COMUNICAÇÕES 224 - A Senhora Simplex (2017)

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APDC 224 - A Senhora Simplex Setembro 2017

à conversa Maria Manuel

à conversa Maria Manuel Leitão Marques Maria Manuel Leitão Marques fala, com entusiasmo, das suas funções governativas – mais do que entusiasmo, com energia indisfarçável. Parar não é o seu verbo. A ministra da Presidência e da Modernização Administrativa – doutorada, com agregação, e catedrática da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, conhecida por ter criado o Simplex, o ambicioso plano de modernização administrativa – é de facto uma mulher de ação. Não é pessoa de fugir a desafios, e isso foi evidente desde tenra idade, naquele tempo mágico em que ainda se está de acordo com o mundo. “A mudança é boa para todos”, diz ela, já com o gravador desligado, recusando a postura que caracteriza alguns governantes, sentados no seu confortável umbigo por mais tempo do que aconselha o bom senso. Um dos seus lemas? É melhor dar um exemplo do que desenvolver uma teoria. “É tão importante ter uma boa ideia como fazê-la florescer”. Foi isso que tentou fazer com o Simplex, com o objetivo de desmontar a teia burocrática que infernizava os portugueses. E é isso que continuará a fazer com os desafios que tem em mãos. Se Maria Manuel vai conseguir? É bem provável. Quando se olha para a vida dela, é fácil dizer que o futuro sempre lhe aconteceu. A sua vaidade é – sempre foi – estar viva. As principais marcas de Maria Manuel no país? Foi dela a missão do “Simplex”, do Governo eletrónico, da empresa na hora ou do cartão do cidadão. Ao longo do seu percurso governativo, ganhou quase todas as batalhas – e reconhecimento. Para ela o trabalho é uma causa nobre. Não é um suicídio absurdo nem uma maneira de passar o tempo. Para Maria Manuel Leitão Marques, querer o impossível é a melhor maneira de realizar o possível. E isso vem-lhe da infância. O bem, como o mal, é uma questão de rotina. “O meu pai ensinou-me que fazer bem é um hábito”. Pelo caminho, aproveita as coisas boas da vida. Adora música – toca vários instrumentos, como piano ou acordeão –, é apaixonada por viagens e o seu hobby preferido é cozinhar para os amigos, uma forma de retomar memórias, viagens, cheiros. “A grande obra de uma vida é viver intensamente”, afirma, com um sorriso franco. Quando se olha para o seu legado, a ministra tem todas as razões para estar otimista. Para ela, o passado é pedra. O futuro é plasticina – onde até cabem vacas que voam. Ter funções executivas na política é um ato de coragem? Diz quem a conhece bem que não é pessoa de virar a cara ao confronto. É assim? Não tenho por hábito fugir a dificuldades e, por vezes, os projetos mais difíceis são também os mais inovadores, os mais disruptivos, e aqueles que mais me entusiasmam. Talvez por isso já me tenham calhado vários em toda a minha vida profissional. Como é deambular num mundo em que se disputa os nacos de poder com desinibida voracidade? A política não é um mundo cão. Tem aliás de ser, cada vez mais, “Dá-me muita energia saber que do meu esforço, e de toda uma equipa que me compete mobilizar, pode resultar uma vida mais simples para cidadãos e empresas, com menos encargos administrativos e menos tempo perdido, com menos despesa inútil para o Estado“ são os empresários que nos pedem para não desistirmos do simplex. não sou eu ou este governo que o diz C

um mundo de colaboração: entre governos centrais, regionais e locais, para partilharmos recursos e integrarmos serviços de forma mais conveniente para os cidadãos; ou ao nível global, por exemplo, para responder a questões de segurança. A política é mais difícil para as mulheres do que para os homens? Admito que sim, em especial na compatibilização com a vida pessoal e familiar, mas também aí as coisas estão a mudar. A bem das mulheres e dos homens, devíamos ser mais rigorosos com as horas de começar e, sobretudo, de acabar de trabalhar, tanto no setor público como no privado. De alguma maneira, sempre foi uma mulher num mundo de homens. Como foi o seu processo de vingar neste mundo ainda demasiado machista? Foi uma aluna exemplar em Coimbra numa altura em que as mulheres não se doutoravam em Direito. Nunca se amedrontou, pois não? Nunca me senti diminuída por ser uma mulher em grupos (conselhos, comissões) onde, literalmente, só havia homens ou onde eram a larga maioria. Como se sente sendo a cara do Simplex ou do Cartão de Cidadão? É algo que a orgulha? A política permite-lhe isso: pensar, decidir, deixar um lastro positivo no país? Orgulha-me muito e dá-me energia saber que do meu esforço, e de toda uma equipa que me compete mobilizar, pode resultar uma vida mais simples para os cidadãos e as empresas, com menos encargos C

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