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A Economia Digital em Portugal 2016

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a economia

a economia em portugal 2016 digital 4.1 Indústria 44 No controlo da cadeia logística a IoT acrescenta valor, permitindo o acompanhamento em tempo real da qualidade dos materiais na cadeia de fornecimento, na gestão dos recursos e acompanhamento dos bens produzidos aplicações de suporte à decisão e assim fornecer indicadores de desempenho em tempo real. Numa outra vertente, a capacidade de antecipar e prever falhas é uma mais-valia determinante para a operação da fábrica. A análise dos dados históricos de funcionamento dos diferentes componentes das linhas de produção pode permitir identificar padrões que conduzem a eventuais falhas que, sendo modelizados, tornam possível prever estas situações antecipando ações de mitigação. Segurança Numa realidade progressivamente mais digital, conectada, e cada vez mais distribuída, a segurança desempenha um papel nuclear. O desenho e a integração de todos os sistemas existentes numa determina fábrica têm que ser criteriosamente executados por forma a garantir mecanismos de proteção e monitorização eficazes. A maioria dos sistemas industriais existentes foram concebidos para funcionarem de forma isolada e como tal as proteções para ameaças externas são, em muitos casos, inexistentes. Com a alteração de paradigmas introduzidos, por exemplo pela Internet of Things, a coabitação ou integração de sistemas industrias com sistemas não industriais passa a fazer coabitar redes/sistemas com níveis de confiança distintos. Para permitir esta transformação, sem colocar em risco infraestruturas sensíveis como são as linhas de produção, é necessário que esta seja acompanhada de avaliação de riscos e planos de segurança que incluam mecanismos de defesa externa, monitorização de intrusão e controlo dos movimentos de dados entre os diferentes sistemas, entre outros. Os gastos mundiais com segurança da Internet das Coisas (IoT) chegarão a US$ 348 milhões em 2016, o que representa um aumento de 23,7% comparando com 2015 (US$ 281 milhões). Segundo estimativas do Gartner, esse montante deve saltar para US$ 547 milhões em 2018. Materialização em Portugal Em Abril de 2016, o governo português criou um Comité Estratégico da Iniciativa Indústria 4.0, para o qual convidou 64 empresas nacionais, a fazer parte de grupos de trabalho que têm como objetivo apresentar medidas concretas que contribuam para o posicionamento na “linha da frente” da quarta revolução industrial. Foram criados quatro grupos de trabalho verticais – Agro-indústria; Automóvel e Moldes; Retalho e Moda; Turismo. Estes grupos foram escolhidos porque as empresas que neles operam representam 25% do PIB nacional e mais de 30% do emprego, e as suas exportações ascendem a mais de 50% das exportações do país. Frulact, Nestlé, Sogrape, Unicer, Delphi, PSA, Simoldes, Autoeuropa, Dielmar, Farfetch, Kyaia, Lameirinho, Sonae, Vista Alegre Atlantis, Grupo Pestana, TAP, Vila Galé ou Unicre são algumas das empresas convidadas a trabalhar no Comité Estratégico da Iniciativa Indústria 4.0, em parceria com a Cotec, o Turismo de Portugal, o IAPMEI e a CIP, entre outras entidades. Esta é uma revolução que já está em marcha em vários setores, a indústria automóvel, a indústria têxtil e de calçado, a indústria farmacêutica, química, papel, alimentação e bebidas são setores que estão na linha da frente. Empresas como a Vista Alegre, que em 2015 inaugurou nove lojas online, reformulou todo o complexo processo logístico, e digitalizou o processo criativo, beneficiando da criatividade das equipas espalhadas por todo o mundo, que conseguem enviar protótipos em 3D para serem produzidos na fábrica portuguesa. Outras empresas como a Autoeuropa, que já usa impressoras 3D na sua linha de produção, ou do grupo PSA que está a trabalhar com tecnologias de realidade

45 a economia digital aumentada e de robótica inteligente nos seus veículos autónomos sem condutor, que já começou a testar em estrada. EMPRESAS DE TODO O MUNDO ESPERAM AUMENTAR DRAMATICAMENTE A DIGITALIZAÇÃO DURANTE OS PRÓXIMOS CINCO ANOS em portugal 2016 4.1 Indústria Conclusões A realidade económica dos últimos anos vem demonstrando que a atividade industrial tem um papel preponderante na cadeia de valor dos setores. A inovação, tecnologia e processos sofisticados tendem a ser mais potenciados em economias com AMÉRICA ÁSIA-PACÍFICO 32% Nível de digitalização nos dias de hoje 36% Nível de digitalização nos dias de hoje +42% +31% 74% Nível de digitalização em 5 anos 67% Nível de digitalização em 5 anos Fonte: 2016 Global Industry 4.0 Survey forte atividade industrial (veja-se o caso da Alemanha). A nova revolução industrial na Europa EUROPA, MÉDIO ORIENTE E ÁFRICA 30% Nível de digitalização nos dias de hoje +41% 71% Nível de digitalização em 5 anos está em curso, pelo que todos os países terão de promover o ajustamento das suas estratégias de desenvolvimento industrial, de modo a evitar que percam pela PWC (2016 Global Industry 4.0 Sur- o "novo comboio" do desenvolvimento vey), os investimentos em capacidades económico do espaço europeu. de Indústria 4.0 devem chegar a cerca Presentemente, no panorama europeu de 5% da receita anual. Mais de metade constatam-se duas realidades distintas, das empresas esperam um retorno do a Alemanha e alguns países da Europa investimento dentro de dois anos. Portu- do Leste onde a industrialização e a pro- gal foi classificado como um dos países dutividade aumentou nos últimos anos. europeus que se encontra num grupo Em oposição temos a realidade dos de países considerados “hesitantes”, de países do sul da Europa (Portugal, Espa- acordo com um estudo da Roland Ber- nha, Itália,…) que têm vindo a percorrer ger sobre a atual realidade industrial na o caminho da desindustrialização desde União Europeia. Todavia, com a criação 2000. Neste contexto, a reindustriali- do Comité Estratégico da Iniciativa In- zação da Europa terá de assentar em dústria 4.0 pelo governo português, ficou novos fundamentos e ter em conta os clara a aposta no processo de reindus- fatores de mudança que se perspetivam trialização, sendo certo que a indústria para a evolução da economia europeia será seguramente um motor de desen- nos próximos 15 anos. volvimento preponderante na economia Esta mudança de paradigma basear- portuguesa nos próximos anos. se-á em TI associadas aos processos de É fundamental que se compreendam as industrialização, cada vez mais conver- tendências futuras e os fundamentos da gentes entre mundo digital e físico, no- nova abordagem ao desenvolvimento da vas soluções de hardware combinadas atividade industrial, para que se tenha com avançadas soluções de software, êxito na atração do investimento neces- sensores, registo de enormes quantida- sário à reindustrialização da economia des de dados e analítica da informação. portuguesa. As Tecnologias de Infor- Processo este que resultará em produ- macão e Comunicação, neste contexto, tos mais inteligentes, dirigidos a um vão ter um papel decisivo no contributo público-alvo cada vez mais exigente. do desenvolvimento sustentável das De acordo com um estudo realizado atividades do setor da Indústria.•

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