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COMUNICAÇÕES 225 - O Líder Mobilizador (2017)

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APDC 225 - O Líder Mobilizador Dezembro 2017

à conversa João Cadete

à conversa João Cadete de matos O dia ameaçava chuva quando a equipa da APDC se pôs a caminho, com o carro a engolir o asfalto, em direção a Abrantes, em busca das raízes de João Cadete de Matos. Objetivo: fotografar o novo presidente da Anacom junto de uma oliveira milenar, com 3350 anos, que faz parte das suas memórias de infância. Durante as quase duas horas de caminho, João Cadete de Matos fez questão de conhecer, um a um, os membros da equipa da APDC que o acompanhavam. Não se cansou de fazer perguntas. Com genuína vontade de se conectar. Este episódio insignificante mostra o tripé de características que fazem de João Cadete de Matos um profissional que poucos se acanham de elogiar: curiosidade, obstinação e generosidade. O novo presidente da Anacom olha para o mundo questionando-se constantemente como ele funciona – e fá-lo com energia ilimitada. Detalhe essencial: ele dá-se às pessoas, dá-se o melhor que pode. Tem um espírito curioso e é, como poucos, aberto à diferença, à essência de cada um. Antes de assumir a presidência da Anacom, era diretor do departamento de estatística no Banco de Portugal, reconhecido pelo seu trabalho muito disruptivo na área. Isso levou-o ao topo do prestígio internacional. Com uma característica rara: enquanto acumula respeito na cúpula das organizações, não atrai desafetos, como acontece com vários profissionais na mesma posição. João Cadete de Matos nasceu em Lisboa, oriundo de um clã ligado ao interior do país, para quem os afetos eram sólidos como casas. Por isso continua a ser um homem de família. “Os meus pais são casados há 65 anos e com eles aprendi um ensinamento para a vida: estou aqui para ser feliz e para ajudar os outros a sê-lo”, conta, reconstituindo mentalmente o fio das suas memórias. Um dos traços obstinados da sua personalidade é o apego à terra. Com grande regularidade visita os pais em Mouriscas, uma pequena aldeia em Abrantes, porque tem a certeza iniludível de que naquele local ficou para sempre uma parte determinante da sua história. Há um dado importante: João Cadete de Matos demonstra uma impressionante simplicidade. Ele é a antítese das elites iluminadas, põe um carinho especial nos projetos, envolve-se com os interlocutores. Fica-se com a sensação agradável de que está disponível do primeiro ao último minuto. E isso é ser um líder de verdade. Aliás, João Cadete de Matos prova que o bom líder é o que não se preocupa em sê-lo, mas que o é em resultado das relações que estabelece com as pessoas. Liderar é, antes de mais, centrar-se no desenvolvimento dos colaboradores como medida do seu próprio desenvolvimento. De regresso a Lisboa, depois de conhecermos a árvore mais antiga do país e mergulhar no mundo afetuoso do presidente da Anacom, percebemos como tantas vezes nos chegam pedaços de sabedoria de onde menos esperamos. Quando pesquisámos para esta entrevista, constatámos que na net não há referências à sua biografia. Tudo diz respeito à sua atividade no banco, à produção aca- A ideia da busca pela felicidade é muito importante na minha vida e devo-a aos meus pais. Toda a vida os vi felizes C

“A capacidade de atingir objetivos passa por mobilizar as pessoas, sobretudo quando elas estão desmotivadas, incrédulas, quase desativadas” démica, aos comentários que faz. Não tenho por hábito falar da minha vida pessoal nos media… Não vale responder que não há nada de especial a dizer sobre a sua biografia ou que a sua vida é banalíssima. Todas as pessoas têm uma vida que vale a pena conhecer. Comecemos pelo princípio: os seus pais são de Abrantes, mas nasceu em Lisboa. E, ao mesmo tempo, é uma espécie de filho adotivo de Trás-os-Montes… O meu pai é de Mação, da freguesia de Penhascoso, a minha mãe é de Abrantes, de Mouriscas. Ainda estão vivos, com 88 e 90 anos! Sou oriundo de famílias ligadas à agricultura, mas que entretanto vieram para Lisboa trabalhar, em busca de melhores condições de vida. E sim, sou apaixonado por Trás-os-Montes. É das regiões mais bonitas e preservadas do país. Tem uma beleza natural que me encanta, soube preservar as suas paisagens deslumbrantes. Já viajei para a Austrália e para a Nova Zelândia e sinto que não precisamos de ir para tão longe em busca de inspiração. C

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