COMUNICAÇÕES 237 - Que Portugal Digital Queremos Construir? (2020/2021)

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APDC 237 - Que Portugal Digital Queremos Construir? Janeiro 2021

management 50 Assim que

management 50 Assim que começou a ser adotado a uma escala nunca antes vista, depressa se concluiu que o trabalho remoto veio para ficar. Mas será que, a médio prazo, quando finalmente a COVID-19 nos deixar em paz, o interesse por esta forma de trabalhar se manterá nos níveis atuais? Se houve algo de positivo na pandemia foi a pressão que se instalou em todas as organizações para ultrapassar medos e preconceitos face à tecnologia que suporta as comunicações à distância. Só que o trabalho remoto está longe de se esgotar na prática regular de reuniões realizadas por videochamada. Acresce que existem questões culturais que não se ultrapassam em poucos meses e que estão na base das relações laborais tradicionais. Questões como a organização do trabalho, interação das equipas e exercício da liderança são tão críticas para as empresas como a própria faturação. “O grande desafio que se coloca à gestão de uma empresa que se baseia no modelo remoto é a constituição de uma cultura corporativa forte” Job Van der Voort, CEO e co-founder da Remote Por isso, quando houver tréguas por parte do vírus, muitas organizações poderão ser tentadas a recuar até à sua zona de conforto, esquecendo tudo o que aprenderam. Para perceber como é que o trabalho remoto vai evoluir em todo o mundo, o McKinsey Global Institute fez um estudo onde analisou 2.000 ocupações, 800 profissões e o mercado laboral de nove países: China, França, Alemanha, Índia, Japão, México, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos. Numa análise fria, os investigadores que colaboraram neste trabalho sublinharam no preâmbulo do estudo que apesar das de- clarações de intenções proferidas por muitos players, a adoção do trabalho remoto não é possível ou compensa pouco em mais de metade das ocupações. Mesmo em profissões onde o desempenho não é braçal e até em muitas em que a tecnologia está presente, o modelo remoto não é praticável ou compensador. Veja-se neste último caso o exemplo das profissões ligadas à medicina, ou dos investigadores que só em laboratório podem aceder aos equipamentos em que trabalham. O ensino foi outra área referida pelos investigadores do McKinsey Global Institute como sendo problemática. Segundo apuraram junto dos países em estudo, a tendência geral de pais e professores foi a de considerarem a experiência do ensino à distância insatisfatória, com reflexos negativos no aproveitamento dos alunos. Também juízes e advogados se queixaram das audiências em tribunal online, assim como terapeutas e treinadores. O certo é que a experiência proporcionada pela pandemia foi importante não só para demonstrar o potencial do trabalho remoto, mas também para ajudar a traçar estas linhas vermelhas. Sinais contraditórios Pragmáticos, os orientadores deste estudo definiram duas métricas para avaliar o futuro do trabalho remoto: a que classifica as atividades que revelam potencial máximo para a sua adoção em larga escala, e a que avalia as possibilidades das áreas onde o desempenho à distância pode ser vantajoso. De parte deixaram as atividades que dependem ou beneficiam claramente da presença humana no local de trabalho. Definido assim, o cenário para o crescimento do trabalho remoto revelou-se claro. No topo das atividades com maior potencial para o incremento deste modelo, os investigadores do McKinsey Global Institute colocaram as finanças e os seguros, “pois são áreas em que os seus profissionais despendem três quartos do seu tempo a desenvolver tarefas que podem ser feitas remotamente sem afetar a produtividade”. Sem surpresa, foram também identificadas como atividades perfeitas para o desempenho à distância as mais

Sem iludir as dificuldades inerentes a um processo de adaptação ao modelo remote, já são vários os players que começam a olhá-lo com uma outra atenção. Mas muitos terão a tentação de recuar para a sua zona de conforto, logo que a pandemia passe diversas funções ligadas às TIC, desde webdesigners a administradores de bancos de dados. Em regra, referem estes analistas, trata-se de profissões muito bem pagas, desempenhadas por profissionais altamente qualificados e que requerem capacidade para resolver problemas ou gerir negócios e pessoas. Noutro patamar, o estudo coloca as atividades que podem beneficiar do desempenho à distância, dependendo da forma como são geridas e do mercado onde estão inseridas. Esta categoria é muito abrangente, mas tem em comum o facto de ser composta por profissões cujo trabalho é predominantemente intelectual. Assimetrias Para perceber o impacto que a adoção do trabalho remoto tem nas diversas economias, o estudo comparou realidades muito diferentes. Concluiu que em mercados como o Reino Unido, onde os negócios e serviços financeiros têm elevada expressão, haverá possibilidade de escalar esta forma de trabalhar sem afetar os índices de produtividade nacionais. Ao passo que nas economias emergentes, onde a grande maioria da força de trabalho está concentrada em atividades onde nem sequer é possível aplicar o modelo remoto, não é aconselhável apostar no teletrabalho em grande escala, sob pena de tal se refletir negativamente na produtividade global desses países. Até porque fatores como a conetividade são críticos para alcançar resultados. Um investigador da Universidade de Stanford, citado no estudo da McKinsey, descobriu que apenas 65% dos americanos que inquiriu sobre a sua experiência em teletrabalho durante a pandemia disse ter em casa um serviço de internet suficientemente robusto para suportar, sem problemas, videochamadas. Apesar de esta ser uma evidente dificuldade, a verdade é que, por sua vez, cerca de 41% dos profissionais consultados pela McKinsey sobre este tema consideraram que foram mais produtivos durante a pandemia, enquanto estiveram em teletrabalho. Mas estes sinais contraditórios são típicos de períodos de transição. 51

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