COMUNICAÇÕES 238 - MULHERES E TECNOLOGIA O NAMORO QUE ACABARÁ EM CASAMENTO (2021)

  • Apdc
  • Pandemia
  • Infraestruturas
  • Mulheres
  • Tecnologia
  • Digital
  • Empresas
  • Portugal

apdc news WEBMORNING -

apdc news WEBMORNING - CIDADES, COMPORTAMENTOS, TECNOLOGIA & COMUNICAÇÃO Envolver cidadãos com transparência e ética Para crescerem e ganharem qualidade, as cidades precisam de ter cidadãos mais ativos e participativos. O que passa pela utilização acertada das ciências comportamentais, da comunicação e da tecnologia. Texto de Isabel Travessa 62 https://bit.ly/3v8elxp OS GRANDES centros urbanos têm hoje muitas oportunidades, mas também muitos desafios. A começar pelo envolvimento dos seus cidadãos, mudando os seus comportamentos. Tudo terá de passar pelas ciências comportamentais, sempre associadas a uma utilização correta da tecnologia e da comunicação, que seja eficaz e que crie confiança nas pessoas. Neste Webmorning, organizado a 30 de março, no âmbito da Secção Cidades Sustentáveis e Saudáveis, o tema foram as “Cidades, Comportamentos, Tecnologia & Comunicação”. “As cidades são cada vez mais palco de desenvolvimento dos países e, no seu âmbito, a gestão de recursos em áreas distintas como a energia, água, mobilidade e conetividade é essencial”, diz Vladimiro Feliz, presidente da Secção. Destacando que o desafio da gestão é focar-se nas pessoas e assentar na tecnologia e na comunicação, numa reinvenção que permitirá “encontrar um caminho para a neutralidade carbónica, que reclama uma nova agenda sustentável e inteligente”.

E quais são as questões em cima da mesa? Para Carlos Mauro, investigador e especialista nestas áreas, tudo assenta no comportamento dos cidadãos e quais os seus efeitos; no que que está errado, como e quando mudar; e em saber o papel da tecnologia, comunicação e ciências. Este orador, que criou no Porto a CLOO, a primeira empresa de consultoria de comportamento económico, considera que as premissas do comportamento das pessoas nos grandes centros urbanos assentam em três pontos distintos: pouca confiança entre cidadãos, falta de confiança nas instituições locais e capital reduzido dos recém-chegados. Tudo fatores que diminuem a participação em questões locais e a interação com os atores públicos, no que chamou de “distância psicológica dos cidadãos”. A explicação para esta realidade? As ferramentas usadas são pouco adequadas e a estratégia de base está errada, já que se espera “uma participação muitas vezes passiva, onde não há cocriação nem participação na definição de políticas públicas por parte dos cidadãos, o que os afasta”. Acresce que a utilização da tecnologia tem um “modelo equivocado” e sem uma abordagem comportamental na forma como os policy makers olham para os cidadãos. Carlos Mauro defende que para mudar comportamentos, mais do que fornecer informação e incentivos, há que implementar pequenas É preciso envolver os cidadãos, através de uma gestão correta da tecnologia da comunicação mudanças no contexto da decisão, de forma a facilitá-la. Por outras palavras: “ajudamos as pessoas, mas não obrigamos nem retiramos opções de escolha. Influenciamos comportamentos”. Não sendo as ferramentas tradicionais da regulação, informação e incentivos efetivos por si só, há que “pensar o comportamento humano real”, com base em insights comportamentais. Sempre tendo em conta princípios éticos, com “políticas transparentes e publicadas, para que as pessoas possam compreender como é que tiveram eficácia”. E sabendo “utilizar de forma inteligente a tecnologia para atingir todas as pessoas”, seja nas suas formas mais básicas ou mais complexas. Se isto for feito, não tem dúvidas de que o impacto da tecnologia nas ciências comportamentais poderá ser enorme. Carlos Mauro deixa ainda claro que um tema que tem sempre de ser acautelado, na dimensão das políticas públicas, é a transparência em todo o processo. Por essa via, geram-se melhorias nos comportamentos, que são positivas para a sociedade. A responsabilização de quem tem acesso aos dados é outro requisito, porque só isso garante um comportamento ético. Se o setor público está já aberto a pensar e a testar, precisa de ter pessoas a pensar em como fazer experiências.• Carlos Mauro, chief scientific office da Cloo Sandra Fazenda Almeida, diretora executiva da APDC (moderadora) Vladimiro Feliz, presidente da Secção H&SC da APDC (host) 63

REVISTA COMUNICAÇÕES

UPDATE

© APDC. Todos os direitos reservados. Contactos - Tel: 213 129 670 | Email: geral@apdc.pt