COMUNICAÇÕES 238 - MULHERES E TECNOLOGIA O NAMORO QUE ACABARÁ EM CASAMENTO (2021)

  • Apdc
  • Pandemia
  • Infraestruturas
  • Mulheres
  • Tecnologia
  • Digital
  • Empresas
  • Portugal

t ema de capa Clara

t ema de capa Clara Gonçalves lidera um programa experimental cujo objetivo é dotar jovens dos seis aos 18 anos de pensamento computacional Cláudia Mendes Silva, embaixadora em Portugal da “Women in Tech”: “Somos pela promoção da tecnologia para todos os géneros, pois temos de chamar todos para a mesa quando pensamos no futuro” Miriam Santos lançou “As Raparigas do Código”, uma comunidade que procura colmatar lacunas na aproximação das mulheres à tecnologia 16 Rosalia Vargas, presidente da Ciência Viva, acredita que o ensino precoce e experimental das STEM atrairá, de igual modo, meninos e meninas, para estas áreas

Munique Martins, gestora do campus da Iron Hack: “Fazemos bolsas dedicadas a mulheres” guesa da ciência e dos cientistas. Com carreira desenvolvida no ensino, Rosalia Vargas valoriza o poder da sedução precoce nas áreas do conhecimento consideradas vitais para o desenvolvimento da sociedade. Por isso, de entre as iniciativas que a sua agência promove destaca os estágios de Verão que oferece aos mais novos: “Em cada ano, nas férias, os jovens do ensino secundário são convidados a inscreverem-se em estágios de laboratórios e assim terem contacto direto com esse mundo”, explica, salientando que alguns dos investigadores que colaboram neste programa são mulheres: “Elvira Fortunato e Maria do Carmo Fonseca, por exemplo, recebem o ‘Ciência Viva nas férias, nos laboratórios’, há mais de 20 anos”, elogia. Diz que o efeito desta experiência é insuperável: “No final dos estágios, os miúdos dizem-nos, com frequência: ‘Afinal os cientistas são como nós!’”. Em relação à escassez de mulheres nas STEM, Rosalia Vargas está otimista: “Portugal é um dos cinco países europeus com mais mulheres nas áreas de ciência e tecnologia. São cerca de 50%, enquanto a média europeia está nos 41%. As raparigas estão a escolher cada vez mais ciência e tecnologia, é certo que sobretudo nas áreas médicas e biomédicas, mas a tendência é, cada vez mais, para escolherem caminhos menos habituais”. O Ciência Viva tem dedicado espaço a este tema. Para promover o papel das mulheres cientistas lançou a coleção de livros “Mulheres na Ciência”, que fala de algumas das cientistas que maior reconhecimento alcançaram no mundo, desde as mais novas às eméritas, como Maria de Sousa, recentemente falecida, ou Hannah Damásio. Também nos seus “Cafés Ciência”, encontros onde participam profissionais e investigadores e que pretendem recriar as tertúlias de café, também já se discutiu o tema “Como promover uma maior participação das mulheres nas engenharias e tecnologias?”. Para Rosalia Vargas a solução está, porém, no ensino experimental da ciência: “Se a aposta for cada vez maior e mais cedo neste tipo de ensino, os resultados aparecerão”, quer entre meninos, quer entre meninas, defende com firmeza. Cláudia Mendes Silva, embaixadora do capítulo português da Women in Tech, organização internacional que tem por missão trazer mais mulheres para as STEM e dar visibilidade às que lá se encontram, tem uma perceção diferente da realidade: “A representatividade do sexo feminino nos cursos de base tecnológica tem vindo a decair”, sustenta. Diz ser esta a tendência que a organização que representa identifica em todo o mundo e para esta regressão adianta uma tese: “Verificamos que, entre os 14 e os 18 anos, a maioria das meninas que escolhem estas áreas desistem e isso fica a dever-se à pouca perceção que existe sobre o que fazem os profissionais das STEM”. Isso, somado ao 17

REVISTA COMUNICAÇÕES

UPDATE

© APDC. Todos os direitos reservados. Contactos - Tel: 213 129 670 | Email: geral@apdc.pt