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17 - 26º Digital Business Congress

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28 e 29 set 2016 | CCB

26º

26º Digital Business Congress 3. Operadores de Media O conjunto dos maiores grupos de media nacionais perdeu nos últimos 9 anos cerca de 40% das suas receitas de publicidade. Muita dessa publicidade migrou para os meios digitais. Ora, cerca de 90% das receitas de publicidade nos meios digitais na Europa vão para duas empresas apenas… E nenhuma delas é europeia! Face esta enorme transferência de valor, como podem os grupos de media pagar a criação de conteúdos de produção nacional? Como garantir que os mesmos vão continuar a ser produzidos com a qualidade necessária para, eles próprios competirem internacionalmente? ■ É fundamental reconhecer a relevância do setor audiovisual nacional, como indústria criativa, criadora de emprego, com potencial de internacionalização e que por isso merece uma atenção setorial estruturada. A defesa dos conteúdos em português e o papel que a esse respeito têm desempenhado os canais Free To Air (FTA) ganham assim um relevo muito especial. ■ É muito relevante a aposta nos meios digitais para ir ao encontro das tendências do mercado e dos hábitos dos consumidores, sobretudo as camadas mais jovens. Há que pensar todos os conteúdos e produtos de raiz, tendo em conta as necessidades digitais, de tal forma que atualmente é até pouco sensato falar de uma área digital per si. Todavia, a presença digital implica valores de investimento que só estão ao alcance de grupos com uma saúde financeira assinalável. ■ É muito importante dar resposta às novas formas de consumo, que obrigam a aumentar a abrangência dos conteúdos e que importa monetizar de forma mais expressiva para incentivar o investimento, tais como o visionamento não linear. Para capturar mais valor com esta oportunidade, há que ter conteúdos com continuidade diária e/ou em direto e com interatividade em tempo real. Mais importante é serem relevantes, para que sejam procurados para visionamento, seja em tempo real ou de forma diferida. ■ É sabido que o público está cada vez mais globalizado. A resposta adequada é, sem que se perca um forte traço de portugalidade, apostar numa assimilação de maior globalidade, com especial enfoque na lusofonia. ■ Os públicos estão ainda cada vez mais segmentados. Há que corresponder a essa segmentação, sem perder a noção de que há que tomar opções, dado que não é possível nem rentável atender a todos os nichos, especialmente tendo em conta a pequenez do mercado nacional. ■ A fim de tirar partido das evoluções tecnológicas e criar novas oportunidades, as empresas deste subsetor, têm de efetuar investimentos significativos para se manterem na linha da frente da inovação. Trata-se de algo dispendioso, mas essencial numa das indústrias que mais está sujeita à disrupção digital. Os grupos de media nacionais, cientes das tendências acima referidas, estão a desenvolver estratégias para tirar partido das mesmas e aproveitar as oportunidades que elas encerram, mas necessitam que os poderes públicos - quer ao nível executivo, quer ao nível da regulação - cumpram a sua parte. Nomeadamente, é necessário que: ■ Se crie um level playing field regulatório entre os vários players do ecossistema, quer as plataformas, quer os players internacionais de conteúdos. Com efeito, por exemplo, existe uma clara diferença de tratamento entre os produtores de conteúdos nacionais e os internacionais que operam em Portugal. ■ Se adeque o quadro legislativo previsto na Lei do Cinema à realidade do mercado audiovisual e se acabe com a atual situação de discriminação na produção nacional. É importante encontrar uma estratégia para conciliar o apoio ao cinema nacional, do chamado cinema de autor, com as produções nacionais mais vocacionadas para os grandes públicos. Assim, deverá existir uma maior flexibilidade para a gestão de apoios, que devem ser complementares e existirem em simultâneo. ■ Se altere a legislação, para que os canais de televisão possam gerir os horários dos intervalos com maior flexibilidade. No que respeita à regulação das comunicações comerciais (publicidade), o quadro normativo europeu possibilita uma postura mais flexível que a adotada pelo legislador nacional, bem como uma interpretação menos restritiva por parte das entidades regulatórias competentes. Em nome da salvaguarda do papel cultural, social e económico dos operadores televisivos generalistas nacionais, é possível incorporar regras mais flexíveis para a publicidade, permitindo a exploração de novas formas de comunicação.

