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13 - Jantar Debate | Francisco de Lacerda, Presidente & CEO CTT

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5 abril 2016 Hotel Dom Pedro Palace

EM DEBATE e na

EM DEBATE e na realidade do momento”. Mas o certo é que os CTT têm uma grande vantagem competitiva, numa altura de encerramento de balcões bancários: as lojas estão abertas por causa do negócio postal, o que significa que as receitas do banco serão um adicional ao que já existe. A integração gradual das redes dos CTT, no sentido de reforçar a eficiência, tem sido outra aposta destacada pelo líder do grupo. Cerca de 70% das encomendas resultantes do e-commerce, por exemplo, já são distribuídas pelos carteiros nos seus giros. Uma integração que se que se traduz numa “vantagem competitiva importante” e que não afasta a crescente automatização nas atividades onde isso é possível. A realização de parcerias que permitam diversificar a oferta de produtos e serviços sobre a sua rede foi também referida. É o caso do acordo para a criação dos Espaços do Cidadão, que estão em 300 lojas, com a oferta de todos os serviços que estão nas plataformas eletrónicas do Estado. Ou da venda de produtos e serviços da PT, da oferta integrada de pagamentos em utilities, com a EDP, e dos pagamentos de portagens com a Brisa. Para ter capacidade e garantir as bases tecnológicas que suportem a evolução do negócio, o grupo está ainda a desenvolver um plano estratégico de sistemas de informação. “Estamos a revolucionar tudo”, garante Francisco de Lacerda, através de um “um plano muito profundo ao longo dos próximos quatro anos”. Em paralelo, a preocupação com a inovação está agora “mais estruturada” sendo os CTT “um dos operadores postais mais inovadores na Europa”. “Temos uma história distinta e atrativa” e o Banco Postal vai “acrescentar mais um capítulo a esta realidade. Sem descurar tudo o resto. Porque nós não somos só banco”, ressalta. Já na fase de debate, o Presidente e CEO dos CTT reiterou que se o banco marcará a estratégia nos próximos anos, os CTT manterão claramente uma estratégia multifoco, centrada nas três áreas de atividade definidas. E admitiu que foi o processo de privatização que permitiu desbloquear o projeto bancário, já que o Executivo queria potenciar o encaixe com a obtenção da licença bancária. Foi possível “vencer bloqueios de várias décadas e instituições que tinham que ter intervenção na concessão da licença e na concretização do banco”. FATORES DIFERENCIADORES Francisco de Lacerda considerou que os fatores diferenciadores do banco assentam na força da marca CTT e na posição privilegiada em termos de custos – a rede de balcões é partilhada para outras atividades postais e os investimentos em TI foram feitos agora, enquanto as plataformas dos grandes bancos têm décadas. “Estamos convencidos que temos vantagens para ter o nosso lugar e podermos ter uma oferta simples e de baixo custo, que vai permitir crescer em alguns segmentos que consideramos importantes”, explica. Afastando qualquer hipótese de participar nas consolidações da banca, o líder dos CTT explica que esse é um movimento entre gigantes que poderá até ser uma vantagem para entidades mais ágeis, como o Banco CTT, projeto centrado para já nos particulares e pequenos negócios e que poderá alargar progressivamente ao segmento empresarial. E rejeita que o banco possa canibalizar o negócio dos serviços financeiros: há atividades que vão migrar para o banco e outras que se manterão na esfera dos serviços financeiros. E como é que uma empresa de correios se transforma numa empresa digital? “Estudando os temas, atraindo pessoas com experiência e capacidade, investindo na formação e em sistemas informáticos. Procurando sempre ir ao encontro das necessidades do utilizador, compreendendo bem os mercados em

7 Cátia Simões foi a moderadora do painel de debate, onde Francisco de Lacerda considerou que fazer o banco foi “um desafio e peras”. que se atua e a sua evolução, criando funcionalidades e produtos que lhes respondam”, diz. No fundo, é “mexer em toda a empresa e todas as frentes. Dentro de uma logica bem pensada e sistematizada”, explica o gestor. Olhando para o futuro, considera que “a capacidade de nos continuarmos a reinventar para, preservando os negócios onde estamos, sermos capazes de aproveitar as oportunidades de crescimento, mantendo-nos eficientes”, é grande desafio. As parcerias terão um papel importante a desempenhar. Como a que foi feita com a Altice, ainda antes da compra da PT Portugal, onde os Correios aguardam a respetiva operacionalização. “O canal está aberto e veremos agora onde nos leva”, mostrando-se convicto de que as vantagens competitivas dos CTT poderão ser aproveitadas pelos operadores, nomeadamente ao nível do e-commerce. “Temos feito um bom trabalho. A criação de valor tem mostrado isso. Tem sido um desafio muito estimulante a transformação dos CTT, o ter que pensar nos caminhos, liderar as equipas, ter as pessoas unidas por objetivos. O caminho para a frente é continuar, porque o mundo não para”, afirma Francisco de Lacerda. Destacando a necessidade de, perante a cada vez mais rápida transformação do mundo físico para o digital, ser fundamental diversificar e explorar alavancas de crescimento diferentes. “Há aqui uma transformação do perfil que é vital para o futuro da empresa. Nenhuma empresa, por mais eficiente que seja, subsiste para sempre reduzindo a sua linha de receitas. Criar crescimento é uma necessidade absolutamente vital”, acrescenta. Questionado sobre qual foi o projeto mais desafiante de executar, a privatização ou a criação do banco, considera que “foram dois bons desafios”. A privatização foi concretizada num curto período, envolvendo um processo de transformação do grupo, e optando-se por um modelo mais arriscado, mas que teve melhores resultados, tanto em encaixe como na criação de uma base acionista estável, que “apoia o que estamos a fazer e com a qual temos uma capacidade de colaboração grande”. Mas “fazer um banco também é um desafio e peras. É muito trabalho em todas as vertentes. É, verdadeiramente, criar uma startup sujeita a regulação”, conclui.

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