COMUNICAÇÕES 239 - Alexandra Leitão: Fazer Política para as Pessoas (2021)

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TELECOMMUNICATIONS AND

TELECOMMUNICATIONS AND MEDIA INFLUENCERS’ DILEMMA “Descomplicar e simplificar a explicação sobre a tecnologia foi o propósito. A Lu facilitou o entendimento do consumidor, de uma forma simpática e humanizada, no fluxo de compra. Agora tem uma estratégia para continuar e ampliar a sua missão de ajudar as pessoas a passar a fronteira entre o mundo físico e digital” “O marketing de influência permite trazer o produto para o contexto, o que muda a abordagem. É preciso aproveitar a naturalidade e a espontaneidade do influenciador. O marketing de influência é uma convivência entre influencer e as pessoas que o seguem” THE STATE OF THE NATION OF MEDIA 74 VANESSA MARTINS, digital influencer & Frederica Agency “O mundo dos influenciadores está a avançar e a mudar rapidamente. Eu própria estou a surfar esta onda, que ninguém sabe quando terminará. A mudança é acelerada para nós e para as marcas que nos contratam. Estamos sempre a descobrir o que é certo e errado” “Os influenciadores são todos diferentes. Há espaço para todos e andamos todos a aprender uns com os outros e a profissionalizar esta atividade. Aí está a magia disto: não sabemos o que vai acontecer amanhã” “O nosso maior poder é sermos únicos e termos uma forma de estar distinta. É a mais-valia em ser influenciador. Temos que fazer coisas diferentes, todos os dias, e são as pessoas que nos escolhem. Todas as marcas vão precisar de influenciadores, porque precisam de uma persona para trazer as pessoas do online para o offline, o que vai passar muito por parcerias” RICARDO ROCHA, CEO LuizaLabs & Lu de Magalu, virtual influencer do Brasil “A Lu é uma influenciadora virtual que surgiu para ultrapassar o receio do mundo digital. Veio humanizar o digital, ajudando as pessoas a entender como funcionam as compras online. Completa dez anos de influência no canal YouTube e é a 3 a maior influenciadora digital do mundo. Hoje é tudo natural. A Lu até recebe propostas de namoro e de casamento” RICARDO CASTANHEIRA, counselor digital & telecom coordinator da REPER - Permanent Representation of Portugal to the European Union “Este mundo dos influenciadores ainda é novo do ponto de vista regulatório. Há um conjunto de dilemas e perplexidades nesta discussão, mas a maior parte das plataformas e redes sociais onde os influenciadores se movem não existiam quando a legislação foi aprovada. Existe claramente a necessidade de atualizar o enquadramento regulatório” “Os influenciadores são necessariamente de produtos e estão associados a uma mensagem comercial forte. Há que definir o seu papel na cadeia comercial, que tem impactos em muitas áreas. Até agora, estamos perante iniciativas de autorregulação das plataformas e dos serviços ou de co-regulação para resolver alguns dos problemas que vão surgindo” “A verdade é que a UE tomou a decisão, através do Ato dos Serviços Digitais, de trazer maior segurança jurídica a toda esta discussão, corrigindo alguns desequilíbrios do jogo e evitando a fragmentação regulamentar, que não é boa nem para os consumidores, nem empresas. Estamos agora em negociações” FRANCISCO PEDRO BALSEMÃO, presidente executivo da Impresa “O papel desempenhado pelas redes sociais e dos grandes agregadores é muito importante. Mas o modelo de negócio dos media tem vindo a ser, de alguma forma, destruído, no que respeita à publicidade, porque os anunciantes estão a canalizar os investimentos para o digital, onde há dois players hegemónicos: Google e Facebook” “Os conteúdos que desenvolvemos têm custos, em termos de investimento em pessoas e tecnologia, e são monetizados por estes players, à nossa custa. Claro que queremos que seja atribuído um valor aos nossos conteúdos, que seja justo e digno, uma retribuição pelo que produzimos, que seja paga pelas plataformas” “Sendo gatekeepers, são ao mesmo tempo árbitros das plataformas e players. Têm um duplo papel e isto faz com que haja a capacidade e incentivo de desenvolver algoritmos e outros mecanismos para se defenderem a si mesmos. Mas nenhum publisher pode deixar de estar num gatekeeper como a Google, porque deixa de existir na internet. Mais vale declarar falência” LUÍS MANUEL DA CUNHA VELHO, CEO da Plural Portugal e administrador da TVI “Com a pandemia, o mercado publicitário caiu cerca de 95 milhões de euros, ou seja, 15%. É muito, para um mercado tão pequeno e para canais que vivem quase exclusivamente da publicidade. Os conteúdos e as marcas fortes cada vez mais vão ser o foco principal e custam dinheiro. Precisam de ser pagos e é necessário encontrar modelos que trabalhem os algoritmos, para não desviarem os conteúdos