5 ■ Na área da regulação, há que criar igualmente espaço para iniciativas de autorregulação no setor, ferramenta que deveria ser privilegiada em detrimento de uma intervenção regulatória excessiva. 4. Outros Operadores As redes de comunicações eletrónicas, bem como a desmaterialização de muitos bens que as tecnologias de informação possibilitaram, deram origem ao aparecimento de um novo e enorme conjunto de serviços que delas tiram partido. E com estes foi surgindo um vasto conjunto de operadores que os prestam. Portugal foi pioneiro desde a primeira hora deste tipo de serviços, como mostram os sucessos do MULTI- BANCO, da VIAVERDE e das plataformas de comprar eletrónicas, entre outros. Nos pagamentos, as grandes tendências globais são o crescimento das transações eletrónicas (por contrapartida da redução de utilização de meios menos eficientes, como numerário e cheques) e o surgimento de métodos alternativos de pagamento, como por exemplo os pagamentos com telemóvel. Os novos métodos de pagamento procuram adequar a forma de pagamento aos novos canais digitais, onde o consumidor compra bens e serviços (ex: Uber, app’s de estacionamento, lojas online) e é atualmente um espaço muito competitivo em que concorrem além dos bancos, as fintechs e alguns grandes players, como a Apple, Google e Amazon. Em Portugal, o MULTIBANCO posicionou o país na vanguarda dos pagamentos. Seguindo as tendências internacionais, também o MULTIBANCO chegou ao smartphone - com o MB WAY é possível fazer compras online ou transferências com o nº de telemóvel. É o primeiro serviço na Europa que permite fazer transferências em euros em que o crédito na conta destino é imediato. Não obstante, com cerca de 70% de peso do numerário nos pagamentos de retalho, Portugal está na cauda da Europa em termos de migração para pagamentos eletrónicos. Em países como o Reino Unido, França ou Holanda, o numerário já só representa aproximadamente 45%. Assim, considera-se que: ■ A migração para pagamentos eletrónicos, bem como para a faturação eletrónica, deverá ser um pilar da estratégia nacional de digitalização da economia. A promoção de meios de pagamento em setores de atividade onde ainda impera a informalidade tem ganhos adicionais para a economia não diretamente mensuráveis. ■ Medidas que promovam a aceitação de cartões ou que limitem a utilização de numerário têm sido adotadas com sucesso em outros países e deveriam ser equacionadas também em Portugal. 5. As empresas de TI As empresas de TI presentes em Portugal, de origem portuguesa e internacional, lutam com um conjunto de barreiras. Nomeadamente: ■ Capacidade de investimento por parte de muitas empresas; ■ Lacunas existentes no ecossistema de inovação e risco inerente ao lançamento de novos modelos de negócio; ■ Falta de dimensão do mercado interno; ■ Disponibilidade de recursos humanos qualificados. No que respeita à capacidade de investimento, tratase de um problema estrutural da economia portuguesa que neste setor também se faz sentir. Por outro lado, o nosso ecossistema de inovação denota lacunas importantes, desde logo a existência de poucos operadores de capital de risco com músculo para o financiamento de muitas oportunidades de negócio que são aqui geradas. Os poucos meios para financiamento existentes, nomeadamente os públicos nacionais ou europeus, devem ser utilizados para alavancar oportunidades que os próprios privados também reconheçam como importantes, pois são eles que melhor conhecem o mercado, devendo estar sob gestão destes últimos. A falta de dimensão do mercado interno também dificulta o nascimento e o ganho de escala de iniciativas empresariais a partir de Portugal, sendo necessário que as empresas ataquem desde logo oportunidades globais e utilizem o nosso mercado apenas como laboratório. O que elas estão a fazer com significativo mérito. Esta capacidade de utilização do nosso mercado como origem de produtos e serviços sofisticados está também a ser explorada por empresas internacionais que escolhem Portugal para implantar centros de serviços. Esse movimento deve ser encorajado pelos poderes públicos centrais e regionais. Por outro lado, verifica-se uma significativa falta de recursos humanos disponíveis para satisfazer a pro-

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