possíveis. É isso que acontece com todas as áreas” “O 5G vai abrir bastante o leque de produtos disponíveis. Depois, depende da criatividade. Será tudo mais rápido e sem limitações de largura de banda. As barreiras vão desaparecer” ISABEL TRANCOSO, presidente do Conselho Cientifico do INESC ID Lisboa “A IA vai chegar a todos os domínios. O impacto das tecnologias de aprendizagem automática na língua falada foi de tal forma brutal, que a tornou numa tecnologia que toda a gente usa. Por exemplo, as assistentes virtuais entraram na vida de todos os dias” 82

THE FUTURE - RECOVER & RESILIENCE HOW TO ALLOW EUROPE TO MAKE THE MOST OF THE DIGITAL TRANSITION THIERRY BRETON, comissário europeu do Mercado Interno “A crise veio revelar a fratura digital da nossa sociedade. E devemos assegurar que ninguém será deixado para trás” “Temos de acelerar o investimento para uma Europa mais resiliente, inclusiva e durável e garantir que os nossos cidadãos e empresas possam contar com a escolha de tecnologia de ponta durável. O Digital Compass traduz esta ambição, com objetivos concretos no horizonte de 2030. São objetivos ambiciosos, mas realistas” “A Europa que queremos construir é uma Europa digital, que dará a possibilidade de aceder à tecnologia de que precisamos. Contribuirá para construir os melhores serviços públicos do mundo, uma Europa onde os jovens possam ter condições para viver, e todas as empresas para prosperarem de forma durável, mas também responsável” PORTUGAL STRATEGY 2030 ANTÓNIO COSTA SILVA, presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) “São as empresas que criam riqueza e são o motor do desenvolvimento. Temos tido um crescimento estagnado, mas temos competências para ir mais além. A proposta é mexer nas alavancas que podem mudar a produtividade do país. Temos um ecossistema de inovação forte, somos capazes de criar coisas, temos competências, mas temos de fazer muito mais” “Os estudos mostram que um terço do crescimento do PIB mundial nas próximas décadas virá das tecnologias digitais. A disseminação que têm já hoje é grande, mas terão um impacto enorme na economia. Temos de transferir essas competências para as empresas, mudar processos de produção, criar mais valor acrescentado. E ter também atenção à situação climática, porque nos confrontamos com um dos maiores desafios à nossa sobrevivência” “O desafio será a execução do PRR, a sua operacionalização. Além do portal de transparência, temos de trabalhar uns com os outros, agregar vontades e fazer as coisas acontecer. Mobilizar o país. Ter também transparência e prestação de contas. Tem de haver uma análise custo-benefício, determinando-se o impacto e tentando corrigir o que está a correr menos bem” NUNO SANTOS, presidente da AD&C - Agência para o Desenvolvimento e Coesão que melhorou significativamente com os apoios europeus. Para o mar e para a agricultura, com a utilização crescente da tecnologia. A aposta passa agora pelas pessoas primeiro, com mais inclusão e menos desigualdade” “Realmente há muito dinheiro, como nunca houve, por razões más. Mas a verdade é que essa circunstância permitiu novos fundos, além da execução do anterior QCA. Procuramos garantir que todos os instrumentos se complementam com uma visão de futuro. E que há sinergias. Pessoas, inovação, digitalização, transição climática e coesão interna” “Sentimos que o que importa agora fazer ainda melhor é comunicar, explicar, facilitar a compreensão de como é que se lá chega. Esse é um desafio muito grande, porque implica transparência, sindicância e facilidade, tudo ao mesmo tempo. O que torna tudo mais difícil. Melhores processos e melhor emprego de tecnologia podem ajudar. Os dinheiros públicos devem ser para corrigir falhas. O desafio para a boa execução passa por continuar a conversar e pedir evidências” CLARA RAPOSO, dean do ISEG “Não se pode avaliar algo que ainda não foi implementado. Podemos avaliar um enunciado do PRR, um conjunto de princípios. Nada do que ali está é desperdício ou não é importante. Agora, é preciso é que resulte em economia ativa. Há um caminho e prioridades que têm vindo a ser anunciadas e que devem ser melhor comunicadas” “Temos que juntar todo o esforço de investimento público para haver mais transformação, juntando as competências e a competitividade com a Europa e o resto do mundo. Há uma questão de diplomacia económica que tem de ser muito bem conduzida” “É preciso ter mais financiamento português em Portugal. Não se pode pensar só no dinheiro que vem da Europa. Temos de ser capazes de o criar, o que vem das boas ideias e de fazer bons projetos para o mundo” “Para onde é que foi o dinheiro nos últimos anos? Para 18 mil empresas, 91 mil pessoas, 337 mil jovens e adultos e para a pegada climática, 83

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