para outro tipo de plataformas que fogem ao nosso controlo” “Não somos contra as grandes plataformas. Queremos é que elas olhem para os conteúdos e que lhes deem a justa remuneração. Estamos a fazer o nosso caminho e elas são muito importantes” “Há que ter o engenho e a habilidade de criar conteúdos para vários devices. Quanto mais conteúdos diferenciadores e maior número de devices, melhor. Não podemos viver em democracia sem um bom jornalismo e é nisso que apostamos” HUGO FIGUEIREDO, administrador da RTP “Toda a área do entretenimento, mas, principalmente, do jornalismo, carece de modelos novos. Nunca podemos esquecer que a qualidade do jornalismo é um dos pilares da democracia e é preciso reconhecer esse facto. Nomeadamente através da intervenção dos governos, com nova regulação, porque a defesa do jornalismo deveria ser uma prioridade. O modelo que esteve em vigor nos últimos 50 anos funcionou, mas está a esgotar-se” “Todas as medidas que contribuam para a qualidade do jornalismo, seja do serviço público ou dos privados, serão sempre bem-vindas. Não interessa a ninguém que a qualidade dos operadores desça, porque têm que cortar custos e que, por via indireta, a democracia fique ameaçada” “Estamos num período de mudança e essa mudança tem vindo a colocar mais pressão sobre as receitas dos media, sobretudo no mercado publicitário, que se está a virar para a internet. Uma lógica de maior equilíbrio seria desejável” BERNARDO CORREIA, country manager da Google Portugal “Há vários mitos que vale a pena abordar, como a ideia de que a Google rouba conteúdos ou que está a fazer dinheiro com eles. Não é assim. A Google cria links para os conteúdos dos outros e envia tráfego para esses sites. Na Europa, enviamos qualquer coisa como 8 biliões de cliques por mês para sites de notícias, que são muitas vezes desvalorizados pela indústria, mas que são um valor económico brutal que entregamos” “Não existe obrigatoriedade de estar na Google. Qualquer publisher pode, simplesmente, deixar de estar indexado. Mas interessa estar lá, porque tem valor económico. O valor do tráfego que criamos é enorme para a indústria dos media e deve ser valorizado. Não é do conteúdo noticioso que vem a maior parte das nossas receitas” “Continuamos a investir em inovação para os publishers saírem de algumas dificuldades financeiras. Só em Portugal já investimos oito milhões de euros em projetos de inovação em média. Mais de metade dos nossos produtos foram para inovação em notícias. Também não é verdade que a Google não pague por notícias, pois há uma partilha de valores económicos” 5G-POWERED DIGITAL ECONOMY GABRIEL SOLOMON, head of Government & Industry Relations, Europe & Latin America da Ericsson ções e permitirá a descarbonização de todos os setores” “O 5G tem o poder de trazer benefícios para todos os setores económicos. A próxima onda de inovação vai ser construída em cima desta infraestrutura. Mas para aproveitarmos plenamente os benefícios desta tecnologia, vamos ter de apostar no reforço da cobertura a médio prazo” “Em Portugal, é importante que o espetro seja libertado de imediato, que as barreiras à sua implementação sejam removidas e que se deixe a estrutura de mercado desenvolver-se naturalmente. Se isto não for feito, limitará a capacidade da economia se transformar digitalmente. Com os financiamentos que estão a caminho, Portugal poderá agarrar a oportunidade e apanhar os demais países europeus” ABRAHAM LIU, chief representative para as EU Institutions e vice-presidente da European Region da Huawei “O 5G é muito mais que uma rede de alta velocidade, é o potenciador da transformação digital. Toda a sociedade tirará benefícios dessa realidade. Vamos reduzir custos, energia, espaço e tempo e trazer muito mais agilidade a todos os setores e indústrias verticais” “A Europa tem companhias muito fortes em todas as áreas e indústrias. Com o 5G, temos que apostar na colaboração e na estandardização para escalar de forma massiva” “A velocidade de instalação das redes varia de continente para continente e de país para país. Mas o que vemos é que quem avançou no 5G a maior velocidade está já a inovar e a retirar benefícios. Estamos no início desta onda tecnológica. O exemplo de utilização na Coreia do Sul das soluções para os consumidores já mostra o seu grande potencial. Mas representará muito mais para as indústrias verticais” “O 5G é a tecnologia que vai permitir a mistura do mundo físico, com o mundo digital. Se for desenvolvido com sucesso, será o sistema nervoso central para a economia e a sociedade. É uma plataforma de inovação aberta, que catalisará as grandes transforma- 75

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