COMUNICAÇÕES 239 - Alexandra Leitão: Fazer Política para as Pessoas (2021)

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itech 36 ABEL AGUIAR A

itech 36 ABEL AGUIAR A vida toda numa agenda Não é exagero. Está lá tudo. Idas ao dentista, almoços, compromissos com os filhos, reuniões de trabalho, mas também os momentos em que tem de parar. E essa é uma das várias originalidades da relação de Abel Aguiar com a tecnologia digital. Texto de Teresa Ribeiro | Fotos Vítor Gordo/ Syncview DIVERTE-SE ao revelar-se nestes detalhes. O executive director e board member da Microsoft Portugal sabe que não é comum registar todos, mas mesmo todos os movimentos que descrevemos no dia a dia, mas gosta do modelo que criou para sua organização pessoal: “Tenho ‘tempo de concentração’ marcado na agenda. E os momentos em que devo fazer pausa”. Entrega esta informação com um sorriso rasgado. A seguir explica-se: “Estou ligado muitas horas, por isso tenho de criar barreiras para me desconectar”. A Microsoft, em março, fechou os seus escritórios, por isso está em teletrabalho há vários meses. Essa circunstância, assume, tornou mais complicado separar vida profissional e pessoal: “Tive de me forçar a passear o cão, a fazer qualquer coisa para me desligar”(risos). Que fique claro: viver conectado a maior parte do tempo não lhe provoca qualquer sofrimento. Abel Aguiar adora o que faz. Quando passa os olhos pela sua carreira conclui que não foi ele que procurou a tecnologia, mas o contrário. Esses sucessivos encontros aconteceram-lhe, porém, de forma tão natural, que consolidaram o interesse que desde miúdo sentiu pela área. Mais tarde, quando entrou neste mundo, apaixonou-se. Fez consultoria estratégica, especializou-se em telecomunicações e até apps construiu: “Quando estive na PT fizemos provavelmente aquela que foi a primeira aplicação de parking do país. Chamava-se ‘Meo Parking’”. Foi uma de várias que, entretanto, deixaram de existir, mas guarda o histórico de todas. Falar da evolução tecnológica a que assistiu e em que participou durante os últimos 20 anos, dá-lhe um indisfarçável prazer: “A passagem do ecossistema da Apple e depois do Android para o conceito de aplicações de telefone e a massificação desta realidade trouxe-nos utilizações fantásticas daquilo que são estes devices”. Mas o futuro fascina-o ainda mais: “Inteligência Artificial, realidade aumentada, realidade virtual, realidade mista – a partir do momento em que for possível, de uma forma supertransparente, juntar isto, conseguiremos aumentar-nos enquanto seres humanos”, comenta, empolgado. Este, sublinha, é o cerne da sua paixão por tecnologia: a capacidade que esta tem de aumentar as nossas potencialidades. E dá exemplos do que está para vir: “Como é que vamos conseguir fundir o físico e o virtual de uma forma mais user friendly? Com o confinamento, começaram a aparecer muitos use cases, nomeadamente na área do imobiliário e exposições. Nos próximos dois, três anos, vamos viver isto”. Como esta é uma área que o encanta, levanta a ponta do véu: “Estamos, na Microsoft, a trabalhar em reuniões imersivas, em que apesar de estarmos fisicamente em sítios diferentes, passaremos a interagir virtualmente no mesmo espaço. E isto vai evoluir. Vai ser possível, a curto prazo, eu fazer uma reunião no Japão a falar japonês – efeito que se consegue com o cruzamento de realidade mista com IA – e as pessoas do outro lado fazerem-me perguntas em português”. Os olhos brilham quando descreve estas façanhas. Mas isso leva-nos de volta ao tema da autodisciplina face à sedução da tecnologia. Sabe-se presa fácil: “Tenho o vício dos jogos. Desde xadrez a pinball, de carros, de motas. Aprecio estar ligado”. Se hoje controla o seu screen time é porque sente que tem de o fazer: “Sei que é importante para a minha saúde física e mental. Há estudos sobre o impacto no cérebro da luz azul. Leio muito sobre este assunto”. Preocupase com o tema também numa lógica profissional: “Quer queiramos, quer não, se não formos os primeiros a dar o exemplo de desligar, as nossas equipas não seguem”. Além disso tem dois filhos adolescentes... Passou a usar um smartwatch, que faz de grilo falante: “Ele avisa-me: ‘Tens de te levantar de x em x tempo, tens de fazer isto e aquilo’” (risos). Podia ter-se tornado um escravo, rendido aos encantos da tecnologia, mas tem tudo sob controlo. basta-lhe seguir a sua agenda…•

Para Abel Aguiar é fundamental que as aplicações que usa possam correr em todos os seus devices. Até o seu carro faz match: as aplicações que tem dentro do telemóvel são as mesmas que usa no Surface e quando conduz Tem um iPhone 11, não porque sinta particular gosto em usar o último modelo, mas porque traz consigo uma tecnologia que o ajuda a ser ainda mais eficiente. Se está em movimento, resolve tudo a partir do iPhone, mas quando se encontra à secretária, trabalha no Surface Para melhor se organizar, passou a regular-se também pelo seu smartwatch, que o avisa quando tem de parar 37

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