Views
1 year ago

30 - APDC Digital Business Movies | The Post

  • Text
  • Apdc
  • Liberdade
  • Tudo
  • Marques
  • Papel
  • Digital
  • Casos
  • Grande
  • Caso
  • Jornalismo
24 jan 2018 | Cinema NOS Amoreiras

APDC

APDC Digital Business Movies co-produced by NOS Pedro Santos Guerreiro Diretor, Expresso “É muito frequente os jornais publicarem informação protegida, em que decidem que o interesse público é superior. São decisões que tomamos quase continuamente. Os segredos de Estados são casos muito raros” “Há sempre um movimento contra os jornalistas para que não publiquem e uma caça às fontes. É um padrão ao longo dos anos. O sistema tem que funcionar, de maneira a alinhar as forças que protegem aqueles que estão a ser ameaçados” “Não tenho dúvidas da boa formação do jornalismo. Hoje, a pressão noticiosa só é diferente por causa da velocidade. O digital provoca uma pressão muito grande de urgência de publicação” “Há uma coisa incomum na comunicação social. É das poucas indústrias em que a gestão não manda no produto. Não sabem o que vai sair nem estão envolvidos no processo noticioso” última lição: a “capacidade ou coragem de saber resistir e lidar com as pressões”. É que, perante casos em que se terá que ter muito cuidado, a decisão final ficará sempre a cargo do jornalista que terá, por isso, que ter “uma ética própria” e uma hierarquia de valores bem definida. Para Marques Mendes subsistem na atualidade alguns mitos, da parte dos jornalistas e dos políticos. Os primeiros, de um modo geral, acham que o poder está permanentemente a fazer tudo para esconder, quando tudo deve ser público, de acordo com o primado da transparência. Já os políticos olham para os media e os jornalistas com desconfiança, considerando que quando se investiga alguma coisa se está a mando de alguém ou a conspirar. Estes são “mitos que a realidade se encarrega de clarificar”. No final, tudo depende das pessoas, porque são elas que fazem com que existam grandes diferenças entre governos. Acresce que, do que se diz ao que se pratica, vai uma grande diferença. “Com uma dose de hipocrisia maior ou menor, a resposta normalmente é a de que se respeita a liberdade de imprensa e de expressão e que tem que haver transparência”, diz Marques Mendes, para quem a prática demonstra que há diferenças entre governos que, de um modo geral, respeitam a liberdade de informação, e governos que fazem tudo para a limitar. A última década tem, aliás, muitos exemplos de ambos os casos, e tudo depende de quem está à frente dos cargos e da “sua formação ética e moral, política e capacidade de ser minimamente coerente entre aquilo que diz e o que faz”. Certo é também que haverá “sempre alguma tensão, nas sociedades democráticas, entre o poder político e quem o escrutina”, porque “os

7 Neste encontro, que praticamente esgotou a sala, as fake news foram uma realidade analisada. Um tema considerado assustador, ao criar a percepção de que os media são desnecessários, o que poderá trazer riscos para as democracias. Por isso, o papel do jornalismo é essencial para filtrar, contextualizar, verificar e até desmentir anseios, preocupações e objetivos são diferentes. Podem não ser opostos, mas são seguramente diferentes”, acrescenta Marques Mendes. Por isso, em caso de conflito, defende que o “princípio terá de ser o do interesse público”, o que em alguns casos é difícil de gerir: “tem que haver uma grande ponderação de valores com sentido de responsabilidade. Cada caso é um caso e é por isso que as coisas vão evoluindo. A evolução e a consciência crítica da sociedade são aqui decisivas”. FAKE NEWS E MARCAS SÓLIDAS A morosidade da justiça em Portugal e os casos em que os políticos inventam notícias e passam a ser eles próprios atores do processo informativo foram também temas abordados neste debate. No primeiro caso, Marques Mendes defende que quem trabalha no meio “sabe que é muito difícil conciliar certeza com celeridade jurídica. Por isso, nem oito nem 80. Nem uma justiça na hora, que é impossível, porque há um tempo próprio em que as coisas têm que ser aprofundadas e maturadas, nem uma justiça que leva anos. Tem que se tentar evoluir para o meio termo”. Já no caso das fake news, Pedro Guerreiro diz que o exemplo mais evidente é o de Donald Trump. Trata-se de um “fenómeno” que tem “muitas coisas interessantes, mas também bas-

REVISTA COMUNICAÇÕES

UPDATE

© APDC. Todos os direitos reservados. Contactos - Tel: 213 129 670 | Email: geral@apdc.pt