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A Economia Digital em Portugal 2016

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a economia digital 124

a economia digital 124 em portugal 2016 6. Cidades e Territórios Digitais As últimas décadas têm alterado de forma profunda o desenvolvimento das cidades. A globalização, a integração dos mercados e os movimentos demográficos são alguns dos fatores com maior impacto sobre os territórios e áreas urbanas. Estima-se que nos próximos 30 anos a população das cidades cresça anualmente cerca de 60 milhões de pessoas, com a população urbana a representar cerca de 70% da população mundial em 2050. 1 ONU, 2014. 2 McKinsey Global Institute, 2013. 3 Forbes Em 2014 havia 28 cidades com mais de 10 milhões de habitantes, onde viviam mais de 450 milhões de pessoas. Em 2030, deverão existir 41 megacidades 1 . Contudo, o crescimento das cidades ocorrerá também nos centros urbanos de menor dimensão — as cidades com menos de 10 milhões de pessoas serão responsáveis por metade do PIB mundial gerado até 2030. O aumento esperado da população mundial será acompanhado por novas evoluções tecnológicas, fundamentais para o desenvolvimento “inteligente” das cidades, isto é, para uma gestão e utilização dos recursos de forma mais eficiente, melhorando a qualidade de vida dos cidadãos. Exemplo disso é a evolução esperada dos negócios baseados na internet e na Internet of Things (IoT), que terão efeitos decisivos sobre as cidades. Até 2025 a IoT terá um impacto económico global superior a 11 triliões de euros 2 . Em 2020 deverão existir cerca de 50 mil milhões de “coisas” ligadas à internet 3 . O número de smartphones passará de 1,9 mil milhões em 2013 para 5,6 mil milhões em 2019 3 . Prevê-se que as receitas geradas através das roupas e tecidos interativos e digitais ultrapassarão os 2 mil milhões de dólares em 2018, o dobro do registado em 2014 3 . A resposta à evolução demográfica e tecnológica dos próximos anos requer um compromisso duradouro entre todos aqueles que governam, habitam e usufruem das cidades e das áreas urbanas. Por exemplo, ao nível da regulação, é requerida a definição de regras claras relativas à segurança das infraestruturas, da privacidade ou dos ambientes favoráveis à introdução de soluções inovadoras. Em matéria de inovação sustentável, as cidades têm à sua disposição instrumentos que permitem estimular a produção de bens e serviços assentes em tecnologias limpas, promovendo a inovação e a criação de novos mercados. Mas as cidades podem também induzir comportamentos sustentáveis nos cidadãos e nos agentes económicos. É o caso dos incentivos aos modos suaves de transporte, que privilegiem as energias limpas, ou à construção e reabilitação energeticamente mais eficientes. Em Portugal, muitas destas respostas serão enquadradas através da formalização de um cluster de “cidades inteligentes” (smart cities), que terá como áreas de atuação o apoio às atividades de investigação e desenvolvimento, a experimentação e demonstração, a formação avançada, o empreendedorismo e os novos negócios, bem como a internacionalização e projeção global das empresas e soluções para as cida-

125 a economia digital em portugal 2016 6. Cidades e Territórios Digitais des. Este cluster, inicialmente constituído por cerca de 50 entidades (algumas das quais do universo da APDC), envolve empresas, universidades, entidades de suporte empresarial, startups, cidades ou redes de municípios. Desafios dos territórios Áreas Metropolitanas, Comunidades intermunicipais, Cidades, Freguesias Nas próximas décadas um dos maiores desafios às cidades em Portugal passa por encontrar novas respostas e soluções em termos de organização territorial, abrangendo áreas tão diversas como as infraestruturas (físicas e digitais), a segurança, a cidadania, a sustentabilidade ambiental, económica e social ou os processos de decisão. Uma reorganização ambiciosa das estruturas de administração do território e de planeamento implicam uma gestão mais eficiente e eficaz dos recursos à disposição, no sentido de tornar os territórios mais atrativos (a pessoas e investimentos, incluindo os internacionais), dinâmicos e com maior qualidade de vida, ou seja, mais fáceis e consequentemente mais ágeis e inteligentes. As atuais formas de agregação e representação territorial (Áreas Metropolitanas, Comunidades Intermunicipais, Cidades e Freguesias) terão de ser orientadas para responder às alterações demográficas e socioeconómicas registadas em Portugal nas últimas duas décadas. Terão também de promover trajetórias sustentáveis de inovação, suportada no trabalho colaborativo de uma vasta rede de atores (públicos e privados, incluindo os cidadãos) e na interseção de várias áreas de conhecimento.

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