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30 - APDC Digital Business Movies | The Post

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24 jan 2018 | Cinema NOS Amoreiras

APDC

APDC Digital Business Movies co-produced by NOS Que papel para o jornalismo em democracia? Num mundo cada vez mais digital, onde a informação e a desinformação se multiplicam a crescente velocidade, o papel da comunicação social assume-se como crítico para as atuais democracias. Cabe aos media garantir marcas fortes e de referência e um jornalismo de investigação com princípios e ética, que permita escrutinar os vários poderes, a começar pelo político. A tarefa é complexa e poderá implicar pensar o jornalismo de forma diferente. Na terceira edição do “APDC Digital Business Movies co-produced by NOS”, foi visionado em antestreia o filme “The Post”, produzido por Steven Spielberg, com Meryl Streep e Tom Hanks nos principais papéis. Uma história que decorre em 1971 e que recria factos reais: a publicação dos ‘Pentagon Paper’s’, dossier confidencial que comprova o envolvimento das administrações dos EUA no Vietname ao longo de três décadas, e o confronto entre os jornais e a Casa Branca, que tenta travar judicialmente a divulgação da informação. A partir desta história e do tema do papel do jornalismo na democracia, decorreu um painel de debate, moderado por Rogério Carapuça (presidente da APDC), que juntou Luís Marques Mendes (comentador, advogado e político), Gonçalo Reis (presidente da RTP) e Pedro Santos Guerreiro (diretor do Expresso). É que os paralelismos entre a história contada no filme e a conjuntura atual são muitos. A contradição entre o que é o direito ao segredo – bancário, económico, jurídico, político ou outro – e o direito à informação é hoje uma situação muito frequente, admite o diretor do Expresso. Perante estas situações, os media têm sempre que decidir se o interesse público é ou não superior ao direito ao segredo. E são raras as vezes em que este último se sobrepõe ao dever de informar. Só mesmo em casos onde o impacto da notícia poderá implicar grandes e concretos prejuízos. Casos com o ‘Pentagon Paper’s’ são felizes, “porque tudo correu bem aos jornais e mal à administração norte-americana, que queria ocultar e manter uma mentira que não era inócua”. Mas são a exceção à regra. A generalidade deles não acaba bem, diz Pedro Santos Guerreiro.

3 No debate desta iniciativa, analisaram- -se questões como o direito ao segredo e o dever de informação, a liberdade de imprensa, as pressões políticas e económicas, o papel da gestão dos grupos de media e a justiça em Portugal Exemplos como o do soldado Manning, Julien Assange ou de Edward Snowden comprovamno e mostram que há sempre “um movimento contra os jornalistas, para que não publiquem, e uma caça às fontes. É um padrão ao longo dos anos”. Por isso, defende que “o sistema tem que funcionar, para alinhar as forças que protegem aqueles que estão a ser ameaçados”. Na sua perspetiva, e salvo as raras exceções, não se trata de “uma questão de segredo, mas sim de responsabilidade da informação”. E nem sequer “deve haver nenhum cálculo sobre a oportunidade, porque isso indica desde logo uma viciação do exercício de jornalismo. A notícia não tem outra oportunidade que não seja a do imediata. Dá-se quando se tem e está preparada”. O diretor do Expresso não tem dúvidas de que existe hoje boa formação no jornalismo. Com uma grande diferença, que resulta da pressão noticiosa e da velocidade de publicação: o “digital provoca nas redações uma pressão muito grande de urgência de publicação. Mas também significa que os editores têm a responsabilidade de saber gerir a tentação de publicar, para ser feita em devido tempo”. CONFLITOS, MITOS E REALIDADE Situações como a que é abordada no filme mostram que os conflitos de interesses podem ser uma grande oportunidade para os gestores de

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