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COMUNICAÇÕES 225 - O Líder Mobilizador (2017)

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APDC 225 - O Líder Mobilizador Dezembro 2017

e isentos. Devemos ter

e isentos. Devemos ter os melhores a servir as organizações. Trago comigo a experiência de ter sido o primeiro diretor do Banco de Portugal a fazer concursos para nomeação dos cargos de gestão. Não foi fácil convencer a administração que essa era a melhor forma de o fazer. Comecei por ser o único e hoje o banco adotou esta prática. Na Anacom também persigo esse objetivo: ter as melhores pessoas nos cargos de gestão. A árvore simbólica É possível uma árvore ser os Campos Elísios de uma vida? Para João Cadete de Matos, presidente da Anacom, sim. Esta oliveira com 3350 anos está num terreno em Mouriscas, Abrantes, que já pertencia ao avô e que a família orgulhosamente doou à comunidade. Hoje esta parte do terreno é do domínio público. “Não fazia sentido ser de outra forma”, afirma ele, com orgulho mal disfarçado. “Foi o meu pai que impediu que ela fosse cortada, quando já não produzia azeitonas. Hoje é atração turística”. João Cadete de Matos é um homem que concilia, em doses improváveis, o velho e o novíssimo, o último grito da tecnologia com a tradição. Por isso luta contra a devastação grosseira dos costumes, hábitos e memórias. Por isso tem um amor tão grande por esta árvore milenar cuja copa já acolheu gerações e gerações de admiradores – e continua a cumprir a sua nobre missão. Hoje, é uma árvore cheia de memórias, sombras, cheiros – onde João Cadete de Matos adora voltar com o entusiasmo do adolescente em busca de aventuras. Esta árvore é uma metáfora do que se pode construir na vida: algo sólido, robusto, eterno.• Sente o peso de não ter uma equipa de administração completa? De que forma pode ou quer influenciar a escolha das novas pessoas? Temos funcionado de forma muito coesa, colegial. As administrações são as principais responsáveis pela verticalização da gestão. Estamos num período de transição, temos cumprido a nossa missão com grande grau de exigência para as pessoas que aqui estão. Quanto à escolha dos futuros membros do concelho de administração, é uma responsabilidade do Governo. Mas tenho levantado a preocupação de encontrarem as pessoas com melhor currículo. E se isso não acontecer? Não estou nesta posição por vaidade, por isso só se a administração tiver condições para funcionar é que se justifica estar aqui. Se isso não acontecer, não ficarei a aquecer o lugar e a ver passar os dias até ao fim do mandato. Uma das prioridades que anunciou é a defesa intransigente dos cidadãos e clientes das comuni- C

cações. Como pensa combater o elevado nível de reclamações sobre os operadores e os problemas de cobertura das redes que ainda subsistem? Conto com os operadores para resolver os dois temas. Temos um mercado com mais de 12 milhões de cartões SIM, 4,8 milhões de postos fixos. É normal que haja conflitos – só não é normal que haja tantos! Sobretudo reclamações derivadas de má informação e más práticas. O consumidor não pode continuar a ser enganado. Um exemplo? A forma fácil com que se vende a adesão a um serviço e a teia de complicações para nos desvincularmos. Tenho grande dificuldade em perceber isso, é uma atitude hostil! O cliente fica com tão má memória que enquanto se recordar não voltará. E não vale argumentar que as más práticas são resposta à concorrência. Isso não desculpa ninguém. Já disse e repito: não deixarei de usar o poder que tenho para combater as más práticas. Desde logo, tornar visível os alvos das reclamações. É preciso que esta informação seja clara e periódica. E penalizar quem tem de ser penalizado. Já conseguiu reunir todos os operadores à mesma mesa para discutir estes problemas? Acontecerá antes do final do ano. O meu objetivo é que estas reuniões se tornem regulares. Todos têm a ganhar com a cooperação. É preciso explicar-lhes que é possível serem concorrentes e parceiros nos temas essenciais? Há tantos setores em que isto acontece com sucesso, porque não nas telecomunicações? Não acho normal que me digam que a única vez em que os operadores se reunem é no Congresso da APDC. Já deu a entender que defende a partilha de infraestruturas de comunicações entre os operadores. Como mudar o statu quo se até a anterior administração da Anacom não considerou necessária a abertura da fibra da PT nas zonas não concorrenciais? Tenho uma convicção: o sucesso do país passa por sabermos usar os recursos escassos de forma racional e com a melhor utilidade para o país. O desejável é que as infraestruturas sejam partilhadas por várias entidades. Há sempre não tenho dependências de nenhum dos poderes que influenciam a anacom. não estou aqui para agradar ao operador a ou b, nem ao poder político um paradoxo: dá gosto partilhar as infraestruturas dos outros, mas quando são as nossas nem pensar. A ideia da cooperação ainda tem um longo caminho a percorrer. No caso dos investimentos para o futuro, como a fibra ótica, gostaria de ver esses coinvestimentos. Com a certeza de que todos lucrarão com isso. E depois, sim, podem competir à vontade! À conversa João Cadete de matos Ao anunciarem um acordo de partilha de fibra após o Congresso da APDC, a NOS e a Vodafone ouviram o seu apelo ao diálogo? É uma iniciativa que aplaudimos. O ideal é que este tipo de acordos sejam o mais alargados possível. O dossiê da Media Capital está a ser um teste à relação entre reguladores? A relação entre reguladores deve ser independente mas em cooperação. É assim que vejo. Já se fala há muito tempo que faria sentido uma fusão entre a Anacom e a ERC, neste mundo convergente, onde não há fronteiras entre as telecomunicações, os media e os conteúdos. Ainda não dediquei tempo a refletir sobre isso. Não tenho posição a favor ou contra. Deve primeiro ser feita a análise do problema. Ficou chocado com a quantidade de papel na Anacom. Já conseguiu reduzi-lo? Fiquei chocado com a quantidade de reclamações dos operadores que recebemos em papel. Queremos reduzir isso, com impacto nos custos e no ambiente. Outra questão que quer mexer é nos tempos de decisão e resposta aos problemas. Já tomámos muitas decisões, que foram públicas, que falam por nós. É para isso que me contrataram. Para introduzir eficiência e celeridade. Tenho essa ambição.• C

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