COMUNICAÇÕES 238 - MULHERES E TECNOLOGIA O NAMORO QUE ACABARÁ EM CASAMENTO (2021)

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64 Ana Teresa Freitas,

64 Ana Teresa Freitas, co-fundadora e CEO da HeartGenetics: “A eficácia dos fármacos, como os seus eventuais efeitos adversos, dependem das características genéticas de cada pessoa”

cidadania TESTE GENÉTICO REVOLUCIONA MEDICINA Uma startup portuguesa, incubada no Instituto Superior Técnico, criou um teste genético que pode fazer a diferença entre a vida e a morte para muita gente. Chama-se My Pharma Genes e chegou ao nosso mercado em janeiro. Veio para ficar e para revolucionar a medicina. TEXTO DE TERESA RIBEIRO FOTO CEDIDA Não é exagero afirmar que o My Pharma Genes, o simples teste que se faz através da colheita de saliva, criado pela HeartGenetics, pode salvar vidas. Capaz de identificar, através da avaliação de 88 variantes genéticas em 32 genes, os medicamentos que poderão ser tóxicos ou ineficazes para quem os toma, constitui uma ferramenta preciosa tanto para médicos, como para doentes. Ana Teresa Freitas, professora do Instituto Superior Técnico na área da Biologia Computacional e também CEO e co-fundadora da HeartGenetics – entretanto comprada pelo grupo italiano Impact Lab –, sabe que em Portugal 11% das urgências hospitalares são devido a resposta inadequada à terapêutica e que 53% poderiam ser evitadas se os medicamentos prescritos fossem os mais indicados. A verdade é que “a eficácia dos fármacos, como os seus eventuais efeitos adversos, dependem das características genéticas de cada pessoa”, afirma. No limite, há medicamentos de eficácia comprovada em muitos doentes, que matam outros tantos. Disso nos dá conta o relatório “Farmacovigilância em Portugal 25+”, do Infarmed, que revela que “todos os anos morrem na UE mais de 197 mil pessoas devido a reações adversas a medicamentos”. É neste contexto que o My Pharma Genes emerge como uma solução revolucionária: “Algumas geografias já fazem testes dirigidos a determinadas áreas terapêuticas, mas não testam um conjunto alargado de genes, como fazemos”. O exame que nasceu em Portugal testa cinco áreas terapêuticas: cardiologia (a que mais mata no país), oncologia (cujos tratamentos implicam terapêuticas muito agressivas), psiquiatria (área tipicamente de terapêuticas longas) e gestão da dor. Outra originalidade deste teste é dirigir-se não só aos profissionais de saúde, mas também aos doentes. Para que toda a informação disponibilizada seja compreendida por qualquer pessoa, a HeartGenetics desenvolveu software que a converte num relatório fácil de interpretar. Este conteúdo encontra-se associado a uma aplicação para telemóvel, o que permite aos utilizadores ter sempre toda a informação consigo e partilhá-la com os médicos. A abertura do setor à criação da HeartGenetics não podia ser maior. De resto, a bastonária da Ordem dos Farmacêuticos já veio a público afirmar que é determinante as pessoas terem acesso a este teste. O My Pharma Genes foi galardoado pela Glintt, empresa nacional de software de saúde que gere a maioria das farmácias hospitalares, com um prémio de inovação. O Serviço Nacional de Saúde ainda não prescreve este teste, mas a HeartGenetics já está a trabalhar com o Centro Hospitalar de Lisboa Oriental, que agrega os hospitais de Santa Cruz, Egas Moniz e S. Francisco Xavier. Até ser possível ser adotado por todo o sistema, será uma questão de tempo. Entretanto, o teste já está disponível no grupo de laboratórios Germano de Sousa e em breve vai ser disponibilizado por outro grande grupo nacional de laboratórios. Qualquer pessoa, mediante prescrição médica, pode comprá-lo e, depois de realizada a colheita de saliva, receberá o resultado cerca de sete dias depois. Nota importante: basta fazer este teste uma vez na vida, pois os valores apurados não se alteram. Com 99% de precisão, o My Pharma Genes, já está a ser vendido para Itália, Espanha, Brasil, Holanda e em breve na Alemanha. Altamente robotizado, o laboratório da HeartGenetics, instalado em Cantanhede, não teme as dores deste crescimento internacional: “Conseguimos fazer 7.000 exames por dia”, informa Ana Teresa Freitas com orgulho.• 65

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