COMUNICAÇÕES 239 - Alexandra Leitão: Fazer Política para as Pessoas (2021)

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portugal digital 46 O propósito, de hoje e de sempre: mudar profundamente, e para melhor, a economia portuguesa, através das valências tecnológicas que estão ao dispor das várias forças de trabalho. A missão da Agência Nacional de Inovação (ANI) passa pelo desenvolvimento de ações que visam o apoio à inovação tecnológica e empresarial do país, contribuindo para consolidar o Sistema Nacional de Inovação (SNI) e visando reforçar significativamente a competitividade da economia portuguesa nos mercados de todo o mundo. A introdução do conceito de “Laboratório Colaborativo” (CoLAB) tem funcionado como estímulo à diversificação e inovação institucional, sendo o seu primeiro objectivo criar emprego qualificado em Portugal, de forma direta e indireta, bem como a valorização económica e social do conhecimento. A cada ano que passa, ganha cada vez mais importância a existência de Centros de Interface (CIT), junto das empresas e dos clusters, na promoção da formação interna e na internacionalização. Como refere João Mendes Borga, membro do Conselho de Administração da ANI, “tem sido um trabalho realizado ao longo dos últimos tempos, no sentido de colmatar uma deficiência que tínhamos e que, de alguma forma, o próprio mercado tentava organizar-se para resolver, mas não conseguiu fazê-lo diretamente”. A deficiência identificada tem a ver com a transferência de know-how dos centros de saber para a economia real. João Mendes Borga reconhece que tem havido um esforço de organizar o mercado, para que a transição de conhecimento se efetive de forma mais harmoniosa, e acrescenta que o processo “tem estado a correr bem”. Segundo o administrador da ANI, “os CIT têm essa função: pegar naquilo que é o saber dos nossos melhores investigadores e cientistas, os especialistas da área, técnicos que têm o tempo necessário para aprofundar conhecimento tecnológico, e encontrar a ponte entre esse conhecimento científico e aquilo que é a atividade O conceito business as usual foi confrontado com uma mudança de paradigma que a ANI está a ajudar a gerir dos operadores de mercado”, explica. Para esse processo se desenrolar da melhor forma, além dos CIT, surgiram também os CoLABS. Os primeiros têm anos de experiência, com uma ligação à indústria já muito aprofundada. Os CoLABS, por sua vez, assentam numa nova geração e numa forma diferente de trabalhar, e têm vindo a crescer, com modelos de financiamento apoiados pelo Estado e com outputs consideráveis, em termos de informação útil, para o tecido empresarial. Reforçando que o processo organizativo começou a partir de 2018, João Mendes Borga sublinha que “o trabalho de algumas destas entidades, como numa em que entrei recentemente, existe desde 1960, por exemplo”. E acrescenta: “Há aqui uma tentativa de apoiar estas empresas com financiamento base, pois, ao longo dos tempos, estas instituições viveram numa situação dual, entre prestar serviços e fazer trabalhos ‘corriqueiros’, do dia a dia, para alimentarem uma estrutura de financiamento e, simultaneamente, perseguirem a sua missão de fazer este tipo de investigação e de criar estas pontes que, como sabemos, nem sempre têm retorno imediato”. A ANI faz um acompanhamento, tanto pela elaboração de relatórios regulares, que lhe permitem monitorizar as atividades que estão a ser desenvolvidas, as patentes que vão sendo criadas, quantos doutorados contrataram ou não, como estão a correr os projetos em fase de candidatura. “Há, de facto, um acompanhamento que, antes da pandemia, era feito no terreno mas, nos tempos complicados em que vivemos, passou a ser muito mais digital, com um aumento exponencial das reuniões online, como aconteceu em quase todas as organizações”, explica João Mendes Borga. Por estar em funções há apenas dois meses, o administrador da ANI não teve ainda tempo para visitar todos os CIT e CoLABS, mas assume o seu entusiasmo por esta área, até por ser uma pessoa muito ligada à tecnologia. Sente que as visitas “são quase como

JOÃO MENDES BORGA, 43 anos, é, desde maio de 2021, um dos membros do Conselho de Administração da ANI – Agência Nacional de Inovação. Foi fundador e diretor da Startup Portugal e da Rede Nacional de Incubadoras (2017), tendo trabalhado sempre na vertente mais disruptiva da inovação. Esteve ligado à Estratégia Nacional de Empreendedorismo e à organização da Web Summit Portugal. ir a uma Web Summit todas as semanas”. Tem encontrado pessoas a trabalhar em projetos incríveis, desde fibras sensíveis ao toque que fazem de botões na própria peça de roupa, até pedras que estão sensorizadas e que, em contacto com a nossa mão, têm botões desenhados de diferentes formas, passando pela computação gráfica para a visão artificial, ou questões relacionadas com a Inteligência Artificial (IA) no reconhecimento das letras em diferentes línguas. Há um conjunto de instituições, duas delas com mais de 500 colaboradores, a trabalhar à volta da tecnologia. “Uma testou recentemente os escudos de proteção para a ESA (Agência Espacial Europeia), visando a entrada de um veículo experimental”, refere. “Há outras a desenvolverem modelos de IA aplicados à indústria de forma muito avançada. Temos, portanto, centros tecnológicos e laboratórios colaborativos que permitem que a economia, mediante contacto e trabalho em conjunto, resolva problemas para bem do seu próprio futuro”. Com a chegada da Covid-19, há ano e meio, João Mendes Borga não tem dúvidas de que as coisas mudaram – e ainda vão mudar mais. “A forma de tentar ultrapassar os obstáculos não é muito diferente do que se tem tentado fazer à volta das redes colaborativas dentro da Administração Pública: muitas conferências e ações de formação online e muita interação digital, que é a solução mais transversal”. Dá como exemplo recente a João Mendes Borga: “Temos centros tecnológicos e laboratórios colaborativos que permitem que a economia, mediante contacto e trabalho em conjunto, resolva problemas para bem do seu próprio futuro” sua presença numa conferência no CIT da Indústria de Cerâmica. Na ordem de trabalhos constava a indústria 4.0, a logística rápida, a IA, e como essas ferramentas podem alterar a própria indústria a nível global. “Foram três horas de conversa com especialistas de topo de várias universidades, a tentar perceber como estas grandes e novas macrotendências se aplicam às indústrias mais tradicionais, que pode ir até ao artesão que fabrica o produto, passando pelas pequenas e médias empresas”, explica. “Hoje, estas transformações servem para todos, têm de ser transversais: um artesão pode vender nos Estados Unidos, ter uma logística rápida e eficaz, com armazém e distribuição em Espanha, e possuir o seu sistema de encomendas numa qualquer loja online, que aprovisione e emita faturas 47

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